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Eta Carinae traz novas alquimias

Os integrantes da banda Eta Carinae

Banda lança seu primeiro álbum, Mirando a estrela, trabalho moderno, criativo e dançante marcado pelo empenho autoral de Dirceu Melo

MARCOS TOLEDO

Tem um clima de novidade no ar da cena de música pernambucana. Acaba de sair do forno o primeiro álbum da Eta Carinae, banda liderada por Dirceu Melo. Integrante da extinta Jorge Cabeleira e o Dia em que Seremos Todos Inúteis, o cantor e guitarrista dá continuidade a um trabalho marcado pelo rock acrescido de escalas regionais.

No disco Mirando a estrela, contudo, o ouvinte vai encontrar um música não apenas contemplativa, mas também mais leve e dançante, assim concebida por meio do uso de um elemento novo na música de Dirceu – a eletrônica – e pela inclusão de um vocal feminino.

A idéia do grupo surgiu por volta de 2002, curiosamente após a participação de Dirceu como integrante da banda que acompanhou o percussionista Naná Vasconcelos durante a turnê do CD Minha loa. O guitarrista, que não gravou com Naná, teve que se atualizar em termos de equipamento para reproduzir ao vivo o que estava registrado no disco. “Foi aí que comecei a tirar timbres e a puxar para a eletrônica”, lembra.

Dirceu, porém, não se limitou ao uso de pedais delay e flanger, e se uniu, na época, aos músicos Felipe Machado (Originais do Sample) e Gilsinho (Bonsucesso Samba Clube) para desenvolver o trabalho que resultou no Eta Carinae (lê-se: êta carinái). Após várias mudanças, chegou à formação atual, com Karina Falcão (voz), Andrét Oliveira (teclados, trompete e programações), Kennedy Costa (baixo) e Fábio Xucurú (bateria), além do próprio Dirceu (voz, guitarra e programações). Cada um deles faz parte de outros projetos – Karina, da The Coffee Breakers, Andrét, da Eddie, Kennedy, da The Beatles Cover, Dirceu, da Manga Rosa e da Jimbo Blues –, porém, agora mantém o foco voltado para a Eta Carinae.

A inclusão de uma voz feminina veio junto com o desejo de mudança (antes de Karina passaram pelo grupo as cantoras Silvana Café e Bárbara Lessa). “Meu instrumento é a guitarra. No Jorge (Cabeleira), eu ficava muito preso nessa questão de tocar e cantar. Agora, posso me soltar mais como guitarrista”, afirma o band-leader.

Mas as diferenças entre a Jorge Cabeleira e a Eta Carinae não se limitam apenas à formação e ao uso efetivo dos elementos eletrônicos. Outras influências musicais passaram a fazer parte do repertório de Dirceu, como o samba. “Nos anos 2000, há uma ascensão do samba e do reggae na música pop brasileira pelo próprio astral que trazem para as pessoas”, analisa o guitarrista.

NA ESTRADA – A partir desta semana, com o lançamento de Mirando a estrela, a Eta Carinae entra em outra fase. A banda se prepara para cair na estrada, a partir do dia 19, numa turnê de dois meses pelos Estados de Goiás, São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná, Minas Gerais, Santa Catarina e Bahia, além do Distrito Federal. O grupo planeja para agosto o lançamento oficial do CD no Recife, com um show, ao que tudo indica, no Pátio de São Pedro.

Outro meio forte de divulgação da banda é a internet. Toda a turnê, aliás, está sendo viabilizada pela web, via MSN Messenger, blog e Orkut. E, a partir desta semana, o conteúdo do álbum também será colocado para download gratuito. “Internet não é tudo, mas é 100%”, brinca Dirceu. “Vamos disponibilizar tudo no site Recife Rock (www.reciferock.com.br), de graça. Hoje em dia, se você quiser ganhar dinheiro com a venda de CD, vai se dar mal. Tem que fazer a música chegar ao público, que vai pagar ingresso para o show.” O músico revela que a Eta Carinae também já tem propostas para realizar shows na França e na Inglaterra ainda este ano.

(© JC Online)


Trabalho coletivo contribui para um resultado harmonioso

Mirando a estrela, da Eta Carinae, surge como um disco moderno, criativo e dançante, facilmente moldável para platéia, pista e salão. Apesar da franca influência do trabalho anterior do guitarrista e vocalista Dirceu Melo – “um prolongamento normal”, segundo ele –, é ao mesmo tempo uma obra desprendida em forma e estilo. Um recomeço.

Isso fica claro na escolha do repertório. Dos 15 temas, apenas um data da época do Jorge Cabeleira, Puta. “Todas as outras foram feitas para o perfil que a gente queria dar ao Eta. Também quis fazer letras mais leves e músicas mais para cima”, explica Dirceu (também principal letrista da Jorge Cabeleira), autor de todas as composições, apenas cinco delas em parceria: Graça maior, Fugindo em ré menor e Ecos (melodias divididas com Andrét Oliveira), Véu da noite (letra com Karina Falcão) e Identidade (letra com Karina e Silvana Café).

Para atingir a sonoridade presente no álbum, sobretudo no uso adequado dos recursos eletrônicos, duas pessoas foram essenciais: os produtores Leo D. e William P. Foram eles que, a partir das bases criadas por Dirceu e Andrét acrescentaram novos elementos e timbres que resultaram nos arranjos finais do disco.

Patrocinado pela Chesf e Medical, por meio da Lei Rouanet, Mirando a estrela conta ainda com versões extras de dois temas. Samba louco (parte 2), em virtude de haver sido encontrada uma outra batida para uma mesma música, e Identidade 2, por ser uma música diferente que se encaixava bem após a primeira versão.

É bom ouvir também as vozes da estreante Karina e de Dirceu cada vez mais harmoniosas entre si. Um começo com pé direito.

(© JC Online)

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