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Revolução Praieira de volta às prateleiras

05-06-2008

Área de abrangência d´"A Praieira"

 

Augusto Pinheiro
Da equipe do DIARIO

   O historiador pernambucano Amaro Quintas, que morreu em 1998, ganha hoje homenagem póstuma com o lançamento da reedição de seu livro O Sentido Social da Revolução Praieira (Atlântica Editora), na livraria Arraial, na Tamarineira.

   "O grande mérito da obra é abordar o lado social da revolução. Até então só se via o lado político, como a reivindicação de mudança na Constituição e a luta entre os partidos Conservador e Liberal. Amaro viu mais além, apontou a questão da divisão da terra em uma estado dominado pelos latifúndios", explica o historiador Mário Márcio de Almeida Santos, 76 anos, que foi aluno e amigo de Amaro Quintas.

   A Revolução Praieira foi um levante armado em Pernambuco, iniciado por grupos políticos conservadores e liberais, que durou cinco meses (1848-1849) e cujas principais reivindicações eram o voto livre e universal, a liberdade de imprensa e o direito ao trabalho.

   "Amaro aborda ainda a figura do jornalista e filósofo Antônio Pedro de Figueiredo, que fez os primeiros estudos no Brasil sobre os males do latifúndio no País. Era um mulato, muito jovem, que realizou essa audácia em uma sociedade escravocrata. As suas críticas eram muito bem-feitas e até hoje são atuais", diz Mário.

   Durante as pesquisas para o livro, Amaro deparou-se com a revista Progresso, para a qual Antônio Figueiredo escrevia, e editou um livro com os volumes da revista em 1948 -nas comemorações do centenário da revolução. Segundo Mário, a revista Progresso foi a primeira publicação no Brasil de cunho literário e sociológico.

   RIGOR - Para a escritora Fátima Quintas, filha do autor do livro, lançado originalmente em 1967, a reedição é de extrema importância para a historiografia brasileira e, em particular, para o estudantes de história. "Meu pai foi um pesquisador incansável. Realizava estudos sistemáticos e profundos, com uma metodologia rigorosa. Ele não tinha uma visão apenas descritiva da história, mas contextualizada e interpretativa", diz Fátima, que afirma se sentir honrada com a homenagem. "Acho ótimo porque écomum haver esquecimento dos grandes ícones, o próprio tempo faz isso".

   Fátima ressalta a iniciativa do editor francês Jean-Louis Peytevin, da Atlântica Editora, do Rio de Janeiro, de resgatar a obra. "Ele sabe da importância fundamental da publicação e vem valorizando os autores nordestinos", diz. O livro, com prefácio do historiador Nelson Saldanha, tem 168 páginas e custa R$ 32,00.

Serviço

Lançamento de O Sentido Social da Revolução Praieira
De Amaro Quintas
Quando: hoje, às 19h30
Onde: Livraria Arraial (estrada do Arraial, 2.350, Tamarineira, tel. 3269-8330)

(© Pernambuco.com)

 

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