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O show gratuito `A cor da cultura Matrizes da MP´ reúne grandes nomes, amanhã, na Concha Acústica Por Ana Cristina Pereira A terça-feira terá tons de celebração em Salvador. Localizando melhor, na Concha Acústica do TCA, onde acontece o show A cor da cultura - Matrizes da MPB, que reunirá, de uma só leva e grátis, Martinho da Vila, Ney Lopes, João Bosco, Luiz Melodia, Ilê Aiyê, Olodum, Beth Carvalho, Riachão, Rita Ribeiro, Cláudio Jorge e Luiz Carlos da Vila. Eles se apresentam, a partir das 19h, marcando o encerramento da primeira etapa do projeto educativo A Cor da Cultura, que busca a valorização da herança afro-brasileira. O show será a oportunidade única de ver esses artistas reunidos em torno da proposta de valorizar canções influenciadas por ritmos de origem negra como samba, coco, ijexá, choro, jongo e pagode. A espinha dorsal da apresentação está no disco Matrizes, dos cantores e compositores cariocas Cláudio Jorge e Luiz Carlos da Vila, lançado no início do ano pela Rádio MEC. Em conversa por telefone, do Rio de Janeiro, Cláudio explica que o disco foi idealizado para mostrar "a influência da música africana na MPB". Depois de constatar que seria impossível abarcar os muitos gêneros que se espalham pelo país, a dupla optou por 14 ritmos, a maioria bem conhecidos, como os acima citados. "Um ou outro, como a catira, originário de Goiás, é menos popular", constata Cláudio, que também assume a direção musical do show. A seleção musical do disco combina algumas inéditas com releituras como Pau-de-arara (Luiz Gonzaga e Guio de Moraes), O canto da ema (João do Vale) e Camisa molhada (Riachão). O show segue no mesmo clima, mas não necessariamente preso ao repertório do disco. A música de abertura, com Cláudio e Luiz Carlos, será O daqui, o dali e o de lá, parceria de Serginho Meriti e Bira da Vila e espécie de síntese do trabalho, já que a letra elenca os muitos desdobramentos sonoros da herança africana. "Resolvemos ampliar a idéia, chamar outras pessoas", afirma o produtor Paulinho Albuquerque, que assina a direção geral do evento. Ele se refere, por exemplo, aos afros Ilê Aiyê e Olodum, que participam com suas respectivas bandas e defendem o ijexá e o samba-reggae. O roteiro da apresentação seguirá alternando atrações, promovendo alguns encontros e prometendo boas surpresas. Segundo Albuquerque, a idéia é que cada artista apresente estilos diferentes, de modo a oferecer um painel abrangente. Assim, João Bosco vai de samba-enredo, Ney Lopes de partido alto e jongo, Beth Carvalho de samba de bloco ("aquele samba de embalo, bem carioca", define Albuquerque), Riachão de samba-de-roda, Rita Ribeiro mostra o boi e o divino maranhenses, Luiz Melodia o samba choro, e Martinho da Vila, o calango e a tocada. Estão previstos encontros como o de Melodia e Riachão, que interpretam o clássico Cada macaco no seu galho. Uma banda comum, formada por nove músicos cariocas, acompanha todos os artistas. No final, a trupe se reúne para cantar a marcante Kizomba, festa da raça, samba de Rodolfo, Jonas e Luis Carlos a partir do enredo de Martinho da Vila, que fez a Vila Isabel vencedora no Carnaval de 1988. "Kizomba é um termo que quer dizer festa, celebração, e não deixa de ser o que vamos fazer. A música popular de melhor qualidade de países como Brasil, Cuba e o próprio Estados Unidos não existiria sem a rítmica africana", considera Albuquerque. O show será apresentado por Zeca Camargo e Adriana Couto e será transmitido, após seu término, pelo Canal Futura, um dos parceiros de iniciativa. Os baianos também podem assisti-lo no mesmo dia, a partir das 22h25, na TV Salvador. Com o show, o projeto A Cor da Cultura vence a primeira etapa, de capacitação de professores para o ensino da história e cultura afro-brasileira. Duas mil escolas de sete estados (além de Bahia, São Paulo, Rio Grande do Sul, Pará, Maranhão, Rio de Janeiro e Mato Grosso do Sul) receberam um kit educacional e a visita de uma equipe de profissionais para treinar os professores. O projeto A Cor da Cultura é uma iniciativa que envolve instituições públicas e privadas na tentativa de colocar em prática a Lei 10.639, implementada no início de 2003, que tornou obrigatório o novo conteúdo para as escolas dos ciclo fundamental e médio de todo o país. O kit foi formado por três cadernos com dicas de utilização do conteúdo, glossário com definição de 206 palavras de origem africana, CD com 16 músicas com ritmos característicos do Brasil, jogo educativo sobre personalidades da cultura afro-brasileira e oito VHS com programas produzidos pela TV Cultura. Até o final da semana passada, havia um desencontro de informações sobre a quantidade de ingressos para o show a ser disponibilizada para a população, já que uma parte seria distribuída em bônus entre instituições. Mas, segundo Pagana Carvalho, da Caco de Telha, responsável pela produção local, os bônus funcionam como incentivo, não assegurando reserva de ingressos. A distribuição, para todos os interessados, obedecerá a capacidade de 5,5 mil pessoas do espaço. FICHA Show: A cor da cultura - Matrizes da MPB Atrações: Martinho da Vila, Ney Lopes, João Bosco, Luiz Melodia, Ilê Aiyê, Olodum, Beth Carvalho, Riachão, Rita Ribeiro, Cláudio Jorge e Luiz Carlos da Vila Quando: amanhã, às 19h Onde: Concha Acústica do TCA Ingressos: grátis, retirados nas bilheterias do TCA (hoje) e da Concha Acústica (amanhã) |
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