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Dupla repete sucesso no FIHQ

 

O pernambucano Jarbas Domingos e o paulista Dálcio Machado, pela quarta vez, foram premiados em diferentes categorias do Festival Internacional de Humor de Quadrinhos

CAROL ALMEIDA

De todos os premiados do Salão de Humor e Quadrinhos de Pernambuco, dois rapazes em especial estavam sorrindo à toa ontem. O pernambucano Jarbas Domingos e o paulista Dálcio Machado, pela quarta vez, ganharam o prêmio maior em diferentes categorias do festival. O primeiro, novamente, com uma história em quadrinhos. O segundo com uma charge. Juntos, Jarbas e Dálcio representam uma geração de cartunistas e quadrinistas que passaram a projetar seu nome a partir de festivais como o que acontece no Recife.

Jarbas, que havia sido premiado na semana passada com o 2º lugar do 14º Salão Universitário de Piracicaba, tem apenas 26 anos e um currículo extenso em premiações do tipo. Com o dinheiro acumulado em salões, ele já conseguiu comprar um apartamento, um carro e, o melhor de tudo, contato com grandes editoras nacionais como a Abril, que o contratou para ilustrar uma revista de circulação nacional. “É devido a esses salões que as pessoas passaram a me conhecer”, diz Jarbas, que pensa em editar seus trabalhos premiados e “os que estão aqui em casa e ninguém viu ainda” em um livro. “Só não fiz isso ainda porque não tenho habilidade nenhuma em lidar com leis de incentivo à Cultura”, confessa ele.

Um pouco mais experiente, mas igualmente feliz com a notícia da premiação, Dálcio, 34 anos, garante que são, de fato, com os salões que ele conseguiu firmar seu nome no mercado. “Justamente em função desse lance de falta de espaço, comecei muito cedo participando de festivais”, lembra o cartunista. E o “cedo” a que ele faz referência é cedo mesmo: aos 14 anos enviou um desenho para o famoso Salão de Piracicaba, cidade próxima de Campinas, onde até hoje ele mora. “Não fui selecionado. Mas no ano seguinte me inscrevi de novo e fui o mais jovem expositor em Piracicaba.” Convidado já algumas vezes para o festival pernambucano, Dálcio garante que suas qualidades gráficas nem um pouco se assemelham às suas virtudes retóricas: “Eu sou travado pra essa coisa de palestra. E dizem que eu não vou que é pra poder ganhar prêmio, mas não é não”, garante.

Jarbas e Dálcio ganharam pela universalidade e caráter social de suas mensagens. Jarbas apostou novamente em uma seqüência sem balões, em uma história que faz paródia ao chamado ciclo da vida (ver quadrinhos abaixo). Já Dálcio ganhou na categoria charge com um trabalho que bem poderia ter sido selecionado como cartum, com um assunto que não tem nada de factual, nem no Brasil nem no mundo: prostituição infantil (ver imagem na galeria do JC Online).

Os demais vencedores da oitava edição do evento foram: o paulista Orlandeli (com esse cartum dos pinguins, ao lado, que dispensa apresentações), o carioca Walter Vasconcelos, com uma ilustração das mais poéticas, e o baiano Hector Salas, com uma caricatura bem atualizada do presidente boliviano Evo Morales. Todos estão expostos no primeiro andar da Torre Malakoff, no Bairro do Recife.

A comissão julgadora, formada por pessoas como Gual, que é quase um HD do humor e dos quadrinhos no Brasil, e pelo norte-americano Peter Kuper, optaram não apenas pelo estilo graficamente virtuoso (as caricaturas e ilustrações provam muito isso), como particularmente pelos conteúdos que as imagens passaram. O resultado foi uma seleção como poucas.

(© JC Online)

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