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JOSÉ TELES Dizia-se nos anos 70 que a única saída para a MPB era o aeroporto. Em 2005, o aeroporto tornou-se a melhor opção para o músico brasileiro. Ao menos àquele que não se rendeu ao popularesco ou ao ritmo de ocasião. Nunca houve tantas bandas e cantores em terras européias quanto nos últimos cinco anos. Só de Pernambuco estarão cruzando as estradas do continente nos próximos meses: Nação Zumbi, DJ Dolores, Santanna O Cantador, Lenine, Siba e a Fuloresta do Samba, Batuque Usina, Spok Frevo Orquestra, Heleno dos Oito Baixos e Silvério Pessoa, que inicia na semana que vem a quinta turnê ao exterior em três anos. Desta vez serão quatro meses em estradas da França, Espanha, Holanda, Suécia, Irlanda, Alemanha e Inglaterra, onde, pela primeira vez, tocará forró em Liverpool, a terra dos Beatles: “E o importante é que já estamos indo no azul, ou seja, sem correr riscos de prejuízo. É o resultado da continuidade de um trabalho com o empresário Marc Renier”, diz Silvério. Um trabalho que renderá mais duas turnês ainda este ano, em outubro e dezembro, somando assim a metade do ano na Europa, com possibilidades de estender a excursão à Ásia. repetindo o que aconteceu no ano passado, quando Silvério Pessoa e a banda Bate o Mancá levaram o forró pernambucano às selvas da Malásia. Em abril, ele fez, com Lula Queiroga e Pedro Omar (violonista, filho de Elomar Figueira), o Projeto Pixinguinha, apresentando-se pela primeira vez para platéias de Santa Catarina, Paraná, Rio Grande do Sul, e voltando a São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte: “Com exceção do Rio, onde tocamos na Sala Funarte, que é muito pequena, e ficou muita gente do lado de fora, o resto foi, sem falsa modéstia, uma consagração para nós três. O público mostra que está cansado de pop infanto-juvenil, e do forró mauricinho, quer ver a cara do Brasil, e nada mais Brasil do que o Nordeste. Só que em termos de Brasil eu já fiz o que poderia para meu trabalho ser conhecido”, comenta Silvério entre o frustrado e o resignado. Ele está consciente de que apenas com as apresentações ao vivo, sem ser tocado pelas rádios, o público que o artista alcança continua muito limitado: “Mas nas cidades por onde passamos com o Pixinguinha recebemos propostas para voltar, e vendemos todos os discos que levamos”, exulta. Mesmo assim, o mercado externo continua não apenas mais lucrativo como mais instigante: “O que percebo nas entrevistas aos jornalista europeus é que estão cansados da música brasileira que sempre consumiram, o samba, axé. Eles estão descobrindo um Brasil que praticamente desconheciam, até mesmo Luiz Gonzaga só fez uma viagem à França. E vale ressaltar que não faço um produto exótico. Estou levando música tradicional resignificada, com outras informações”, explica. DISCO AUTORAL - Desde sua saída do Cascabulho, Silvério Pessoa lançou dois discos, Bate o Mancá, e Micróbio do Frevo, trabalhos conceituais, baseados nos repertórios de, respectivamente, Jacinto Silva e Jackson do Pandeiro. No mês passado, ele finalizou o primeiro disco solo autoral, Cabeça elétrica coração acústico (título emprestado de um cordel do escritor e músico paraibano Bráulio Tavares). São 14 músicas inéditas, uma única não composta pelo cantor, Sabor de frevo, de Luis Guimarães. Um disco gravado no Recife, no estúdio da Luni, mixado em Paris e remasterizado no Rio: “Andei conversando com o pessoal da Biscoito Fino que está interessado em lançar o CD, mandei uma cópia para eles escutarem. Mas não sei se chegaremos a um acordo. É provável que saia por um selo que a Luni está abrindo. Lá fora estou negociando, tem gravadoras interessadas, uma delas é a BMG francesa. Acho que pela boa aceitação dos meus outros discos na França”, conta Silvério Pessoa. Em Cabeça elétrica coração acústico, Silvério Pessoa permanece fiel ao forró, que carrega tatuado em letras maiúsculas no braço. Um forró com resignificações (sic), como adjetiva ele. Ou seja, aditivado com elementos eletrônicos, temática atual, e sem pretensões a Luiz Gonzaga ou Chico Buarque, mal que assola a grande maioria dos forrozeiros nordestinos. A inclusão do frevo de Guimarães, explica Silvério Pessoa, é uma homenagem ao trabalho do compositor e produtor, e também mais uma tentativa de fazer com o que frevo faça parte do calendário inteiro, e não apenas do Carnaval. (© JC Online) |
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