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Música nordestina perde Elino Julião 

O cantor Elino Julião

Elino escreveu um capítulo importante da história do forró, porém caiu no ostracismo nos anos 80

JOSÉ TELES

Um AVC matou, sábado à noite, em Natal (RN), Elino Julião, um dos grandes nomes do forró. Ele foi contemporâneo de Luiz Gonzaga, Jackson do Pandeiro, Genival Lacerda, Jacinto Silva, Marinês, embora pouco conhecido das novas gerações. Nascido em 13 de novembro de 1936, na fazenda Toco, na cidade de Timbaúba dos Batistas, no Sertão do Seridó (RN), Elino Julião foi menino pobre que, desde garoto, mostrou inclinação pela música. Aos 12 anos, na carroceria de um caminhão, chegou a Natal para morar na casa de uma tia. Logo passou a freqüentar os programas de calouros das emissoras natalenses.

Conheceu Jackson do Pandeiro, no final dos anos 50, na Rádio Poti, de Natal, que o convidou a tentar a sorte no Rio de Janeiro. Elino Julião só gravou o primeiro disco em 1961, na extinta Chantecler, sem sucesso, o que conseguiu quando se mudou para a antiga Phillips (atual Universal Music) e lançou Xodó de motorista e Puxando fogo, que se tornaram clássicos do forró e fizeram de dele um dos nomes conhecidos do gênero. Na CBS (atual Sony BMG), pela qual gravou durante 23 anos, o cantor teve o seu período mais bem-sucedido (deixou a gravadora em 1986). Tendo o sanfoneiro Abdias como produtor, a CBS era uma das campeãs de vendagem do forró até meados dos anos 70.

Ao longo de meio século de carreira, Elino Julião lançou mais de quatro dezenas de discos em vinil (incluindo compactos), mas apenas quatro títulos em CD. São deles, como autor ou intérprete, os clássicos da música nordestina: O rabo do jumento, Filho de Guaiamum, Forró da Coréia, O burro, Vou pra Tamarineira, entre muitas outras. Elino Julião morava em Natal, onde é considerado um dos mais importantes representantes da música potiguar. O cantor foi sepultado ontem, no cemitério Morada da Paz, em Natal.

(© JC Online)


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