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Dorival Caymmi é homenageado no Museu Afro Brasil

A Vizinha do Lado, composição de Mario Cravo Jr.
 

"A imagem do som de Dorival Caymmi", exposição abrigada pelo Museu Afro Brasil de 6 de maio a 6 de agosto, reúne pinturas, desenhos, fotografias e instalações num ambiente onde se ouve a trilha sonora que inspirou os artistas. Ao lado de cada obra, há fones de ouvido para que os visitantes escutem as canções do compositor.

A mostra é parte do projeto criado e curado pelo designer gráfico Felipe Taborda para homenagear os principais compositores da música brasileira por meio da criação visual. Tom Jobim, Chico Buarque, Caetano Veloso e Gilberto Gil estiveram nas edições anteriores.

A imagem do som de Dorival Caymmi
» ONDE: Museu Afro Brasil (Pavilhão Padre Manoel da Nóbrega - Parque Ibirapuera, portão 10. Informações: (11) 5579-0593.
» QUANDO: de 6/5 a 6/8, de terça a domingo, das 10 às 18h
» QUANTO: entrada franca

(© UOL Diversão & Arte)


Aparecida Torneros e os 92 anos de Dorival Caymmi, o cara

Dorival, 92, o cara!!!

Como se não bastasse ele se chamar Dorival, ser baiano, ter fama de vagaroso, saber viver a vida, ter completado seus 92, no dia 30 de abril, bem quietinho, ser o figurão inspirador de uma família de músicos da melhor qualidade, o danado do poeta da canção brasileira, ainda é bonito como a peste.

Como vinho guardado em adega de bacana, ele conserva a textura do olhar conquistador de corações, tem jeito de me encosta que eu abraço, faz dengo na rede de manhã à noite, deve fazer um ciúme de morder a boca, na companheira de dezenas de anos, mas traz o carinho do povo brasileiro impresso na alma que canta suas letras inesquecíveis.

Tem operário de obra assobiando Marina, enquanto ajeita os tijolos na massa de cimento, o menino que vende amendoim , mesmo sem saber de onde vem aquele estribilho ( ele nem sabe o que signicica palavrinha tão sem graça), mas aprendeu a cantarolar..."Eu vou pra Maracangalha, eu vou.', ele lembra do Maraca...e .tome de repetir essa frasezinha tão sonora...

A manicure do salão do shopping, que anda nostálgica, com saudades da sua terra, choraminga: " "Ai, que saudade eu tenho da Bahia Ai, se eu escutasse o que mamãe dizia'Bem, não vá deixar a sua mãe aflitaA gente faz o que o coração ditaMas esse mundo é feito de maldade e ilusão' Ai, se eu escutasse hoje não sofriaAi, esta saudade dentro do meu peitoAi, se ter saudade é ter algum defeitoEu pelo menos mereço o direitoDe ter alguém com quem eu possa me confessar "...

Mas, o que me intrigou deveras, foi aquele garçom, provavelmente machista, em dia de domingo, num canto , sussurrando pra si mesmo: "Marina, morenaMarina, você se pintou Marina, você faça tudoMas faça um favorNão pinte esse rosto que eu gostoQue eu gosto e que é só meuMarina, você já é bonitaCom o que Deus lhe deuMe aborreci, me zangueiJá não posso falarE quando eu me zango, MarinaNão sei perdoarEu já desculpei muita coisaVocê não arranjava outra igual Desculpe, Marina, morenaMas eu tô de mal "
Caymi é o povo. O povo é Caymi... O pescador tem Caymi no canto dos ventos... na quebrada das ondas..A Bahia exportou Caymi pra o mundo...sem dó nem piedade, e ele anda por aí, devagar, bem devagar, compondo, talvez , tomando água de coco, com certeza, mas, dormindo na rede, isso é o mais sensato, porque ninguém é de ferro, e, aos 92, Caymi é de algodão doce... cabeça branquinha e alma de menino eterno. Ele é o cara!

Foi o menino Dorival que com a simplicidade do homem sábio disse: "O mar quando quebra na praia, é bonito...é bonito... "

Bonito é você, Dorival, bonita é a sua vida, bonita é a sua família, bonita é a sua alma brasileira, e mais bonito que tudo é o seu jeito de ser assim, quietinho, emocionando a gente, fazendo de conta que não está nem aí, pra hora do Brasil!

(© DeBrasilia)

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