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05-06-2008
A axé music fantasiou a timbalada e o samba-reggae. O afropop baiano sucedeu a tropicália. O tropicalismo atropelou a bossa nova. A bossa baiana de João Gilberto superou Dorival Caymmi e o samba da Bahia. E samba da Bahia é o tema do documentário "Samba Riachão", do músico baiano Jorge Alfredo. Riachão, 82, é autor marginal de sambas como "Cada Macaco no Seu Galho", resgatado como pop universal por Caetano Veloso e Gilberto Gil no pós-tropicália. No filme em sua honra, ele aparece menos como personagem, mais como pretexto, objeto, paisagem. A figura comovente dança, frenética, os versos tristes que compõe, como a converter tristeza em euforia. Desnuda-se ao chorar copiosamente diante do retrato da mãe morta há muito. O filme não chora por Riachão; antes o usa como pretexto para traçar uma genealogia da música da terra. Depõem Caymmi, Antônio Risério, Caetano, Tuzé de Abreu, Gil, Tom Zé, Armandinho... Mas onde está o axé? Carlinhos Brown faz a travessia. Contraria o senso comum e diz que, não, o samba não nasceu na Bahia: "Nasceu no mar e precisava de porto". Enfim aparece Daniela Mercury, dividindo o palco com Riachão, meio generosa, meio aflita. A música axé não aparece -no lugar, surge o samba de recôncavo pós-axé da Gang do Samba, que agrada Riachão pelo modo "certo" de cantar seu samba. O sambista não diz que rejeita o axé -nem o documentarista. Esse só confina o gênero num cantinho carinhoso da tela, bem como se fizera antes com Riachão. Mostra, com ternura agridoce, que ainda somos os mesmos e vivemos como nossos pais. Samba Riachão (© Folha de S. Paulo)
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