|
|
Museu do Estado de Pernambuco prepara sala especial para abrigar ateliê
parisiense do pintor Cícero Dias, doada pela família do artista O Museu do Estado de Pernambuco deve receber no segundo semestre o ateliê do pintor modernista pernambucano Cícero Dias (1907-2003). O ateliê está conservado da maneira que o artista o deixou ao morrer, num quarto com 80 metros quadrados do apartamento da família na Rue de Longchamps, 123, onde ainda residem a viúva Raymond Dias e a filha Sylvia, bem perto da Cinemateca Francesa e do Escritório da Unesco para a Ásia e China. A família ainda não sabe quantos objetos estão no ateliê. O artista plástico Paulo Bruscky, que teve seu ateliê no Recife remontado na Bienal de São Paulo, viajará em maio a Paris para fazer o levantamento das peças e providenciar as embalagens e o embarque para o Recife. “O ateliê está abarrotado de coisas”, resume. Entre elas, uma pequena bandeira de Pernambuco paira no alto de uma das estantes, enquanto uma colcha de fuxico foi transformada numa divisória vazada. São telas inacabadas do artista, desenhos e rascunhos de pintores amigos, livros de arte autografados e dedicados por Picasso e Paul Élluard, pincéis novos e usados, tintas, cavaletes, pranchetas, vidros vazios de perfume e materiais de desenho e pintura. E uma infinidade de pequenas peças compradas ou encontradas nas ruas de Paris por Cícero Dias, que se transformaram em pequenos móbiles, mamulengos, arranjos e até colagens feitas pelo artista pernambucano. Relógios, lanternas, muitas fotos e o último quadro, inacabado. Entre as centenas de peças, uma em particular chama a atenção. Do pano que Cícero Dias usava para limpar pincéis e as mãos, o artista criou uma grande colagem, assinada e com uma boca vermelha recortada em um dos cantos, onde se pode ler, em português, a epígrafe “A matéria é o espírito”. Dias não perdeu o contato com a língua materna, embora falasse fluentemente o francês. Paulo Bruscky foi quem intermediou a doação do ateliê ao Museu do Estado, depois de pedido formal de comodato feito em fevereiro deste ano pelo então governador Jarbas Vasconcelos a Raymonde Dias. O contato inicial com a família foi feito pelo pintor pernambucano Jaíldo Marinho, amigo dos Dias, que reside há 15 anos em Paris. A instalação do ateliê em sala especial no térreo do Museu do Estado será coordenada pela diretora e artista plástica Sylvia Pontual. “O ateliê é de valor incalculável porque mostra a criatividade, a genialidade e aspectos pouco conhecidos de Cícero Dias”, acentua Bruscky, contando que a remontagem no Recife se dará a partir de uma série de fotos. “Todas as peças estarão em seu devido lugar e daremos o mesmo acabamento nas paredes para se parecer com um quarto de um apartamento francês”, antecipa. Até a paisagem que Cícero Dias via de Paris através da única janela do ateliê estará numa falsa janela na sala especial.
O projeto já conta com o apoio de Marcos Magalhães, presidente da Philips, do Centro Cultural Bandepe, que arcará com os custos das passagens, do seguro e do transporte das peças, que serão todas embaladas individualmente para facilitar a remontagem, e a Companhia Editora de Pernambuco, Cepe, editará um livro com texto do jornalista Mário Hélio, com projeto gráfico de Paulo Bruscky, e fotos de Léo Caldas. A idéia é colocar o ateliê dentro do Espaço Cícero Dias, que já conta com cinco pinturas e três aquarelas do artista pernambucano, criar uma seção especial sobre ele, para consulta, na biblioteca do Museu do Estado, e fazer um corte diagonal no quarto recriado para o visitante poder “penetrar” no ateliê. |
||
|
|
||
© NordesteWeb.Com 1998-2006
O copyright pertence ao veículo citado ao final da notícia