|
|
 |
|
A cineasta baiana Conceição Senna |
O XV Cine Ceará -
Festival Nacional de Cinema e Vídeo tem início hoje à noite, no
Cine São Luiz Centro. Brilhante, documentário da cineasta
baiana Conceição Senna, faz as honras da casa. Por telefone, Senna conduz
o Vida & Arte à Chapada Diamantina e aos escaninhos dos seus moradores. O
festival segue até o próximo dia 09
O
documentário Brilhante é o destaque da solenidade de abertura
do XV Cine Ceará - hoje à noite, no Cine São Luiz Centro (para
convidados). Pois o festival cearense (e Fortaleza é uma das casas da
cineasta Conceição Senna) foi eleito para marcar a estréia nacional do filme
- antes exibido apenas no Festival de Cinema Latino-Americano
(Toulouse/França) e na própria comunidade que o gerou, Lençóis (Chapada
Diamantina/Bahia). ''Eu tinha um compromisso com Lençóis e mostrei o filme
na Praça do Mercado Municipal (no último dia 31). Eu queria
ouvir a opinião dessa comunidade com quem temos relação muito próxima; é a
cidade de Orlando (Senna, cineasta, marido de Conceição)... E
foi emocionante. Agora, a mostra em Toulouse resultou em contatos para
outros festivais na França e em Genebra'', explica a diretora, por telefone,
já a caminho do XV Cine Ceará.
Ponto de partida: o filme
Diamante Bruto, realizado por Orlando Senna (atual Secretário do
Audiovisual) em 1977. Nele, um flagrante da exploração do garimpo em
Lençóis: a cidade esfacelada, os moradores viúvos. O tempo cuida da
cicatrização; pouco mais de 25 anos depois do registro de Orlando Senna,
Lençóis se torna um dos concorridos pontos turísticos do País. O olhar de
Conceição Senna, então, volta-se para a memória do quê - e, principalmente,
de quem - sobreviveu. Brilhante surgiu em uma oficina de
roteiros, ministrada por Orlando Senna, em Lençóis, há cinco anos. ''Na
oficina, ele mostrou Diamante Bruto. Comecei a ouvir as
pessoas falando do filme e fui tomando conhecimento da importância que tinha
sido o filme para a comunidade... O documentário (Brilhante),
de certa forma, complementa o filme de Orlando ao promover o novo encontro
com a comunidade. E o filme é também sobre cinema; o cinema como
transformador da cidade'', sugere a autora.
Para realizar o documentário,
Conceição visitou a cidade incrustrada na Chapada Diamantina, entre 2001 e
2003. O filme ganhava corpo à medida em que ela remexia o silêncio dos
moradores e os escaninhos do lugar. Brilhante é o primeiro
longa-metragem da atriz que estreou como diretora em Memória do Sangue
(1987, feito a partir dos herdeiros dos guerreiros de Canudos). É mais que
isso. ''Só sei fazer as coisas com paixão. Sou apaixonada por meu marido
(todo mundo sabe), e sempre entro com essa carga de paixão nas coisas que
faço. Vivi minha infância em Canudos (que submergiu) e, como
meu pai era funcionário do Dnocs, morei em Juazeiro da Bahia, em Senhor do
Bonfim... Então, Lençóis é aquele recanto meu. E é a terra de Orlando; é
onde vejo ele dizer: 'Olha, ali é onde eu brincava, ali é o coreto onde eu
namorava...'. Passei a amar Lençóis também. O filme é, ainda, uma declaração
de amor ao meu marido'', ri-se a cineasta.
Conceição Senna destaca ainda que
Brilhante foi realizado de forma independente: ''Não quero
participar - e nem podia - de nenhum edital do governo, por questão de
ética''. Some à produção, o tempo em Cuba (o casal Senna morou dez anos fora
do Brasil) e os diálogos com o País. ''Eu me sinto atraída pelo trabalho do
cubano Santiago Alvarez... E os documentários brasileiros sempre me
fascinaram (em especial, a cinematografia dos anos 60);
porque muitos deles vão ao sertão, em busca dessa cultura que está muito à
vista'', fala Senna. Por essa trilha, ela aponta o próximo projeto:
redescobrir a trajetória de Dzi Crocretes, grupo de transexuais liderado
pelo dançarino Leny Dale na década de 1970. Conceição segue por aí,
elaborando documentários ''sem pressa''. Atenta à memória, poeira fina que
sobra da relação entre o tempo e o vento.
Solenidade de abertura do XV Cine Ceará
- hoje, às 21 horas, no Cine São Luiz Centro (Praça do Ferreira). Serão
exibidos os filmes Eusélio, de Glauber Paiva, e
Brilhante, de Conceição Senna. Entrada para convidados. O festival é
aberto ao público amanhã e até o próximo dia 09. Entrada por credenciais,
obtidas trocando-se um quilo de alimento não perecível. Posto de troca:
quiosque do Sesc, armado na Praça do Ferreira. Os alimentos serão doados ao
projeto Mesa Brasil-Sesc (Amigos do Prato). Informações: 3248.2018.
(©
NoOlhar.com.br)
Começa hoje edição da mostra em Fortaleza; sete longas, sendo cinco
inéditos nos cinemas, disputam prêmio de R$ 10 mil
Cine Ceará, 15, festeja marca no calendário
SILVANA ARANTES
DA REPORTAGEM LOCAL
O Cine Ceará comemora nesta noite os 15 anos de história do festival.
"Estamos debutando, com o evento consolidado no calendário do Estado e do
país", diz o diretor da mostra e cineasta, Wolney Oliveira.
O público assistirá hoje ao documentário "Brilhante", de Conceição Senna,
exibido fora de competição. A partida na disputa entre os sete longas que
concorrem a prêmio de R$ 10 mil (oferecido pelo patrocinador Banco do
Nordeste) ocorre apenas amanhã.
O recorde de inscrições para participar da mostra (31 longas-metragens) e a
seleção de cinco filmes ainda inéditos no circuito comercial para competir
são os dados que Oliveira aponta como sinais da consolidação do festival.
O destaque que o diretor dá à presença de filmes inéditos na mostra tem
relação com a equação nem sempre equilibrada entre o volume de filmes
brasileiros concluídos a cada ano e o número de festivais que pretendem
divulgá-los. De acordo com as oscilações de temporada, é comum haver mais
festivais do que filmes inéditos a serem exibidos.
"A produção de cinema nacional não está ainda como o ministro Gilberto Gil
[Cultura] queria, na faixa dos cem longas por ano", diz Oliveira. Ele se
refere a discurso feito por Gil no encerramento do Festival de Gramado de
2003.
Naquela ocasião, o ministro anunciou o objetivo de atingir a média de cem
filmes brasileiros produzidos e lançados por ano, até o fim da gestão Lula
da Silva.
"Por enquanto, ainda estamos na média de 35 filmes brasileiros por ano. Por
isso, vejo como um sinal de prestígio ter esses longas inéditos aqui", diz
Oliveira.
Mostrarão seus filmes no Cine Ceará antes da estréia nos cinemas os
diretores Ivan Cardoso ("A Marca do Terrir"), Walter Carvalho ("Moacir, Arte
Bruta"), José Rafael Mamigonian ("Seo Chico, um Retrato"), Carlos
Reichenbach ("Bens Confiscados"), Vânia Perazzo e Ivan Hlebarov ("Por 30
Dinheiros").
"Quando Vale ou É por Quilo", que já estreou em São Paulo e no Rio de
Janeiro, também compete, assim como "A Pessoa É para o que Nasce", de
Roberto Berliner, que entra em cartaz hoje nas duas cidades.
A programação completa do festival, que termina quinta-feira, está
disponível na página oficial.
(©
Folha de S. Paulo)
Cine Ceará chega à
15 edição e relembra o passado
Jaime Biaggio
Começa hoje em Fortaleza, com a exibição fora de competição de “Brilhante”,
de Conceição Senna, a 15 edição do festival de cinema local, o Cine Ceará.
Com direito a homenagem aos responsáveis pela criação, em 1991, de uma
mostra de vídeos produzidos na cidade, a Vídeo Mostra Fortaleza, que foi o
embrião do festival.
Antes da sessão principal será exibido “Eu, Sélio”, curta-metragem de 20
minutos do cineasta local Glauber Paiva (sintomaticamente, rodado em vídeo),
em homenagem a Eusélio Oliveira, que juntamente com Francis Vale criou a tal
mostra-embrião em 1991 e morreu naquele mesmo ano, aos 58 anos. Fundador
também do ultra-ativo núcleo local de produção e difusão cinematográfica, a
Casa Amarela, vinculada à Universidade Federal do Ceará (e que hoje leva seu
nome), Eusélio é também nome de prêmio do evento, que será entregue hoje ao
senador Saturnino Braga, na abertura da sessão.
“Brilhante”, longa-metragem de abertura, é o documentário da atriz Conceição
Senna, mulher do secretário do Audiovisual do Ministério da Cultura, Orlando
Senna, sobre a relação entre o filme “Diamante bruto”, dirigido por Orlando
em 1977, e a cidade baiana onde foi rodado, Lençóis. Hoje um importante
destino turístico, Lençóis vivia o fundo do poço na época do filme, quando o
garimpo, a sua base financeira, desaparecia, sem que nada o substituísse. A
realização de “Diamante bruto”, também um documentário, teria reacendido a
auto-estima dos habitantes que, segundo o casal Senna, naquele momento
pareciam já não ter mais nenhuma fé no futuro. A tese de “Brilhante” é que
“Diamante bruto”, de certa forma, ajudou a transformar Lençóis no lugar
badalado por veranistas que é hoje.
Documentários prevalecem na competição
A partir de amanhã, começa a competição, da qual participam sete
longas-metragens, cinco deles inéditos em circuito (as exceções são “Quanto
vale ou É por quilo?”, de Sérgio Bianchi, e o documentário “A pessoa é para
o que nasce”, de Roberto Berliner, que entra em cartaz no Rio hoje). “Bens
confiscados”, de Carlos Reichenbach, produzido e protagonizado por Betty
Faria, que teve sua estréia nacional no Festival do Rio 2004, mas ainda
aguarda espaço no circuito, também está na disputa. “Moacir, arte bruta”, de
Walter Carvalho, sobre um pintor humilde da Chapada dos Veadeiros, passou
aqui no É Tudo Verdade.
Dos filmes verdadeiramente inéditos, dois são documentários e só um de
ficção: “Por 30 dinheiros”, de Vânia Perazzo Barbosa e Ivan Hlebarov, uma
tragicomédia em que dois atores de uma trupe mambembe fogem com o dinheiro
arrecadado durante uma apresentação da “Paixão de Cristo” e são perseguidos
pelos companheiros, da caatinga até o litoral. É uma produção paraibana. Já
os documentários são “Seo Chico, um retrato”, sobre uma figura fundamental
da história dos engenhos de farinha e cana-de-açúcar em Santa Catarina, e um
filme que é menos documentário que apanhado de carreira pessoal: “A marca do
terrir”, de Ivan Cardoso, em que ele junta seus trabalhos do passado,
inclusive os feitos em Super-8.
O festival, que também é competitivo na seara dos curtas-metragens, e que
tem várias submostras, vai até a próxima quinta-feira.
(©
O Globo)
Os filmes em competição
AMANHÃ:
CURTAS: “A velha e o mar”, de Petrus Cariry; “Momento trágico”, de
Cibele Amaral; e “Veja & ouça — Maria Baderna do Brasil”, de André Francioli
LONGAS: “A pessoa é para o que nasce”, de Roberto Berliner; e “Por 30
dinheiros”, de Vânia Perazzo e Ivan Hlebarov
DOMINGO:
CURTAS: “Noturno”, de Daniel Salaroli; “Sobre quando não se tem nada
a dizer”, de Cássio Pereira; “Entre paredes”, de Eric Laurence.
LONGAS: “Moacir arte bruta”, de Walter Carvalho; e “Quanto vale ou é
por quilo?”, de Sérgio Bianchi
SEGUNDA-FEIRA:
CURTAS: “O cão sedento”, de Bruno de Sales; “Balaio”, de Luiz Montes;
“Narciso RAP”, de Jéferson De; “Intimidade”, de Camilla Gonzatto
LONGA: “Bens confiscados”, de Carlos Reichenbach
TERÇA-FEIRA:
CURTAS: “Curta-metragem metalinguístico de baixo orçamento ou Aceita
mais café?”, de Byron O’Niell; “O xadrez das cores”, de Marco Schiavon;
“Cavalhadas em Pirenópolis”, de Adolfo Lachtermacher; e “Habanera”, de Joana
Oliveira
LONGA: “A marca do terrir”, de Ivan Cardoso
QUARTA-FEIRA:
CURTAS: “O homem da mata”, de Antonio Leão; “Canoa veloz”, de Tibico
Brasil e Joe Pimentel; “Messalina”, de Cristiane Oliveira; “O vampiro”, de
Douglas Ferreira
LONGA: “Seo Chico, um retrato”, de José Rafael Marnigonian
(©
O Globo)
Visite o site oficial do
Festival Cine Ceará |