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Mariana Lima, Selton Mello e Gustavo Falcão em
Árido Movie |
RECIFE (Reuters) - O filme "Árido
Movie", do diretor pernambucano Lírio Ferreira, foi o grande vencedor do 10º
Cine PE-Festival do Audiovisual. A produção venceu seis prêmios: melhor
filme, direção, fotografia, montagem, ator coadjuvante (Selton Mello) e
prêmio da crítica. O encerramento foi na noite deste sábado (23), no
Cine-Teatro Guararapes, em Olinda.
Co-diretor de "Baile Perfumado" (1996), um dos mais elogiados filmes da
retomada do cinema brasileira dos anos 90, Lírio Ferreira foi o autor do
pronunciamento mais polêmico da premiação.
Ao receber seu troféu como melhor diretor, Lírio afirmou: "Está todo mundo
muito animado, está todo mundo produzindo, mas a gente não está tão saudável
como deveria. A quem interessa esse cinema que a gente está fazendo, esse
cinema de Beto Brant, Cláudio Assis, Marcelo Gomes, se o público não tiver
sua resposta? É muito triste saber que numa única sessão aqui eu tive mais
público que alguns filmes numa semana. Os produtores, os cineastas estão
discutindo isto. Acho que o público devia discutir isso também". Um
comentário crítico que recebeu aplausos e algumas vaias.
Mais conciliador, o ator Selton Mello confessou um certo "encabulamento" por
receber o troféu num filme "com tantos atores coadjuvantes de talento" e
disse estar recebendo o troféu representando todos eles.
A comédia "Tapete Vermelho", de Luiz Alberto Pereira (SP) ganhou três
troféus: melhor roteiro, ator (Matheus Nachtergaele) e atriz (Gorete
Milagres). Matheus agradeceu ao diretor pelo papel e "a Mazzaropi pela
inspiração". O enredo trata da obsessão de um sitiante em mostrar ao filho
um filme do comediante Mazzaropi no cinema.
Muito emocionada, a atriz Gorete Milagres destacou a importância deste
prêmio para sua carreira: "Sou uma atriz que fez teatro em Belo Horizonte
mas, depois que fiz a Filomena, que é um papel que adoro e do qual
sobrevivo, sofri o estigma de ter um personagem só. Este prêmio vai me
ajudar a superar isso". Também agradeceu a Matheus Nachtergaele, que a
indicou para o papel de Zulmira, sua mulher em "Tapete Vermelho".
Outros três prêmios foram concedidos ao desenho animado "Wood & Stock --
Sexo, Orégano e Rock'n'Roll", de Otto Guerra (RS): prêmio especial do júri
(dividido com o documentário "Pro Dia Nascer Feliz", do diretor carioca João
Jardim), trilha sonora e o prêmio mais surpreendente da noite, o de melhor
atriz coadjuvante para a roqueira Rita Lee, que faz a voz da personagem Rê
Bordosa.
Os agradecimentos de Otto Guerra foram também os mais engraçados da
premiação. Recebendo o prêmio de atriz coadjuvante em nome de Rita Lee, ele
explicou sua ausência: "A Rita ia vir, mas bebeu, ficou de ressaca e não
veio".
Mais irônica foi a produtora do filme, Marta Machado, ao receber o troféu de
trilha sonora: "Dedico este prêmio a Sérgio Dias, que inviabilizou o uso das
músicas dos Mutantes e nos levou a usarmos a música de outras bandas". A
produtora se referia a um dos integrantes do grupo dos anos 60 e 70, que era
integrado pelos irmãos Sérgio Dias e Arnaldo Batista e também por Rita Lee.
Dias, segundo Marta Machado, pediu uma quantia muito alta para que a
produção pudesse utilizar três músicas dos Mutantes, que eram a base do
roteiro original, forçando uma total reestruturação do filme.
"Veias e Vinhos", drama de João Batista de Andrade a partir do romance do
escritor goiano Miguel Jorge, recebeu dois prêmios: direção de arte e edição
de som. Outra produção pernambucana, o documentário "Orange de Itamaracá",
de Franklin Jr. e Márcio Câmara, venceu apenas o prêmio de melhor longa para
o público.
CURTAS E VÍDEOS
Na seção de vídeos nordestinos, o melhor, para o júri e para a crítica, foi
a produção paraibana "O Menino e a Bagaceira", de Lúcio Vilar, que retrata o
drama pessoal de Sávio Rolim, protagonista do filme "Menino de Engenho", de
Walter Lima Jr. (1965). O público preferiu a animação "Somos Somos", de
André Pyrrho e Paulo Fialho (PE). Entre os curta-metragens, o melhor para o
júri foi outra animação, o erótico "Deu no Jornal", de Yanko Del Pino (DF).
O público e a crítica preferiram "Eletrodoméstica", de Kleber Mendonça
Filho, que venceu também o prêmio de melhor atriz de curta para Magdale
Alves, atriz pernambucana que foi a verdadeira musa deste festival, por sua
participação em diversas das produções concorrentes (inclusive o vencedor em
longas "Árido Movie").
Foi, de maneira geral, uma premiação justa e que não despertou reclamações.
O balanço também foi positivo para a seleção de filmes, tanto longas quanto
curtas, uma das melhores da história do festival.
O mesmo não se pode dizer da locutora oficial do festival, Graça Araújo, que
teve uma de suas noites mais desastrosas. Errou diversos nomes de filmes,
fez uma chamada confusa dos premiados, tentou organizar mas acabou
confundindo ainda mais a entrada e saída de pessoas no palco do Cine-Teatro
Guararapes. (Neusa Barbosa, do Cineweb, especial
para a Reuters)
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