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O cantor e compositor Del Feliz |
O clima já é de
São João. E o som tem de ser a base de triângulo, zabumba e acordeon. O novo
disco, “Isso é Forró”, do cantor e compositor Del Feliz se propõe justamente
a isto. Com 17 faixas, sendo uma delas interativa, este é o quinto da
carreira de Del e foi produzido de forma independente. O álbum traz
composições de referências do gênero como Alccioly Netto e Xico Bizerra,
além de canções autorais.
Os destaques vão
para “Nas asas da Asa Branca” (Rosalvo Antônio e Gilmar Santos), com
participação de Flávio José; “Beijo, Dengo e Cafuné”, com Del Feliz
dividindo os vocais com Santanna e o instrumental “Forró Sapeca”, de
Franciel do Acordeon. A canção “Voltas” feita pelo próprio Del em parceria
de Amorosa, se diferencia de outras faixas. A música traz influência do
gênero regional com uma levada de balada, que lembra composições de Alceu
Valença e Geraldo Azevedo.
Em entrevista ao
caderno Dia & Noite, o forrozeiro confirma essa influência, fala de seu
trabalho, parcerias e revela como foi o início de sua carreira em barzinho.
Tribuna da Bahia- Quando foi que o forró chegou a tua
vida?
Del Feliz – Comecei a trabalhar aos oito anos. Sou o
filho mais velho de seis. Tive de ajudar minha mãe e sustentar meus irmãos.
Nessa época, minha única diversão eram as rádios AM, no fim da tarde. Nesses
horários só passava forró. Eu escutava muito Jackson do Pandeiro, Luiz
Gonzaga e Trio Nordestino. Minha mãe cantava Reis e meus tios eram músicos.
Sempre gostei muito de música e o forró foi minha maior referência.
TB- Como foi o início de sua carreira musical?
DF- Eu comecei em barzinho cantando coisas como Eros
Ramazzoti, Elton John, Reginaldo Rossi, Milton Nascimento, Caetano Veloso,
Djavan. Daí veio aquele lance de descobrir que sou filho de Luiz Gonzaga e
meu negócio é o forró. O sotaque me entregava. Eu passei então a tocar forró
de raiz. Antes disso eu já inseria músicas de Zé Ramalho, Alceu Valença e
Geraldo Azevedo. Sempre fui criado com música nordestina. O engraçado é que
o pessoal pedia para tocar todos os gêneros, mas sempre acabava em forró.
Era meu estilo mesmo, não tinha para onde correr.
TB - O disco é todo de forró, exceto a canção “Voltas”.
Por que esse diferencial?
DF - Eu primo muito pela música raiz, totalmente
nordestina. Nessa canção, fiz algo bem nordestino e fora do forró. Este era
o universo que eu levava para o barzinho. Eu adoro artistas como Geraldo
Azevedo e Alceu. Eles fazem parte da minha influência.
TB- Como rolaram as parcerias com Santanna e Flávio
José?
DF – Sobre Flávio, posso dizer que ele é meu ídolo, uma
pessoa que tenho muito carinho. Fiquei muito feliz em poder contar com a
participação dele, por que Flávio é uma das grandes referências. Com
Santanna, aconteceu por que ele era amigo de Alccioly, um dos maiores
compositores. Eu tinha duas de Alciolly no disco. “Tê”, um poema dele para a
esposa, que eu musiquei e a canção “Beijo, Dengo e Cafuné”, uma inédita, que
Alccioly deixou inacabada. Xico Bizerra concluiu e Santanna escolheu essa
última, por conhecer a melodia.
TB- Como é trabalhar com disco independente?
DF- É aquela coisa que existe de dificuldade redobrada,
sobretudo na logística de fazer seu disco chegar ao mercado. A divulgação é
uma outra dificuldade. Eu me contento que a minha maior propaganda é a
qualidade de meu trabalho.
(©
Tribuna da Bahia) |
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