05-06-2008
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Trio Nordestino |
João Pimentel
Uma das tradições mais ricas da cultura brasileira, a festa de São João,
mais do que balões no céu, fogueiras e as comidas típicas que têm no milho
o seu ingrediente maior, também incentiva o lançamento de trabalhos das
mais diversas vertentes da música nordestina. Cinco discos traçam um
painel da diversidade, para o bem e para o mal, de um mercado que cresceu
muito com a onda do forró universitário. Apesar de sua limitação estética,
o modismo aumentou a exposição de uma nova safra de compositores, como
Targino Gondim, ou de veteranos mestres, como o lendário Trio Nordestino e
os sanfoneiros Sivuca, Dominguinhos e Oswaldinho.
O Trio Nordestino completa 45 anos de estrada lançando um disco de novas e
de antigas canções. O disco “Baú do Trio Nordestino 2” (Indie Records),
produzido por Paulo Rafael, tem altos e baixos, principalmente no
repertório. O zabumbeiro Coroné, único remanescente da formação original,
Luiz Mário e Beto Souza ganham um acompanhamento de nomes de peso do samba
e do choro carioca como o cavaquinista Alceu Maia, o flautista e
saxofonista Marcelo Bernardes e o violonista Carlinhos Sete Cordas. Se os
convidados são tão variados como Alcione, Bezerra da Silva e o grupo
Falamansa, o repertório escolhido mistura coisas interessantes como “Amor
de São João” e um pot-pourri de galopes como “Meu Pitiguari”, “Chora
viola” e “Na emenda” e outras insossas como “Atira no bicho” e “Me bote no
colo”.
Targino Gondim faz um disco equilibrado e delicado sobre tradição
musical do São João
Já Targino Gondim ficou conhecido nacionalmente ao ser descoberto durante
as filmagens de “Eu tu eles”. Sua música “Esperando na janela” foi gravada
por Gilberto Gil e praticamente carregou a trilha que o compositor baiano
fez para o filme, explorando ritmos nordestinos, especialmente sobre a
obra do mestre Luiz Gonzaga. Exímio sanfoneiro, bom cantor e pesquisador,
Targino gravou agora um belo disco sobre as canções dedicadas a São João.
“Canções joaninas” é um trabalho preciso tanto na escolha do repertório
quanto no acabamento sonoro. Todos os elementos acrescidos à
instrumentação clássica da música nordestina como violinos, clarineta e
saxofone são encaixados com precisão e delicadeza nos arranjos. Mas o
ponto alto é o equilíbrio do repertório, que traz clássicos como “Olha pro
céu”, “São João na roça” e “São João do carneirinho”, de Gonzagão, e
outras menos conhecidas, mas não menos belas, como “São João no arraiá”,
de Zé Dantas, e um pot-pourri de forrós de galopes de Antônio Barros. Dá
para sentir o gostinho da canjica, do cuscuz e o cheiro da fogueira
queimando.
Outro trabalho interessante é o desenvolvido por Chico Salles em seu
terceiro disco, “Forrozando” (independente). Paraibano radicado desde os
anos 70 no Rio, o cantor e compositor, apesar de se basear na linguagem
musical nordestina de xotes, baiões, xaxados, também é um conhecedor do
samba carioca, das rodas do Cacique de Ramos e da Mangueira. Portanto não
chega a ser surpreendente o flerte com o choro e o samba em suas
composições. A mistura, nesse caso, é bem-vinda e natural. Autor de
músicas bem-humoradas como “Estrela do baião” e “Coração bandoleiro” (esta
com Beto Moura), Salles tem a voz tosca dos cantadores, que cai muito bem
nas canções escolhidas como a inédita “Volta morena” (João Lyra e Paulo
Cesar Pinheiro), “Cidadão” (Lúcio Barbosa) e “Óios redondos” (Patativa do
Assaré e Téo Azevedo). Destaque também para o pot-pourri de Gordurinha.
Grupo que foi mais longe na onda do forró universitário, o Falamansa, em
“Um dia perfeito” (Deckdisc), mantém a mesma fórmula de letras bobas e
melodias fáceis. Mesmo assim, cabe no repertório algumas boas canções como
“Roendo a unha”, de Luiz Gonzaga e Luiz Ramalho, música que fez sucesso na
voz de Elba Ramalho nos anos 80. Mas é tudo um pouco quadrado, padronizado
mesmo.
Já os três melhores sanfoneiros do Brasil ganharam uma embalagem de fino
trato para o seu encontro inédito. “Cada um belisca um pouco” (Biscoito
Fino) reúne Sivuca, Dominguinhos e Oswaldinho em repertório de tirar o
fôlego. A idéia do produtor José Milton foi mostrar que pelo fole da
sanfona — considerada por muitos um instrumento menor, restrito à música
nordestina — passam diversos instrumentos. Tanto solando quanto no
acompanhamento, os três dão aulas de improviso em canções definitivas como
“Feira de mangaio” (Sivuca e Glorinha Gadelha), “Eu só quero um xodó”
(Dominguinhos e Anastácia), “Baião” (Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira) e a
que dá nome ao CD, parceria de Oswaldinho e Paulo Nascimento. É disco para
quebrar rótulos, preconceitos e facilitar a compreensão da riqueza da
nossa música popular.
(©
O Globo)
Cantor lança em CG álbum que reverencia ritmos nordestinos
ANDRÉ DE SENA
Um dos melhores lançamentos de CD do Maior São João do Mundo acontecerá
hoje à noite, com o show do cantor, violeiro e agora rabequista Beto
Brito, no palco principal do Parque do Povo. Beto Brito, um piauiense
radicado em João Pessoa há mais de duas décadas, estará lançando Mei de
Feira, seu sexto álbum, gravado e mixado no Rio de Janeiro pelo competente
Carlos Trilha, que trabalhou junto com Renato Russo (atualmente, com a
cantora Ana Carolina) e consegue extrair de instrumentos típicos como a
zabumba e as alfaias, uma sonoridade marcante.
Recheado de cocos, xotes, baiões e emboladas, as treze faixas de Mei
de Feira provam que um bom arrastapé também pode ser feito com letras
inteligentes. O álbum é, a um só tempo, lírico e popular, brejeiro e
inovador, com um pé na tradição e outro no presente. Ao longo de vários
anos fazendo shows por todo o País, Brito já se consolidou como um dos
melhores artistas populares da Paraíba, dividindo com freqüência o palco
com veteranos como Marinês (sua “madrinha musical”), Si-vuca, Trio
Nordestino, Domin-guinhos, entre outros vários.
O artista acaba de chegar de uma temporada no Rio de Janeiro, onde
lançou primeiramente o CD Mei de Feira. Nas duas noites de lançamento
oficial, na casa de espetáculos Ballroom, convidou vários artistas para
dividir o palco. Na primeira, Marinês, Amelinha e Renata Arruda; na
segunda, Escurinho, Chico César, As Parêa e Totonho e os Cabra – em suma,
uma grande festa paraibana na terra de Tom Jobim.
Em Mei de Feira, Beto Brito apresenta pela primeira vez, o resultado
de seus estudos com instrumentos de arco. Violonista desde a juventude,
ele decidiu estudar música clássica e viola com o maestro da Orquestra
Sinfônica da Paraíba, Luís Carlos Durier para, posteriormente, empunhar a
rabeca sertaneja. “Fui do clássico ao popular. Acredito que um sempre
aprende com o outro”, explica-nos o artista. A faixa 10, “Fuá de Rabeca” é
totalmente instrumental, capitaneada pela rabeca de Beto Brito, feita por
ninguém menos que Mestre Salustiano, uma referência da área, que também
foi seu professor. O comprometimento com a cultura popular também fez do
cantor um conhecido cordelista. No CD Mei de Feira, que é na verdade uma
homenagem e uma reminiscência do período em que Brito era vendedor em
feiras populares, também vem encartado um cordel homônimo.
(©
Jornal da Paraíba)
O músico que esculpe o vento
João Pimentel
Quando tinha apenas 20 anos, o flautista e saxofonista Carlos Malta e um
grupo de amigos resolveram fazer uma visita a Hermeto Pascoal e à sua casa
no bairro Jabour, próximo a Bangu. Com o instrumento embaixo do braço,
entrou, assistiu ao ensaio da banda, que na época contava com nomes como o
pianista Jovino Santos Neto e o baixista Itiberê Zwarg e, no fim do dia,
foi convidado a se juntar ao grupo. Ali começava um aprendizado que durou
12 anos e deu a Malta a base para se tornar um dos principais
instrumentistas brasileiros. Da mesma forma que um dia saiu da banda de
Hermeto, Malta agora está deixando a banda de Gilberto Gil. Mas não à toa.
O Escultor do Vento, como é conhecido, resolveu investir em projetos como
o grupo Pife Muderno, que completou dez anos e, neste domingo, estará se
apresentando na França, no 14 Festival de Pífanos de Garone, em Saint
Pierre D'Aurilac.
— Essa história é muito bacana. Tenho um amigo, Adail Viveiros, que também
toca pífano e é pesquisador. Ele descobriu que existia esse festival e
mandou o nosso disco — conta Malta. — Eles ficaram loucos, porque
desconheciam o nosso som. Eles não têm idéia que existe, por exemplo, a
Banda de Pífanos de Caruaru. Este instrumento é tocado lá em outro
contexto, em bandas militares, por exemplo.
Autodidata, Malta desde cedo sabia que seria músico. Mas recusou o
primeiro instrumento que ganhou, uma flauta doce:
— Achei sem graça, por isso acabei me interessando por outros instrumentos
de sopro como o próprio pífano e suas variações. Quando eu tinha 15 anos,
meu pai me deu uma flauta transversa. Com duas semanas, eu ganhei um
prêmio de melhor instrumentista no Colégio Aplicação, organizado pela
turma do Casseta — diz. — Era um júri que tinha Gonzaguinha e Robertinho
do Recife. Com o dinheiro paguei as últimas prestações do instrumento.
Antes do encontro com Hermeto, o músico acompanhou Maria Creusa, Antônio
Carlos e Jocafi e Johnny Alf. Já nessa época participava de trabalhos
pessoais em grupos como o Vila Velha e o Sopro e Cordas.
Mas foi lá nas bandas de Bangu que ele amadureceu como músico.
Acompanhando o ritmo incessante do Bruxo, Malta descobriu que a música
permitia infinitos caminhos.
— Foi a minha fase de amadurecimento. Imagina, de repente eu estava
tocando com todos os caras em quem me espelhava. Durante 12 anos o Hermeto
escrevia para eu executar. E as coisas mais diversas, como música de
câmera, baião, etc.
Como a viagem diária para Bangu era cara e cansativa, a solução foi se
mudar para o subúrbio, na época ainda um lugar tranqüilo.
— Márcio Bahia (baterista do grupo) saía todo dia de Niterói e me
pegava no Flamengo para irmos para o Jabour. Perdíamos muito tempo e
gastávamos muita grana com gasolina. Então resolvemos alugar uma meia-água
lá. Foi um tempo bacana. Nessa época eu conheci a minha mulher. Ela foi
morar comigo e nossas filhas nasceram suburbanas — conta. — Eu e Márcio
brincávamos com essa história. Enquanto todos os nossos amigos iam para
Boston, estudar na Berklee, nós fomos para Bangu.
E aqueles dois músicos que já acordavam tirando sons de seus instrumentos
chamaram a atenção da vizinhança:
— Quando chegamos por lá, acho que eles estranharam. Mas depois
estabelecemos uma relação engraçada. Eu ficava estudando, repetindo as
seqüências, e eles achavam que eu não sabia tocar. Lembro-me que o lixeiro
um dia passou em frente à minha casa e falou com o seu João, um vizinho:
“Um dia ele aprende”. Pouco tempo depois, convidei os dois para assistirem
a um ensaio na casa do Hermeto. Eles ficaram impressionadíssimos com o som
que fazíamos.
Malta deixou a banda de Gil em busca de liberdade
Com Hermeto, Malta viajou o mundo todo e comungou alguns ideais musicais:
— Ele sempre teve a coisa do palco livre, de que a música é um somatório e
quanto mais, melhor. Eu levo isso comigo sempre.
Dividido entre o trabalho com Gilberto Gil e seus projetos, Malta resolveu
investir na liberdade:
— Fiz os últimos quatro discos do Gil. Adoro aquele trabalho, o clima da
banda, mas me incomodava eu não ser dono do meu tempo. Eu não poderia me
programar para nada. Fui convidado para ser jurado de um festival de jazz
latino na Espanha e em Cuba. Eu jamais poderia aceitar se eu estivesse
ligado à banda.
Apaixonado pela profissão, Carlos Malta ainda encontra tempo para dar
aulas de sax e de música. Mas, assim como foi um músico dedicado de
Hermeto Pascoal, ele só dá aula aos que chama de discípulos:
— Só ensino quem vejo que tem a mesma paixão que eu, quem sei que vai ter
uma relação de troca.
(©
O Globo)
Uma tradução da tradição musical
Músico bebe na fonte do popular para
criar o novo Júlio Cavani
Da equipe do DIARIO
Existem os grupos de
cultura popular, formados espontaneamente nas comunidades com tradição
passada de pai para filho, e os músicos que se apropriam dessa raiz para
desenvolvê-la, fazendo experimentações e criando uma obra própria e moderna,
como já fizeram Mestre Ambrósio, Chão e Chinelo, Antônio Nóbrega, Silvério,
Comadre Fulozinha e agora José Henrique Neto, que adotou o nome artístico
Tiné para lançar seu primeiro disco Segura o Cordão. Ele viveu 80% de sua
vida no Recife, estudando em colégios de classe-média, mas dá mais
importância aos 20% que passou nos municípios sertanejos de São Domingues e
Arcoverde, onde nasceu e de onde tira a matéria-prima fundamental de sua
música. Nesse CD, ele não tenta reproduzir o som, por exemplo, do Samba de
Coco Raízes de Arcoverde, pois soaria falso, mas bebe dessa fonte para
construir o novo.
O nome Tiné homenageia um tio-avô do músico, um contador de histórias que
é o último sobrevivente do bando de Lampião. Antes de elaborar esse projeto
solo, Neto já havia tocado com Maciel Salu, Renata Rosa e com sua antiga
banda Mãe Joana. Além deles, Segura o Cordão tem participação de Siba,
Comadre Fulozinha, Cila do Coco, Urêia (Eddie) e do Raízes de Arcoverde,
entre outros músicos. A maioria das letras e melodias é assinada por Tiné (o
sobrinho), que convidou o parceiro Caçapa (do Chão e Chinelo) para compor os
arranjos. Segundo a dupla, o processo de produção desse disco foi bem
diferente do comum, pois as canções e partituras foram escritas antes de
serem tocadas em shows, sendo escutadas apenas na hora da gravação.
Ao longo do CD, é possível reconhecer a presença principalmente do coco,
baião, chorinho, aboio e viola sertaneja, mas em poucos momentos de forma
explícita. Mesmo quando reconhecíveis, esses gêneros são tocados de uma
forma inédita, pois em nenhum momento foram usados instrumentos como surdo,
alfaia, pandeiro (exceto em duas faixas), sanfona ou zabumba, para citar
exemplos mais comuns na música regional. A configuração instrumental dos
arranjos, segundo Caçapa, é toda baseada na formação do Coco Raízes de
Arcoverde, com o acréscimo de cordas (bandolim, violas e cavaquinho), mais
relacionadas ao baião de viola e ao choro.
REPERTÓRIO - Caçapa, quando recebeu o convite para arranjar o disco, não
conhecia Tiné tão bem e precisou descobrir suas referências para adaptá-las
as músicas. Uma das três únicas que não tem letra do compositor é O Pato,
famosa na voz de João Gilberto, de autoria de Neuza Teixeira e Jaime Silva,
que originalmente era uma bossa nova. Na versão de Segura o Cordão, Tiné
transforma a canção em um diálogo travado entre ele e Maciel Salu e a
converte em um choro de viola com batucada de samba, "do jeito que Jackson
do Pandeiro tocaria João Gilberto".
Algumas músicas, como Vento Corredor e Lula Calixto, possuem uma melodia
baseada na musicalidade do samba de coco, mas cantada de forma mais suave,
disfarçando essa origem mas mantendo-a viva. O Calixto do título da segunda,
que morreu um dia depois de conhecer Tiné, é o fundador do Raízes de
Arcoverde, cujos integrantes tocam na faixa Festa no Coco, a única que
reproduz o estilo do grupo.
Além de O Pato e Festa no Coco, a instrumental Almu'addin também não se
baseou na parceria Tiné-canção/Caçapa-arranjos, pois foi composta pelo
baixista Hugo Lins, apesar de se encaixar perfeitamente no estilo do disco,
misturando violas com uma percussão de cavalo marinho, criando uma evolução
que lembra bastante certas obras de Tom Zé. A canção-título também foge do
esquema, porque foi criada nas gravações, na base do improviso.
Um Vento Só é cantada de forma um pouco atropelada, para lembrar uma
embolada. Num detalhe, um locutor faz o paralelo entre o improviso musical e
a narração futebolística. " O arranjo, entretanto, valoriza mais o violão e
faz uma leve referência aos emboladores, pois vale lembrar que Segura o
Cordão não é um disco de coco, baião, samba ou outro ritmo , apesar de
conter todos eles em sua receita.
Serviço
Segura o Cordão, disco de Tiné
Quanto: R$ 10,00
Informações: 8841.9915
(©
Pernambuco.com)
Santanna faz do abraço a ideologia do gênero forró
Músico cearense diz que ritmo aproxima as
pessoas Júlio Cavani
Da equipe do DIARIO
Diferente do Carnaval, quando os mesmos frevos clássicos continuam
sendo os mais tocados na maioria das troças há mais de uma década, o São
João sempre renova seu repertório, em parte graças a fenômenos como
Santanna, o Cantador. Pelo terceiro ano consecutivo, este cearense que
conquistou Pernambuco é escalado como atração principal de cidades como
Caruaru, onde ele toca quarta, sendo também o garoto-propaganda da festa que
se diz a maior do Mundo. Em julho, ele ganha destaque no Festival de Inverno
de Garanhuns, além de tocar em Campina Grande e no Circuito do Frio de
Triunfo.
Santanna não encara o forró apenas como um
ritmo musical e faz do gênero um porta-voz de uma ideologia. Segundo ele,
"as pessoas dançam abraçadas e o abraço é a nossa cultura. A solidão causa
depressão, mas no forró ninguém fica sozinho. É o único tipo de música que
eu conheço que agrade a todas as faixas etárias e que não combina com nenhum
tipo de droga." O Cantador realmente faz sucesso em todas as classes
sociais, provando que os grupos estilizados ainda não dominaram o mercado.
SUCESSO - Lançado há um mês, seu novo disco Forró de Bem-Querer, com
composições de autores antigos e contemporâneos ("a vanguarda e a jovem
guarda"), já teve mais de 50 mil cópias vendidas, número que deve dobrar até
o fim de junho por causa do São João. Ele ainda se prepara pra gravar o
primeiro DVD, com o registro de um show e entrevistas. Cearense, ele diz que
lançou sua carreira estrategicamente em Pernambuco, pois sabia que daqui
seria mais fácil se espalhar pelo País e pelo Mundo. "Joguei uma pedra nesse
rio e a água está se espalhando ao redor dela. Tenho uma legião de fãs no
Rio Grande do Sul e até nos Estados Unidos minha música toca".
A opção em evitar instrumentos elétricos também
tem uma intenção tão ideológica quanto estética. "Tento modernizar nosso
forró com os instrumentos que lhe são constituintes. O rock não precisou se
misturar com outras coisas para ganhar o mundo", compara, lembrando que
nenhuma banda norte-americana é chamada deradical por se restringir ao
baixo, bateria e guitarra, e que o mesmo tratamento não é dado a um grupo
nordestino que use apenas percussão e sanfonas. "Uso três sanfonas nas
minhas músicas. Uma faz a função que teria um baixo, a outra substitui a
guitarra e a terceira fica com os detalhes. É aí que está meu
experimentalismo, sem precisar importar instrumentos de outras culturas",
defende, lembrando que não tem preconceito e até gravaria um aboio com
guitarra, mas prefere continuar como está.
Serviço
Forró do Meu Bem-Querer, CD de Santanna, o Cantador
Gravadora: Atração
Preço médio: R$ 9,00
(©
Pernambuco.com)
| Forró será tema de
vídeo na Espanha |
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Produzido por cineastas de Vigo, na região
da Galícia, Na Busca do Forró aborda aspectos culturais e turísticos
MARCOS TOLEDO
Enquanto boa parte da população do Estado e turistas
aproveitam as festividades juninas, um trio que veio da Europa já
está de olho no São João do ano que vem. Os produtores de
audiovisual Ricardo Spencer, Isaac Gonzalez Carrera e Daniel Froiz
pesquisam os mínimos detalhes da maior festa nordestina visando à
realização do vídeo Na Busca do Forró.
Recifense, filho do cineasta Fernando Spencer, Ricardo vive há 12
anos na cidade de Vigo, na Galícia, uma das regiões da Espanha, para
onde levou sua firma SFX, especializada em efeitos especiais – aqui,
foi responsável pelos efeitos do vídeo Enjaulado, de Kleber
Mendonça Filho, entre outros.
Na Escola de Imagem e Som, em Vigo, onde ministra aulas de
espetáculo, cenografia e maquiagem, Ricardo conheceu Isaac, que foi
um de seus alunos. Numa conversa com o colega pernambucano sobre o
forró, Isaac ficou fascinado pelo tema e se interessou em produzir
um trabalho sobre o ritmo, o São João e a cultura nordestina.
Dono da Mass Visual, Isaac convidou ainda Daniel, com quem havia
trabalhado em outras produções para, juntos, montarem uma equipe com
o objetivo de realizar o documentário Na Busca do Forró. No
último dia 15, o trio desembarcou no Recife para apurar as primeiras
informações e captar algumas imagens que farão parte do projeto a
ser apresentado aos parceiros e possíveis patrocinadores. “Parte das
imagens coletadas certamente serão aproveitadas”, afirma Isaac.
Nesta primeira estada em Pernambuco, o grupo visitou locações
como Pátio de São Pedro, Sítio da Trindade, Casa da Cultura, Marco
Zero e Sala de Reboco, além de acompanhar a Saída da Bandeira
(Centro), todos no Recife, Olinda e algumas praias do sul do Estado,
para observar o aspecto turístico, outro enfoque da produção, a
feira e o pátio de eventos de Caruaru, e o Trem do Forró. O trio
retorna amanhã para Vigo.
(©
JC Online)
Projeto prevê
outros capítulos sobre as tradições brasileiras
O documentário Na Busca do Forró ainda está na fase de
pré-produção, mas os produtores Ricardo Spencer, Isaac Gonzalez e
Daniel Froiz já o apresentam como o primeiro de uma série que deve
abordar vários aspectos da cultura brasileira, em especial a
nordestina. “Seis capítulos já estão definidos”, fala Ricardo. “A
idéia é fazer dez ou 12.”
Em fevereiro de 2005, antes mesmo de rodar o episódio do forró, o
grupo pretende voltar ao Estado para produzir o segundo vídeo, sobre
o Carnaval de Olinda e do Recife. Os outros tema já previstos são as
tradições do interior, o cangaço, raízes africanas no Brasil (a
partir do Carnaval da Bahia) e os folguedos do Norte e de Estados
nordestinos como o Maranhão e o Ceará.
No capítulo de estréia, um turista galego – provavelmente vivido
pelo ator Toñito de Poi – chega ao Recife para descobrir o São João
e vai até Caruaru. “Queremos promover a cultura nordestina na
Espanha”, explica Ricardo. De acordo com Isaac, ainda hoje a imagem
que se tem do Brasil por lá resume-se a futebol, samba, mulata,
caipirinha, Amazônia e, “para os mais cultos”, Lula.
Sem preconceito, Na Busca do Forró abordará tanto o lado
tradicional quanto o estilizado do forró. Os produtores notam que as
pessoas de ambos os aspectos são influenciadas por uma função
social.
(©
JC Online)
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