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Quinteto grava DVD em São Paulo

Quinteto Violado
 

Conjunto concretiza o sonho de registrar durante show, no Sesc Vila Mariana, seu novo espetáculo, "Peba na Pimenta", com participações especiais

MARCOS TOLEDO

   Pela segunda vez seguida, São Paulo serve de palco para a gravação de DVD de um grupo pernambucano. Depois dos Devotos, que registraram os shows de sexta-feira e sábado passados, no Sesc Pompéia (confira na matéria abaixo), com vários convidados, hoje é a vez do Quinteto Violado. O conjunto grava, no Sesc Vila Mariana, seu novo espetáculo, 5 Peba na Pimenta, também com participações especiais.

   A gravação de um DVD é um objetivo de pelo menos dois anos do Quinteto Violado, desde o concerto que marcou os 30 anos de existência do grupo. Segundo o contrabaixista e cantor Toinho Alves, houve um impasse com a equipe de produção do vídeo, que impossibilitou o registro do show de aniversário.

   Para essa nova tentativa, o Quinteto montou um novo espetáculo abordando – não apenas nas canções – o tema que conhece como poucos: o da música popular nordestina. Para isso, convidou o poeta Xico Bezerra, que conta em seis poemas o valor da banda e apresenta seus componentes, e o artista plástico Manuel Dantas Suassuna, que assina o cenário.

   O repertório, que conta com mais de 18 canções – de autoria do grupo e de nomes como Mestre Salustiano, Luiz Gonzaga, Zé Dantas, Humberto Teixeira, Jackson do Pandeiro, Chico César, Geraldo Vandré e Geraldo Azevedo –, tem como ponto de partida a música Peba na pimenta (João do Vale, João Batista & Rivera). “Traçamos um paralelo entre a música e a culinária”, explica Toinho, por telefone, logo após conceder entrevista em uma rádio paulistana na qual Geraldo Azevedo participou, também por telefone, cantando uma música com os violados.

   Ainda na entrevista – transmitida também pela internet –, Geraldo lembrou da época em que participou com o Quinteto de programas da TV Jornal do Commercio, como o Bossa Norte. “A gente sempre teve um trabalho paralelo muito próximo”, falou o cantor durante a entrevista.

   A escolha do repertório do show do Quinteto, lembra Toinho, ocorreu por meio de uma pesquisa no JC OnLine, após uma triagem prévia da banda, que escolheu pouco mais de 100 composições entre as duas mais de 300 já gravadas. Para o baixista, é difícil resumir a carreira em menos de 20 canções. “Mas é um repertório representativo”, diz. Entre os temas, está Vou amar, composição de Toinho com J. Raposo, jornalista que morreu há menos de duas semanas num acidente de carro, no interior de Pernambuco e, certamente, será homenageado pelo grupo.

   PARCERIAS – Na apresentação do Quinteto Violado participam os músicos e amigos Chico César, Dominguinhos, Geraldo Azevedo, Pedro Salu, Ivaldo Bertazzo e o Grupo Dança Comunidade. O DVD, cuja produção conta com oito câmeras, tem seu lançamento previsto para junho.

(© JC Online)


Sampa também é locação para Devotos

   Em turnê em São Paulo, os Devotos Cannibal (baixo e voz), Neilton (guitarra) e Cello Brown (bateria) gravaram, sexta-feira e sábado passado, no Sesc Pompéia, uma série de jam sessions que fará parte do primeiro DVD do grupo. O vídeo, que deve ficar pronto no fim do ano, contará a trajetória de quase duas décadas dos filhos ilustres do Alto José do Pinho.

   Por telefone, o baixista explicou que o projeto é maior do que um simples DVD musical. “É um documentário com imagens desde o primeiro show, no 3º Encontro Antinuclear, que ocorreu na Academia Sino-Brasileira, na Avenida Conde da Boa Vista, em 1988.” Além desse primeiro registro, há gravações de shows com participações de Faces do Subúrbio e Nação Zumbi, no Alto, e de apresentações em outros Estados.

   Cannibal explica que as gravações no Sesc Pompéia foram planejadas para incluir no documentário as participações especiais de artistas que vivem no Sudeste do País, como Pitty, Edgard Scandurra (Ira!), Clemente (Inocentes), Redson (Cólera) e Rappin’ Hood. Edgard não participou, mas apareceram o ex-guitarrista de Pitty, Peu (que agora toca com Defalla), o cantor e baixista Luís Trunderbird, e o guitarrista Luís Carlini (Tutti-Frutti). “Esses convidados são gente que influenciou a banda. E gente que influenciamos, como a própria Pitty.”

   O guitarrista Clemente cantou e tocou A vida que você me deu, do segundo disco dos Devotos, e Desequilíbrio, dos Inocentes, Pitty interpretou Faz parte do cotidiano (faixa do terceiro CD dos Devotos, Hora da Batalha, na qual ela participa) e a sua I wanna be. Carlini acompanhou Eu tenho pressa, Peu foi de Pra aliviar, Thunderbird tocou baixo e cantou Gibi, Ramones e Motorhead, de sua banda, a Devotos de Nossa Senhora Aparecida, e o guitarrista Redson cantou e tocou duas canções da Cólera, Pela paz em todo o mundo e a clássica Que vergonha.

   O mesmo Redson, Thunder e Rappin’ Hood participaram da música Hora da Batalha. No fim, todos subiram para cantar o ‘hino’ dos Devotos, Punkrockhardcore. Além das performances no palco, também foram registrados os encontros nos bastidores. A direção é de Helga Simões, ex-diretora do programa Metrópolis (TV Cultura), agora na ESPN.

   Em 14 de maio, o Devotos apresenta-se no 4º Festival de Música de Utucaram, em Nazaré da Mata, interior de Pernambuco. (M.T.)

(© JC Online)


Grupo pernambucano utiliza regionalismo e dança nas apresentações do Sesc, em que gravará seu primeiro DVD

Em shows, Quinteto Violado recita poesia musicada

JANAINA FIDALGO
DA REDAÇÃO

   A poesia do recifense Xico Bizerra, musicada por João do Vale, é a linha mestra do Quinteto Violado no show que os músicos pernambucanos mostram no Sesc Vila Mariana.

   Nesse "caldeirão nordestinês", há espaço para a tradição brincante de Pedro Salustiano, a beleza do trabalho sócio-corporal de Ivaldo Bertazzo e seus meninos-bailarinos, as canções de Luiz Gonzaga e outras participações.

   Tal "sustança" serve de cenário para a gravação do primeiro DVD do grupo, há 34 anos na estrada. Da formação original, restam o baixista Toinho Alves e o violonista Marcelo Melo. Completam o quinteto Dudu Alves, Ciano Alves e Roberto Medeiros. "Temos a vivência nessa identidade cultural do Nordeste. O Xico Bizerra, um amigo poeta, escreveu um texto fundamentado nas histórias dos cinco pebas que descreve a história da gente", diz Melo, 59.

   Os traços regionais do Quinteto Violado são expressos até no nome do show ("5 Peba na Pimenta"). A explicação de Melo: "O peba é um animal [espécie de tatu] da região com o qual se faz um prato muito gostoso".

   Com esse gancho, transformado num xote que mistura a musicalidade de João do Vale à dissertação poética do Xico Bizerra, o Quinteto Violado mostra seus xotes, baiões, frevos e maracatus. O repertório traz "Pimenta na Brasa" e "Primeira Manhã" (Alceu Valença). E, como não poderiam faltar, canções de Gonzaga ("Pau de Arara", "Acauã"). "Gonzaga foi o mestre que pautou não só o Quinteto Violado, mas todo compositor nordestino", avalia Melo.

   O lúdico surge no cavalo-marinho (folguedo de ritmo acelerado que lembra o bumba-meu-boi) do rabequeiro Pedro Salustiano, preparado com Ivaldo Bertazzo.
"Existe uma chamada da abertura do cavalo-marinho que tem um ritmo muito específico, o mergulhão. É praticamente a dança de convite que os brincantes fazem a todos que vão participar do brinquedo e ao público que está assistindo. É uma dança bonita".

(© Folha de S. Paulo, 11.04.2005)

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