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Festival Internacional de Humor e Quadrinhos de Pernambuco começa este
ano em junho, com inclinações gráficas para a ilustração Uma nova data, nova direção e novo formato. A oitava edição do Festival Internacional de Humor e Quadrinhos, que começará este ano no dia 5 de junho na Torre Malakoff, anunciou seus convidados e o modelo do salão que, a partir de agora, pode começar a receber trabalhos de cartunistas, quadrinistas, caricaturistas, chargistas e – eis a primeira novidade para 2006 – ilustradores de todo o mundo. A Associação de Cartunistas de Pernambuco (Acape) optou por uma edição que valoriza, sobretudo, a arte do traço e a força gráfica das imagens. A categoria de “ilustração editorial”, reservada àqueles desenhos comuns em revistas e jornais. “Desde o ano passado com a exposição no festival da Sociedade de Ilustradores do Brasil (SIB), estamos tentando valorizar esse que é um mercado ainda pouco explorado pelos desenhistas. Ilustração infantil é, por exemplo, é um dos segmentos que mais cresce no mercado editorial”, explicou João Lin, presidente da Acape e agora curador principal, ao lado dos demais associados, do FIHQ. Lin lembrou também que, até o ano passado, nenhum pernambucano participava da SIB e, hoje, são seis profissionais trabalhando em uma rede nacional de contatos. A outra grande atração, esta exclusiva às pessoas que irão se inscrever no salão, é o valor do prêmio para o primeiro lugar de cada uma das cinco categorias (quadrinhos, cartum, caricatura, charge e ilustração). Há três anos congelado no valor de R$ 3,5, ele agora sobe para R$ 4 mil. Além disso, todos os trabalhos selecionados para participarem do salão ganharão um catálogo impresso (nos últimos anos esse catálogo foi distribuído em CD-Roms). Entre os convidados, duas passagens internacionais. A do norte-americano Peter Kuper e a do kuatiano Naif Al-Mutawa. O primeiro é uma presença ilustre no Brasil. Há dois anos, o mesmo pessoal da Acape havia convidado o artista para participar do festival e, segundo Kuper, “por algum motivo que não me lembro qual, não pude ir”. Em entrevista ao JC, Kuper disse que ainda não conhece nenhum artista gráfico brasileiro, “mas espero mudar isso nesta visita”, garantiu. Em conversa sobre a verve política de seu trabalho, algo que deve ser mostrado em parte na exposição que fará no Recife, ele afirmou que “os quadrinhos podem iluminar assuntos politicamente complexos que podem informar toda uma nova geração de leitores sobre a situação do planeta”. “E se você fosse desenhar o planeta hoje?” “Desenharia um rosto bonito, porém gripado”, afirmou. Kuper também é conhecido por ter dado continuidade à série Spy vs. Spy da revista Mad (feita originalmente por Antonio Prohías), e por ter criado recentemente o personagem Richie Bush, uma mistura do Riquinho com o presidente atual dos Estados Unidos. “Um personagem de cartum parecia apropriado para descrever George W. Bush, já que ele parece estar vivendo em um mundo fictício, onde tudo que ele faz é correto e justificável. Quando na realidade ele é um assassino mentiroso que está roubando nosso país e esmagando a democracia. Não há nada engraçado nisso.” Fábio Zimbres, outro convidado para o evento, chegará ao Recife representando uma nova geração de artistas gráficos, preocupados não apenas em publicar, mas em tirar o maior proveito (e experimentar ao máximo) novas ferramentas e possibilidades de mídia. Zimbres, que é conhecido pelo seu trabalho em fanzines, disse que a importância de salões como o de Pernambuco está na criação de um “mercado paralelo”. “E acho que, assim como os salões, os blogs têm sido veículos de difusão dos artistas. Em época de vacas magras, o blog dá vazão à produção de cada um, e as pessoas podem acompanhar o que você está fazendo”, opinou. Importante frisar que as inscrições para o salão se encontram abertas e o regulamento pode ser consultado na página oficial do evento: www.acape.org.br/fihq2006 |
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