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BANDEIRA Lima abre exposição na noite de hoje no Ideal Clube |
O artista plástico Bandeira
Lima realiza, neste sexta-feira, no salão Macambira do Ideal Clube, a
exposição Explosão de Cores, em homenagem aos 84 anos de nascimento de seu
tio, o pintor Antônio Bandeira
Depois da linha do trem, dobrando à esquerda na primeira rua,
passam-se alguns quarteirões, dessa vez à direta, até uma rua comprida, que
dá de novo na linha do trem. As curvas sinuosas levam a uma casa
modestamente organizada, e por isso aconchegante. Em meio à área de pisos
marrons com desenhos geométricos nos aguarda um pintor, de cabelos e barba
grisalhos, ligeiramente calvo, de lupa e com um sorriso de quem interrompe a
espera. "Foi difícil encontrar?". Realmente foi.
O ateliê do artista plástico Bandeira Lima funciona na casa onde vive com a
esposa Liduína, sua produtora cultural, e seu filho caçula Émerson, no
bairro que transita pela Parangaba, Montese e outros tanto - nessa cidade é
difícil demarcar os limites. Na área, as cadeiras de plásticos coloridas
combinam e dão suporte aos quadros recém feitos, que secam sua tinta fresca.
"Tem que estar tudo pronto até sexta".
A data do dia 26 de maio comemora o nascimento do tio, Antônio Bandeira,
artista plástico cearense conhecido internacionalmente, irmão e afilhado de
dona Júlia, mãe do outro Bandeira, o Lima. "O (Antônio) Bandeira ainda tinha
muita produção a fazer. Ele deixou uma lacuna muito grande, porque não deu
tempo ele terminar a produção. Meu intuito é dar continuidade a isso, não
querendo ser um Bandeira, ele é único, fazia um trabalho belíssimo, seu nome
é muito forte, sua arte era muito forte", diz, explicando o slogan Seqüencia
de Raízes. "É uma responsabilidade muito grande carregar esse nome",
interrompe a esposa.
Bandeira Lima tinha 11 anos quando Antônio Bandeira morreu, em 1967, vítima
vítima de uma mal-sucedida operação de amídalas. Por isso, o sobrinho não
pode acompanhar in locu produção do tio. "Mas eu sempre ia à exposições e o
trabalho dele me serviu de inspiração". A pintura veio por hobby, em 1973,
entre um expediente e outro na Cagece, até que em meados da década de 80, a
vida artística foi ganhando força, dedicando-se a ela hoje, com
exclusividade.
Explosão de Cores, título bem apropriado à exposição que acontece no hoje no
Ideal Club, traz 22 obras em óleo sobre tela e algumas técnicas mistas, como
o pó de madeira, que dá relevo às obras, e o pó de acrílico, que produz um
efeito cintilante nos quadros. Além disso, massas, texturas, traços rápidos,
com cores fortes e formas que a cada olhar produz novos objetos compõem a
obra do artista. Isso produz vida às obras, em que as imagens e os sentidos
dependem do olhar do espectador. As cores, principal ponto de partida do
artista, são vibrantes, sem serem agressivas, em tons harmoniosos, mas
impactantes. Completam a obra uma réplica do primeiro quadro de Antônio
Bandeira, Castelo, lago e cisney, de 1937, na época com 15 anos. "O quadro
era em papel, estava muito gasto. Reprooduzi para que as pessoas conhecem
essa obra".
Misturando-se às cores, algumas pinturas antropomórficas, como Os
sem-terras, obra que mistura o abstrato com marcas de impressionismo,
mostrando forma que sugerem rostos e corpos que flutuam sobre o tela. Em seu
currículo, Bandeira Lima carrega vários prêmios conuistados ainda no início
de sua trajetória, entre os quais os do Salão dos Novos, do Estado e do
Município, e já vem rompendo os limites estaduais com uma exposição na
Galeria do Encanto dem Brasília, em 2001.
Da obra parida, Bandeira Lima diz se identificar pela harmonia das cores.
"Gosto da pintura clássica, acadêmica e com traços perfeitos, mas acho que
ela não nos possibilita ir além e, por tentar ser perfeita, pode castrar o
artista. Mas vamos cuidar que ainda tem uma puxada boa até amanhã".
SERVIÇO
Explosão de Cores, exposição do artista plástico Bandeira Lima, com
coquetel, hoje (26), no Salão Macambira do Ideal Clube (av. Monsenhor Tabosa
, 1381 - Meireles). Entrada Gratuita. Informações: 3258.5688.
(©
O Povo) |
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