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Forrozeiros pé-de-serra disputam com os eletrônicos a preferência do
consumidor e neste mês que antecipa o São João lançam de tudo 10 Anos de Forró Acústico, Renilda Cardoso – Boa cantora, Renilda Cardoso fez este disco para lembrar seus dez anos de estrada. No repertório, vai além do xote, sem esquecer Gonzagão, Jacinto Silva. Genaro & Walkyria – Grande sanfoneiro, com uma longa história no forró (foi integrante do Trio Nordestino), Genaro e a parceira Walkyria abrem o disco e acenam para o popularesco nas três primeiras faixas do CD novo, felizmente, em seguida, enveredam pelo forró do bom, cantando Pinto do Acordeom, João Silva, Cecéu e Gilberto Gil, sem esquecer a injustamente esquecida Escadaria, de Pedro Raymundo. Novinho da Paraíba – Novinho faz um forró crossover, é um pé-de-serra com letra de banda eletrônica e instrumentação que tem trompete, guitarra e sanfona. O CD tem 23 faixas, equilibrada entre forró tradicional e “muderno”. Do Litoral ao Sertão Tributo a Luiz Gonzaga, André Rio – Mais conhecido como crooner de carnaval fora de época, André Rio vem agora de Luiz Gonzaga com sotaque de axé, na música que dá título ao disco (de sua autoria). O CD foi gravado parte no Recife, parte em Portugal. Um trabalho escancaradamente comercial, já que o repertório traz nove das mais conhecidas músicas do imenso repertório de Gonzagão. Cabôco de Fé, Mazinho de Arcoverde – Um disco basicamente de xotes (que se tornou o ritmo predominante no forró). Mazinho canta Maciel Melo (Que nem vem-vem), Anchieta Dali, Xico Bezerra. Como quase todo forrozeiro pé-de-serra ele tem o bom senso de se valer de guitarra e baixo elétricos, junto com os instrumentos básicos do forró. A Rosa Vermelha, João Paulo Jr. – Irmão de Alcymar Monteiro (as vozes são bem parecidas), João Paulo Jr. diz a que veio na música Não compre CD pirata, em cuja letra ele diz que o que quer é vender, tocar, enfim, se dar bem. Um repertório que começa forrozeiro profano e termina com louvores ao Senhor. Neste, como na maioria dos lançamentos do gênero, o design da capa não vai ajudar a vender o disco. MTV ao Vivo, Falamansa – Prova da discriminação que sofre o forró. Nem mesmo Dominguinhos, o maior forrozeiro vivo, já foi convidado para um MTV ao Vivo. Os cariocas do Falamansa inventaram o forró beira-mar, amparado pela gravadora (Deckdisc), mídia, eles emplacaram alguns sucessos nacionais, xotes que mais parecem reggae. Neste CD, o grupo repassa os sucessos, Xote dos milagres e Falamansa song, canta Luiz Gonzaga, Antônio Barros e Cecéu, João Silva. O problema é que a voz de Tato não ajuda, o vocalista principal é muito ruim ao vivo. Vamos dar as Mãos, Ivan Ferraz e convidados – Veterano que começou gravando na antiga Rozenblit, este disco é uma homenagem aos 16 anos do programa Forró Verso e Viola, que ele apresenta na Universitária FM. Há tanta gente no disco que o dono quase que vira mais um convidado: Dominguinhos, Nando Cordel, Santana, Maria Dapaz, Alcymar Monteiro, Flávio José, Petrúcio Amorim, Jorge de Altinho, Genaro & Walkyria, Maciel Melo e Cláudio Almeida. Junte-se isto a um repertório bem-selecionado e o resultado é um bom disco de forró, apesar de Ivan Ferraz não ter uma voz privilegiada. Show ao Vivo, Paulinho Leite – Fica até difícil incluir este disco entre os lançamentos de forró pela variedade de estilos do repertório. Basta dizer que ele é aberto com uma adaptação de O Trenzinho do caipira, de Villa-Lobos, emenda com alguns forrós, inclusive clássicos como Que nem jiló, Vozes da seca, Vem morena, Sebastiana, mais a canção Conselho ao filho adulto, do repentista Sebastião Dias, mais adiante envereda pelo Zé Ramalho de Avohai, o Geraldinho Azevedo de Dia Branco e fecha o disco com Banquete dos signos. Paulinho Leite atira para todos os lados, e não sabe bem qual é o alvo. Cantadores da Nação de Seu Luiz, Forroboxote 4 de Xico Bezerra – Xico Bezerra é uma das revelações entre compositores forró. Idealizador do projeto Forroboxote, ele reuniu neste quarto disco da série, praticamente todos os grandes nomes atuais do gênero. Suas músicas têm letras caprichadas (por vezes muito longas). Falta ao forró de Xico Bezerra o que nunca faltava no de seu ídolo Gonzagão: o lúdico. Mesmo os forrós que falam de amor não têm mais aquela coisa brejeira, de, por exemplo, Kalú, de Humberto Teixeira, ou o lirismo simples de Que nem jiló (Gonzagão/Humberto Teixeira). Isso não tira méritos de Xico Bezerra, apenas ratifica que o tempo mudou e o forró com ele. Mais um ponto para o forroboxote são suas capas, sempre de bom-gosto. O pior no forró pé-de-serra atual são as capas, a maioria sem a menor criatividade. (© JC Online) Geraldinho Lins é fenômeno da estação JANAÍNA LIMAEle canta, compõe, toca violão e está virando uma figura quase onipresente – com todo o respeito – nos bares da cidade. Segunda, está no Super 8, quarta toca no Borracharia, quinta anima a Gio Pizzeria, sábado é marca registrada do Bar Real e domingo tem espaço garantido no Fuxico, em Boa Viagem. Com 15 anos de carreira, Geraldinho Lins é protagonista de um boom que tomou conta da noite recifense, que poderia ser definido como “forró de barzinho”. A nova febre começou seguindo o velho estilo voz e violão. “Muitas vezes já escutei pessoas dizerem: ‘Há quanto tempo queria ouvir essas músicas’. É um público que gosta de forró, mas não tem disposição para ir a lugares mais distantes, como a Sala de Reboco, por exemplo”, explica Geraldinho, que começou a tocar em bares cedo, aos 15 anos, e nunca mais deixou a noite, nem durante os cinco anos em que foi vocalista da banda Quenga de Coco. “Sempre toquei em bar, mas o repertório era variado, não cantava só forró. Comecei sem pretensões, no Bar Real, onde fazia shows aos sábados à tarde. O público começou a chegar e vieram os convites para tocar nos outros lugares. Foi tudo muito rápido”, comenta. Uma prova do sucesso do artista é o disco independente que ele vende em shows e já atingiu a marca de cinco mil exemplares. “O disco é a história desse movimento da noite que pegou a gente de surpresa. Toco músicas bem conhecidas, minhas e de compositores como Accioly Netto e Maciel Melo, entre outros”, detalha o forrozeiro, que tem 32 anos de idade. Outro reflexo da carreira em ascensão é o contrato que ele acaba de assinar com a produtora Luan, responsável por negociar shows de artistas como KLB, Zezé Di Camargo e Luciano e Elba Ramalho. Antes de ter o rosto estampado em outdoors, agenda cheia (até ontem estava com 30 shows marcados em todo o Nordeste) e muitos fãs, Geraldinho Lins enfrentou todos os desafios que os artistas locais passam para conseguir a “réstia” de sol a que têm direito. Começou a tocar violão na adolescência, percorreu o circuito de bares, formou uma banda no colégio – Flor da Pele, com os colegas do Nóbrega, que chegou a lançar um CD –, desenvolveu a carreira de compositor fazendo jingles publicitários, até entrar para uma banda estruturada. “Foi com a Quenga de Coco que passei a viver de música. Foi uma experiência excelente, porque lançamos vários discos e consegui estourar com Amor do Sertão”, lembra Geraldinho, citando sua canção mais famosa. A carreira de compositor hoje está mais adormecida, pela falta de tempo. “Tenho composto menos, mas sempre que volto das viagens trago muitas idéias e acaba saindo algo”, diz. Recentemente, Elba e Trio Nordestino gravaram Xote da Conquistador e Genival Lacerda gravou Tá Bom, Tá Divino. São as duas músicas mais recentes do forrozeiro. (© JC Online) |
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