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Um Nelson Rodrigues longe dos estereótipos

Nelson Rodrigues

Roberta Oliveira

   Em meados dos anos 90, quando nove entre dez diretores só pensavam em montar uma peça de Nelson Rodrigues, a companhia Atores de Laura provou, no palco do Teatro Gláucio Gill, que era possível levar à cena um texto do Anjo Pornográfico sendo fiel ao seu estilo, mas sem recair no estereótipo do estereótipo.

   O espetáculo, que está de volta, desta vez para o palco do Teatro da Maison de France, toma por inspiração as peças e crônicas do autor de “Vestido de noiva” sem se ater essencialmente aos textos, e sim ao espírito rodriguiano. O resultado são oito esquetes, escritos a partir de improvisações do próprio grupo, em que são revelados personagens do dramaturgo, como a morta da primeira página, o adúltero arrependido, a irmã envenenadora, o jogador de sinuca que acha que é corno, o jornalista sem alma e os vizinhos torcedores.

   — “Decote” já virou um clássico — brinca Daniel Herz, diretor do espetáculo ao lado de Susanna Kruger.

   Um clássico que, na época, conquistou vários prêmios, entre eles três Coca-Cola, de melhor texto, direção e espetáculo.

   A reestréia de “Decote” faz parte do projeto de ocupação da Companhia Atores de Laura na Maison de France que começou em maio e segue até o início de julho. Além deste espetáculo, o grupo mostra outros dois clássicos do seu repertório. Aos sábados e domingos, “Decote” é seguido por “As artimanhas de Scapino”, adaptação do clássico de Molière.

   — Assim, quem quiser, pode ver um, fazer um lanche e depois assistir ao outro — convida Herz, que, no fim de junho, estréia “O conto do inverno”, de Shakespeare.

O Globo)

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