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Longa-metragem Cinema, Aspirinas e Urubus, de Marcelo Gomes (acima), e
o curta Vinil Verde, de Kleber Mendonça Filho (ao lado com a equipe)
representam o Brasil no festival francês, em maio É a primeira vez na história que o cinema pernambucano participa de Cannes dentro das quatro principais mostras que compõem o festival, e logo com dois filmes. Um outro longa de realizador nordestino também está no Un Certain Regard – Cidade Baixa, do baiano Sérgio Machado, que dirigiu há três anos o documentário Onde a Terra Acaba. Cidade Baixa narra um triângulo amoroso entre uma prostituta e dois amigos. Aos 36 anos de idade, Sérgio Machado se anima com possíveis portas abertas. “A coisa que mais gosto de fazer é filmar, e imagino que Cannes possa contribuir para meu próximo filme”, diz. O filme de Marcelo Gomes é uma história sobre a amizade que surge entre dois homens de culturas completamente diferentes. O diretor conta que o argumento do longa surgiu de uma conversa entre ele e seu tio Ranulpho Gomes, um paraibano que, nos anos de 1940, depois de enfrentar secas contínuas, decidiu migrar para o Sudeste brasileiro, onde esperava encontrar uma perspectiva de vida melhor. No filme, em sua jornada, Ranulpho conhece o alemão Johann, que também havia migrado, fugindo de seu país antes mesmo que este fosse consumido pela Segunda Guerra Mundial. Johann viaja pelo Brasil como caixeiro viajante, vendendo “a cura para todos os males”: a Aspirina. Em uma de suas viagens pelo sertão nordestino, seu caminho cruza com o de Ranulpho. É desse encontro, dessa viagem compartilhada por esses dois personagens, que nasce Cinema, Aspirinas e Urubus, um filme que retrata o cotidiano dessa experiência, os encontros com outros viajantes, as conversas, os perigos, as ameaças e, finalmente, a construção de uma amizade entre pessoas de culturas tão diferentes. Rodado no sertão nordestino, o filme pode ser definido como um trabalho em que todos os recursos empregados estão em função dos personagens, da fotografia aos diálogos, passando pela direção de arte e trilha sonora. “É um filme de personagens, em que a câmera está o tempo todo à disposição deles”, explica Gomes. Cinema, Aspirinas e Urubus é uma co-produção da pernambucana REC Produtores e Dezenove Som e Imagens. O filme marca a estréia de Marcelo Gomes na direção de longa-metragens, sendo também o primeiro longa do fotógrafo Mauro Pinheiro Júnior e do ator João Miguel, que vive o sertanejo Ranulpho. A direção de Arte é de Marcos Pedroso (Bicho de Sete Cabeças, Madame Satã), a montagem da pernambucana Karen Harley (Janela da Alma) e a produção de João Vieira Júnior, Sara Silveira e Maria Ionescu. O filme está orçado em R$ 2,5 milhões, dos quais 60% foram arrecadados por meio de patrocínio do BNDES, Petrobras, Brasil Telecom e Companhia Energética de Pernambuco (Celpe). O filme tem o apoio do Governo de Pernambuco e da Prefeitura Municipal de Recife, por meio dos sistemas de incentivo à cultura locais. A Huberts Bals Fund, da Holanda, e a Global Foundation participaram dos processos de criação do roteiro e finalização do filme que no Brasil será distribuído pela Imovision. “Estou feliz por ser meu primeiro filme e por ser o primeiro filme de 70% das pessoas envolvidas com esse projeto”, disse Gomes, falando por telefone, ontem, de São Paulo. “De João Júnior, produtor, ao fotografo Mauro Pinheiro e os atores. Ter o filme numa mostra tão seleta significa ter excelente exposição, pois é a melhor vitrine do mundo para se ter um filme, e isso será importante para divulgar um longa que terá pouco dinheiro de divulgação.” EXPOSIÇÃO – Vinil Verde, de Kleber Mendonça Filho, um dos destaques do Cine PE: Festival do Audiovisual (encerrado ontem), é um filme experimental, rodado por meio de cerca de 500 fotografias e montado no computador. A edição – assinada por Daniel Bandeira e Mendonça Filho –, por sinal, é um dos trunfos do curta-metragem, cujo roteiro, escrito a quatro mãos pelo diretor e pela ucraniana Bohdana Smyrnova, é inspirado no conto russo As Luvas Verdes. Mendonça Filho acredita que a participação em Cannes se deu após a repercussão no festival de Tamtere, na Finlândia, considerado o terceiro maior da Europa. “Acordei ontem (segunda-feira) e tinha um e-mail solicitando agilizar o envio da cópia para exibição na Quinzena dos Realizadores”, afirma Mendonça Filho. “É muito importante. Toda fauna de cinema freqüenta essas mostras. A exposição é muito grande.” MAIS BRASILEIROS – Além dos longas-metragens Cinema, Aspirinas e Urubus e Cidade Baixa, e do curta Vinil Verde, outros dois curtas marcam presença na Riviera Francesa: O Lençol Branco, de Juliana Rojas & Marco Dutra, será exibido na Cinéfondation, competição da seleção oficial dedicada a filmes de estudantes, e Da Janela do Meu Quarto, de Cao Guimarães, que também participa da mostra paralela Quinzaine des Realisateurs ao lado do filme de Kleber Mendonça Filho. Serão, portanto, pelo menos cinco brasileiros em Cannes, representação que ainda pode aumentar com os anúncios completos das sessões especiais da mostra oficial e das seleções da Quinzaine e da Semana da Crítica, a serem feitos nos próximos dias. Nenhum filme brasileiro disputará a Palma de Ouro. A única produção latino-americana em competição é a mexicano Batalla en el Cielo, de Carlos Reygadas – que há dois anos participou da Quinzena dos Realizadores com Japão, seu filme de estréia. Cinco cineastas que já ganharam a Palma participam da competição: Lars von Trier (Manderlay), Wim Wenders (Don’t Come Knockin’), Gus van Sant (Last Days, recriação ficcional dos últimos dias de Kurt Cobain) e os irmãos Jean-Pierre & Luc Dardenne (L’Enfant). Outros habituées tentando a Palma são Jim Jarmusch, David Cronenberg, Hou Hsiao Hsien, Atom Egoyan, Michael Haneke e Amos Gitai (foram polêmicas as filmagens de Free Zone, de Gitai, no Muro das Lamentações, em Jerusalém). Na disputa, as maiores surpresas foram a escolha do primeiro filme do ator Tommy Lee Jones como diretor (The Three Burials of Melquiades Estrada) e uma produção iraquiana (Kilometro Zero, de Hiner Saleem). O filme de abertura será Lemming, de Dominik Moll (Harry Veio para Ajudar). Fora de competição estão Star Wars 3: A Vingança dos Sith e Match Point, primeira comédia de Woody Allen na Inglaterra. Chromophobia, de Martha Fiennes, encerra o festival, compensando por nenhum filme dirigido por uma mulher e nenhum inglês estarem competindo. (© JC Online) CINEMA PEDRO BUTCHER Dois brasileiros foram confirmados ontem na seleção oficial do Festival de Cannes, que começa no dia 11 de maio, na França. "Cidade Baixa", do baiano Sérgio Machado, e "Cinema, Aspirina e Urubus", do pernambucano Marcelo Gomes, serão exibidos na mostra paralela Um Certo Olhar. Também haverá três curtas: "O Lençol Branco", de Juliana Rojas e Marco Dutra, será exibido na Cinéfondation, competição da seleção oficial dedicada a filmes de estudantes, e a mostra paralela Quinzena dos Realizadores exibirá "Da Janela do Meu Quarto", de Cao Guimarães, e "Vinil Verde", de Kleber Mendonça Filho. Serão, portanto, pelo menos cinco brasileiros em Cannes, representação que ainda pode aumentar com os anúncios completos das sessões especiais da mostra oficial e das seleções da Quinzena e da Semana da Crítica, a serem feitos nos próximos dias. "A composição de Cannes é muito seleta e dá visibilidade mundial, o que é fundamental para um filme de baixo orçamento com atores desconhecidos como o meu", diz Gomes, 42. Machado, 36, anima-se com possíveis portas abertas. "A coisa que mais gosto de fazer é filmar, e imagino que Cannes possa contribuir para meu próximo filme", diz. Rodado no sertão, "Cinema, Aspirina e Urubus" fala da amizade entre um alemão e um pernambucano. Já "Cidade Baixa" narra um triângulo amoroso entre uma prostituta e dois amigos. Nenhum filme brasileiro disputará a Palma de Ouro. A única produção latino-americana em competição é o mexicano "Batalla en el Cielo", de Carlos Reygadas, que há dois anos participou da Quinzena dos Realizadores com "Japão", seu filme de estréia. Cinco cineastas que já ganharam a Palma participam da competição: Lars von Trier ("Manderlay"), Wim Wenders ("Don't Come Knockin'"), Gus van Sant ("Last Days", recriação ficcional dos últimos dias de Kurt Cobain) e os irmãos Jean-Pierre e Luc Dardenne ("L'Enfant"). Outros habitués tentando a Palma são Jim Jarmusch, David Cronenberg, Hou Hsiao Hsien, Atom Egoyan, Michael Haneke e Amos Gitai (foram polêmicas as filmagens de "Free Zone" no Muro das Lamentações, em Jerusalém). Na disputa, as maiores surpresas foram a escolha do primeiro filme do ator Tommy Lee Jones como diretor ("The Three Burials of Melquiades Estrada") e uma produção iraquiana ("Kilometro Zero", de Hiner Saleem). O filme de abertura será "Lemming", de Dominik Moll (de "Harry Veio para Ajudar"). Fora de competição estão "Star Wars 3: A Vingança dos Sith" e "Match Point", primeira comédia de Woody Allen na Inglaterra. "Chromophobia", de Martha Fiennes, encerra o festival, compensando por nenhum filme dirigido por uma mulher e nenhum inglês estarem competindo. (© Folha de S. Paulo) Nordeste à francesa Brasil fica de fora da seleção oficial de Cannes, mas participa de mostra paralela com dois longas regionais e um curta Carlos Helí de Almeida O Brasil ficou fora da competição pela Palma de Ouro de melhor filme deste ano, mas o país estará representado no Festival de Cannes por trabalhos de três jovens cineastas. Os longas-metragens Cinema, aspirinas e urubus, do pernambucano Marcelo Gomes, e Cidade Baixa, do baiano Sérgio Machado, foram selecionados para o Un Certain Regard, a principal mostra paralela do evento, que acontece entre os dias 11 e 22 de maio. O curta O lençol branco, dos paulistanos Juliana Rojas e Marco Dutra, disputará o prêmio da categoria na seção da Cinefundation. A seleção oficial de filmes foi anunciada ontem, em Paris, e revela uma presença marcante de autores consagrados (e até já premiados pelo festival) na competição principal, como Wim Wenders, Jim Jarmusch, Gus Van Sant, David Cronenberg e Lars von Trier. Este ano, as apostas em novos nomes ficaram concentradas no Un Certain Regard - 9 dos 15 títulos da mostra são de autoria de estreantes, como o brasileiro Marcelo Gomes. - Assistiremos ao retorno à competição de alguns dos grandes realizadores de nosso tempo. O Un Certain Regard está aí precisamente para abrir as portas de Cannes aos jovens cineastas - declarou Thierry Fremaux, diretor artístico do festival francês. Eu, tu, eles (2000), de Andrucha Waddington, e Madame Satã (2002), de Karim Ainouz, foram as duas últimas produções nacionais que participaram da prestigiosa mostra informativa. Curiosamente, Ainouz é co-roteirista de Cinema, aspirinas e urubus e de Cidade Baixa. Gomes e Machado foram co-roteiristas de Ainouz em Madame Satã. - Formamos uma espécie de triângulo amoroso do cinema - brinca Machado, que estreou no longa-metragem com o documentário Onde a terra acaba (2001), sobre Mário Peixoto. - Nós compartilhamos as mesmas idéias sobre cinema, o que eu acho muito saudável. Assim como Madame Satã, Cinema, aspirinas e urubus é um filme de personagens - compara Gomes que, por sua condição de estreante, é também candidato ao prêmio Câmera D'Or. Cinema, aspirinas e urubus se passa no sertão paraibano, nos anos 40, e descreve o encontro entre um sertanejo (João Miguel) que foge da seca e de um caixeiro viajante alemão (Peter Ketnath) que fugiu do clima opressor em seu país natal. O argumento nasceu de um relato do tio-avô do cineasta que, depois de enfrentar seguidas secas, decidiu migrar para o Sudeste. É um filme sobre amizade que tem nostalgia do sertão. - Eu nasci e cresci em Recife, mas sempre viajei pelo interior do Nordeste. Quando decidi fazer um filme ambientado nessa região, lancei mão dessa memória afetiva pelo sertão, que é uma visão muito pessoal - explica Gomes, que ganhou cancha dirigindo curtas como Maracatu, maracatus e Clandestina felicidade. O Nordeste de Cidade Baixa é urbano. O filme de Machado descreve a formação de um triângulo amoroso envolvendo dois golpistas e uma prostituta da Cidade Baixa, o subúrbio decadente de Salvador. (© JB Online) Festival volta a celebrar cinema autoral O filme de Sérgio Machado é protagonizado por Wagner Moura (Deus é brasileiro), Lázaro Ramos (Madame Satã) e Alice Braga (Cidade de Deus). Nadinho (Moura) e Deco (Ramos) se conhecem desde pequenos e ganham a vida aplicando golpes a bordo de um barco a motor. Fogem para Salvador depois de uma briga durante uma rinha de galos e lá reencontram Karinna (Alice), uma stripper a quem haviam dado carona. Aí começa um relacionamento doentio que os leva a um cenário de violência e morte. - Acho que Cidade Baixa é um parente de Madame Satã. É uma história visceral, ousada, que fala sobre gente, não tem nenhuma pretensão social. É feito de planos fechados, centrado nos personagens - descreve o diretor, que pretende lançá-lo em circuito comercial em agosto. Os brasileiros disputaram as atenções com poucos diretores estabelecidos, como o francês François Ozon (de Swimming pool), que exibirá Le temps qui reste, e o coreano Kim Ki-duk, que mostrará Hwal. Por outro lado, a competição principal será decidida entre 20 produções, entre as quais apenas uma é de autoria de um estreante, The three burials of Melquiades Estrada, dirigida pelo ator Tommy Lee Jones. Ao contrário do que se especulava, o filme de abertura não será mais Guerra nas estrelas: episódio III - A vingança dos Sith. O privilégio foi passado a Lemming, do francês Dominik Moll, que concorreu em 2000 com o thriller Harry, o amigo que veio para ajudar. Talvez em função da ameaça da pirataria, o episódio final da saga criada por George Lucas, com estréia mundial marcada para a semana do dia 20, ganhará uma projeção especial em Cannes em data a ser anunciada. No ano em que Cannes volta a celebrar o cinema autoral, serão revelados os novos trabalhos de veteranos como David Cronenberg (A history of violence), Wim Wenders (Don't come knockin), Michael Haneke (Cache), Gus van Sant (Last days, Jim Jarmusch (Brokien flowers), Amos Gitai (Free zone), Atom Egoyan (Where truth lies), Hou Hsiao-Hsien (The best of our times), e Lars von Trier (Manderley, a segunda parte da trilogia americana iniciada com Dogville). Batalla en el cielo, do mexicano Carlos Reygadas, é o único latino-americano que concorre à Palma de Ouro. - Percebemos o retorno de um certo classicismo, dos grandes autores - disse Thierry Fremeaux, ao anunciar a seleção de filmes. Apesar da ligeira inclinação do festival para os lados do circuito de arte, não faltarão grandes estrelas em Cannes. Bruce Willis, Clive Owen e Elijah Wood estão no elenco de Sin City, de Robert Rodriguez e Frank Miller, um dos filmes mais aguardados do ano, selecionado para a competição oficial. A jovem Scarlet Johansson, estrelinha que brilhou em Encontros e desencontros, de Sofia Coppola, e Moça com brinco de pérolas, de Peter Webber, está em Match point, de Woody Allen, que será exibido hors concours. (© JB Online) "Filme fala da compreensão do outro", diz brasileiro selecionado para Cannes
THIAGO STIVALETTI
(© UOL Cinema) "'Cidade Baixa' aborda possibilidade do triângulo amoroso", diz diretor; leia entrevista
THIAGO STIVALETTI
(© UOL Cinema) |
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