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Brasil instrumental mostra sua força

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» Carlos Malta - Caracai
» Fred Andrade - pau na caneca
» Beto Kaiser - Mensageiro do Vento
» Spok frevo - Frevo Sanfonado

 

Infográfico
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Músicos locais e nacionais se reúnem na terceira edição no Instrumental em Concerto, que reverencia a tradição regional no Santa Isabel

MARCOS TOLEDO

   A tradição de música instrumental em Pernambuco ganhou força nos últimos quatro anos, principalmente com a continuidade de eventos do gênero. Um deles, o Instrumental em Concerto, chega à terceira edição com atração locais e nacionais que têm em comum, curiosamente, a reverência às manifestações culturais nordestinas.

   O festival, que ocorre de hoje a domingo, no Teatro Santa Isabel, traz este ano os grupos Trio Curupira – que convida Mestre Salustiano para uma participação especial –, Nelson Ayres Trio e Carlos Malta & Pife Muderno, que dividem o palco com alguns dos melhores representantes do Estado em atividade, como os guitarristas Beto Kaiser e Fred Andrade e os conjuntos C4 Instrumental, Éder ‘O’ Rocha & Zabumba Moderno e Spok Frevo Orquestra.

   Formado por André Marques (piano), Cléber Almeida (bateria) e Fábio Gouvêa (contrabaixo), o Trio Curupira, de Sorocaba (SP), foi uma das atrações do Festival de Inverno de Garanhuns do ano passado. Pela primeira vez no Recife, o grupo traz um repertório que mistura ritmos como maracatu, frevo, xote, catira, samba e baião com música erudita.

   A relação do Curupira com a música nordestina, diz Marques, deriva em muito de sua experiência como integrante da conjunto que acompanha o veterano Hermeto Pascoal. “Muito do que faço, aprendi com ele”, reconhece. “Mas a gente faz muita pesquisa, não só no Nordeste – que é muito rico, principalmente Pernambuco –, mas também no Norte, Sul, Sudeste...” O pianista diz que, sempre que o grupo viaja, realiza pesquisas – desta vez, acredita, vai a Caruaru –, cujo material apreendido é adaptado à linguagem do trio. “Nossa formação é jazzística, mas a gente tenta passar para a linguagem brasileira”, diz Marques.

   Na apresentação de hoje, que conta com a participação de Mestre Salu, devem constar temas como o xote Siri na lata e a caipira Tristeza do Jeca (ambos de Desinventado, de 2003), o samba em compasso 7/4 Pau-de-chuva (de Curupira, de 2000), e novos temas que entrarão no próximo trabalho, previsto ainda para este ano, só com composições de outros autores – Luiz Gonzaga, Tom Jobim, Cartola e Ary Barroso.

   VETERANO – Um dos maestros mais conceituados do País, o pianista e compositor Nelson Ayres faz sua segunda apresentação no Santa Isabel em menos de um ano. Desta vez, com o trio de formação clássica formado ainda pelo baixista Rogério Botter e o baterista Bob Wyatt.

   O regente conta que teve a idéia de formar o trio quando deixou a direção artística da Orquestra Jazz Sinfônica do Estado de São Paulo. “A minha paixão inicial é tocar piano”, explica. O repertório, segundo ele, é “a coisa mais eclética que se possa imaginar”, e inclui Heitor Villa-Lobos, Noel Rosa, Bob Dylan, jazz e composições próprias.

   O Nordeste é representado pela ária da Bachiana nº 4, de Villa-Lobos, e Flor do mato, composição com a qual Ayres homenageia Luiz Gonzaga. “Incidentalmente, eu sou músico por causa de Gonzaga. Quando eu tinha três ou quatro anos, ouvia vários discos dele em 78 rotações. Aos sete, ganhei um acordeão”, lembra. O músico aproveita para relançar o álbum Mantiqueira, considerado um dos marcos da música instrumental brasileira, de 1981.

JC online)

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