|
Galeria de fotos |
 |
|
Veja imagem dos vitoriosos |
|
|
|
Três paulistas e um romeno levaram os prêmios maiores no salão do 7º
Festival Internacional de Humor e Quadrinhos de Pernambuco
CAROL ALMEIDA
Foram mais de quatro horas entre desenhos de todos os cantos do
Brasil e do mundo. No final, quatro vencedores e cinco menções honrosas, a
maior parte com assinatura de desenhistas paulistas. A comissão julgadora
que selecionou os trabalhos premiados do 7º salão de humor e quadrinhos
optou, de fato, pelos melhores. E infelizmente, ao contrário do que vinha
acontecendo nos anos anteriores, os pernambucanos ficaram de fora da
seleta lista de escolhidos.
Na categoria caricatura, venceu um dos trabalhos mais criativos de todo
o evento: um desenho do percussionista pernambucano Naná Vasconcelos,
literalmente costurado com um colcha de retalhos pelo paulista Junior
Lopes (Junior também fez uma caricatura no mesmo estilo de Chico Science,
também muito elogiada). No cartum, o troféu e os R$ 3 mil (cada vencedor
ganhou esta mesma quantia) foi para o romeno Pavel Constantin, vencedor
com uma inteligente sátira à, digamos, “metodologia” ditatorial. Em
charge, não tinha mesmo para ninguém. Selecionado com mais de um trabalho
na categoria, o também paulista Dálcio Machado levou o prêmio com uma
“explosiva” sacada sobre o combate bélico.
Naquela que é possivelmente a mais difícil categoria a ser julgada por
um elenco de artistas internacionais, os quadrinhos, ganhou o minimalismo
do jovem Leonardo Aragão, também de São Paulo. Durante a coletiva
realizada para anunciar os vencedores, o francês Jano, presidente da
comissão julgadora, admitiu que o impacto visual dos quadrinhos do mineiro
Marcelo Lélis, artista convidado para dar uma oficina nesta edição do
festival, foi para ele mais representativo. No entanto, graças à
quantidade de texto e ao fato dos diálogos serem gramaticalmente ousados
até para quem lê fluentemente português, venceu o trabalho que deixou os
balões de lado.
Questionado sobre a qualidade dos premiados, o norte-americano Daryl
Cagle afirmou que os melhores trabalhos do salão pernambucano poderiam ser
premiados em qualquer outro salão internacional do mundo. O francês
Stéphane Heuet observou que os brasileiros, particularmente na área de
charges, ainda estão muito atentos ao que acontece dentro do País, e que
em um festival internacional, pesa mais aquilo que é de entendimento
universal. Lailson de Holanda, curador do evento, destaca que este ano o
festival voltou a receber material digitalmente trabalhado e que, como
prova da criatividade tecnológica, o júri premiou uma caricatura feita de
pano e deu o título de menção honrosa a outra caricatura criada com
desenho vetorial (baseado em vetores matemáticos e trabalhado no
computador).
PROGRAMAÇÃO – O 7º Festival Internacional de Humor e Quadrinhos
de Pernambuco foi aberto oficialmente no dia 25, mas
foi no dia seguinte que as atividades
com os artistas convidados começaram. A atividade aberta ao público
traz Daryl Cagle e o cubano (residente na Bahia) Osmani Simanca. Cagle
(ver abaixo) fala sobre sua experiência como cartunista de mídia impressa
e online nos Estados Unidos e Simanca promete apresentar seus desenhos
debruçados sobre uma figura sempre simpática à ironia de cartunistas e
chargistas: George W. Bush.
(©
JC Online)
Artistas que não
se pode deixar de ver no FIHQ
Os traços da Paris e do Rio de Jano
Jean Le Guay, o Jano, é uma daquelas pessoas que, ao menos na camisa,
no tênis e no corte de cabelo, parece ter saído diretamente dos anos 80. É
bem verdade que foram justamente os anos 80 que revelaram esse artista
francês, mas Jano tem um trabalho mais atemporal que seu guarda-roupa.
Dono de um traço único, ele faz parte da geração de artistas influenciados
por Robert Crumb. As cabeças de animais em seus desenhos, segundo ele, vêm
não apenas de Crumb, mas principalmente da estética que surge desde Mickey
Mouse. No FIHQ, Jano apresenta painéis de seus trabalhos mais recentes: os
cadernos de viagem, que incluem cenários franceses e cariocas, e o Les
fabuleuses dérives de la Santa Sardinha, sátira à versão européia da
conquista do Brasil, ainda não publicada no Brasil. Pena que dois de seus
trabalhos mais importantes, o rato Kebra e o álbum Gazoline, não estejam
na mostra. Ausência também do filme Rio de Jano, documentário sobre
ele feito por brasileiros.
A ácida charge norte-americana
Daryl Cagle é um dos poucos afortunados cartunistas norte-americanos
que ainda têm um salário no fim do mês. Ele, que é editor-chefe de um site
onde são publicados mais de 100 charges diariamente, afirma que, ao mesmo
tempo em que a internet possibilita visibilidade para novos cartunistas,
ela vai tirando o trabalho dos chargistas de jornais impressos. “Porque à
medida que blogs ganham força, a mídia tradicional perde, e as pessoas
terminam sendo demitidas”, afirma. Ainda assim, é na web que a expressão
livre ganha poder. No site em questão, o PoliticalCartoons.com, Cagle
publica, segundo ele sem censura, charges de todo o mundo. “É muito
importante ter diferentes visões de mundo nos Estados Unidos. Os
norte-americanos ficam muitas vezes chocados em ver o que o resto do mundo
pensa sobre seu país”. No Recife, o chargista da rede Washington Post
apresenta alguns de seus mais expoentes trabalhos, no segundo andar da
Torre.
(©
JC Online) |