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Tiago Amorim inaugura Arte Plural

Tauromaquia, obra de Tiago Amorim
 

Depois de 27 anos sem fazer uma individual, o artista sai da toca para apresentar suas cerâmicas na abertura de uma nova galeria de arte

   O Recife ganha uma nova galeria voltada para as artes visuais. É o espaço Arte Plural, que tem esse nome porque pretende ser mais que apenas uma área para exibição de obras de arte, mas quer incentivar a formação de um pólo de discussão, debates e encontros em torno de tudo que possa ver e respirar imagem. Para inaugurar a Arte Plural foi convidado o artista plástico Tiago Amorim, que apresenta uma exposição depois de 27 anos sem realizar individuais.

   A obra de Tiago permanece fiel ao seu estilo, que mistura elementos da arte popular – bem filtrados –, em figuras retiradas da natureza, adicionando a elas formas elegantes e sóbrias. Seu universo é invadido por pássaros, peixes e mulheres moldados no barro, queimados crus ou esmaltados. Pernambuco é um Estado de muitos bons artistas fiéis à tradição ceramista. Amorim se filia à essa herança cultural, mas não se prende fixamente a nenhum dos estilos mais badalados, passeando por vários deles para construir seu próprio traçado.

   Assim, embora flerte com a arte popular, com a erudição de Brennand e até com a história da influência da arquitetura portuguesa em Pernambuco, o artista sente-se livre para combinar esses elementos no seu repertório. Em relação a Brennand, é bom que se diga que, apesar da partirem dos mesmos elementos figurativos, Tiago Amorim cria peças mais limpas, menos rebuscadas e que tendem à simplicidade de suas formas, substituindo a deformidade dessas pássaros e peixes por linhas mais suaves e menos tensas.

   Os pássaros suspensos presentes na exposição conseguem um dos melhores efeitos da mostra. Outro destaque é a pinha em estilo lusitano, feita em cerâmica – não em porcelana, como as originais – e esmaltada c em branco e azul, bem ao gosto da azulejaria portuguesa. A Arte Plural também utilizou um jardim interno do espaço como área de exposição, misturando os animais moldados por Tiago Amorim com elementos da natureza.

   ESPAÇO – A Arte Plural fica na Rua da Moeda, no Bairro do Recife, num casarão antigo recentemente restaurado. A casa vai abrigar mostras de pintura, esculturas, objetos e fotografias, que serão animadas por palestras, debates ou bate-papos informais com os artistas, num espaço dotado de telão e de um café. “Nossa idéia é converter a galeria num ponto de encontro onde a arte seja o motivo de reuniões culturais”, explica Fernando Neves, um dos sócios e administrador do local.

   Para a próxima exposição, Neves planeja uma coletiva de fotografia, mas ainda não fechou o formato da mostra. É possível que a abertura ocorra em julho, com curadoria de fotógrafos pernambucanos. Todas as peças apresentadas na Arte Plural estão à venda.

Serviço

Inauguração da exposição de Tiago Amorim na abertura do espaço Arte Plural. Hoje, às 19h30, na Rua da Moeda, 140, Bairro do Recife

JC Online)


Açúcar marca produção de cerâmica

Artista plástica Lorane realiza exposição para mostrar peças de barro pintadas com açúcar

   Poucas coisas são historicamente tão pernambucanas quanto a cerâmica e o açúcar. Pois é desses dois ingredientes que se alimenta a obra da artista Lorane. Ela realiza uma pesquisa plástica que envolve a elaboração de peças feitas em barro de depois pintados com uma “aguada” de açúcar diluído em água. O resultado, como não poderia deixar de ser, são peças com ares de velhos engenhos, com imagens impregnadas por uma certa aura de tempo. É como se eles ainda guardassem um certo passado colonial – e inteiramente rústico – pernambucano.

   Hoje, suas obras ganham destaque no Museu do Homem do Nordeste, onde a artista realiza um individual para apresentar os efeitos dessa técnica e ressaltar sua produção artística. Lorane define esse processo de trabalho como “bonito, simples e atraente”. Depois de diluir o açúcar, ela cria desenhos sobre a cerâmica ainda crua, que depois vão ao forno para queimar. Na queima, a calda doce é fixada na superfície do barro, produzindo desenhos de bordas escuras e bem definidas.

   Lorane complementa o trabalho com desenhos que remetem a imagens antigas, sejam brasões ou tramas indígenas, que se misturam entre suas referências. O resultado é plasticamente confortável ao olhar, tranqüilizador, pelo que carrega em si de história e tradição. Agora, a artista pretende levar essa técnica para grupos de artesãos – ou não – da zona rural. “Eles não precisarão gastar dinheiro com tinta, por exemplo, tudo estará acessível para que as pessoas desenvolvam suas peças, usando a arte como forma de expressão”, afirma.

Serviço

Exposição Canabarro, de Lorane, no Museu do Homem do Nordeste – Av. 17 de Agosto, 2187, Casa Forte, Fone: 3441.5500

(© JC Online)

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