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JOSÉ TELES “Um Ronaldinho incomoda muita zaga/dois Ronaldinhos incomodam muito mais”, o refrão, cujo original é bem conhecido, faz parte da embolada O fenômeno e o gaúcho, uma das faixas do mais novo disco da dupla Caju & Castanha. Levante a taça (Trama) chegou em cima da Copa às lojas, mas se o rádio tocar é candidato à lista dos sucessos deste mundial. Não apenas esta música, como a maioria da 14 que estão no CD, que tem como tema a mais badalada das competições esportivas: “A idéia do disco foi de João Marcelo (Bôscoli). Ele perguntou se a gente topava fazer um disco sobre a Copa já que sempre mexemos com futebol. A gente topou, e tudo ficou pronto em menos de dois meses”, conta Castanha. O disco anterior da dupla também teve o futebol por tema, cantaram uma série de clássicos entre os principais clubes brasileiros. Embolando no futebol, o título do disco, é introduzido, aliás, com a mais clássica das aberturas de narrativas futebolísticas do país: “Abrem-se as cortinas e começa o maior espetáculo do futebol para delírio da torcida brasileira”, marca registrada de um dos maiores narradores da história do rádio: Fiori Giglioti, falecido um dia antes do início desta Copa. Neste álbum a abordagem vai da aclamada superioridade da seleção brasileira ao número de campeonatos levantados e a coincidência de dois supercraques homônimos no mesmo time. Desde oito anos na rua “quebrando dedo”, como Castanha chama tocar pandeiro, tanto ele quanto o falecido irmão Caju (foi substituído pelo sobrinho que tem o mesmo apelido) tiveram pouco tempo jogar peladas nas ruas, depois da escola, porém bateram sua bolinha: “A vida da gente foi só trabalho, mas de vez em quando conseguia uma brechinha para jogar uma pelada, lá no campo do Café, na Linha do Tiro, um campo que nem existe mais”, conta Castanha, que torce pelo Corinthians e Santa Cruz, enquanto Caju é torcedor do Sport. Para um disco feito com a bola quase no gramado, Levante a taça não está fazendo feio. Na primeira a semana de lançamento, praticamente sem divulgação, vendeu toda a primeira tiragem: “Algumas rádios em São Paulo já estão tocando, principalmente O fenômeno e o gaúcho. Acho que depois que a gente fizer os programas de TV, sair mais nos jornais, a coisa pega”, diz confiante Castanha. A música sobre os dois Ronaldos terá direito a um clipe no programa Mais você, de Ana Maria Braga. Ele lembra que o disco já chegou na Alemanha, está sendo tocado e vendido nos estandes que a gravadora montou perto dos estádios: “E aqui no Brasil já caiu na pirataria”, diz o embolador. Feito nos discos anteriores, Caju e Castanha dividem-se entre a embolada e o forró, o vaneirão, tudo com letra muito simples e melodias assoviáveis, com refrões feito para serem cantados em coro, como o caso de Pega que eu quero ver (o que querem ver pegar é o ataque do Brasil): “O disco é equilibrado, duas músicas, e uma embolada, tudo inédito, e muita batida diferente”, explica Castanha. Mundial de futebol à parte, a dupla continua em disparada. A Trama está lançando mais um DVD de Caju & Castanha,com o registro do programa Ensaio, da TV Cultura, que tem uma das últimas apresentações em TV do irmão Caju, e participações de Lenine, Zé Ramalho e Chico Science, que canta com a dupla Roda rodete rodiano (gravada por Science e lançada depois de sua morte). Castanha diz que o disco tem tudo para vender tão bem quanto seus trabalhos anteriores na Trama: “Agora estamos dependendo da seleção. Se ela se der bem, a gente também vai estar bem. Se perder, aí a gente se lascou”. Preço sugerido: R$ 9,90 Spok promove Carnaval “improvisado” em Berlim
ÁLVARO FILHO A inclusäo de última hora do frevo numa tarde com forte sotaque carioca, graças ao Afroreggae e a cantora de fankeira Sandra de Sá, só aconteceu porque Spok e sua orquestra desceram numa escala em Frankfurt, após uma turnê de quatro shows na China. Os organizadores, então, fizeram o convite que foi, prontamente, aceito. O clima de convidado de última hora ficou evidente no momento que o locutor apresentou os pernambucanos, após a morna apresentacäo do Afroreggae, deixando bem claro que a performance não levaria mais de 20 minutos. A orquestra nem subiu ao palco, para não atrapalhar a composição o ajuste de som preparado para Gil e seus “convidados”. Melhor assim. No chão, os 16 componentes abriram a apresentação com a marca registrada do Carnaval pernambucano: o frevo Vassourinhas. Foi a senha para o que parecia apenas uma “interveção” de última hora se tornar o melhor da festa. Por mais de 20 minutos, para desespero da rigidez do apresentador alemão que subiu ao palco e agradeceu por várias vezes, dando a deixa para a folia terminar, o frevo tomou conta da Casa da Cultura, ao lado da Praça da República e do Parlamento Alemäo, no coração de Berlim. Entre os foliões, pernambucanos ou aparente freqüentadores do Carnaval olindense, traçando tesouras e pedindo para tocar os hinos Ceroulas e Olinda, quero cantar. E os pedidos foram atendidos. O desfile seguiu pela área antes reservada apenas para o público e formou uma espécie de bloco, com o povo seguindo a orquestra. Ficou faltando apenas as ladeiras. Os “penetras” na festa acabaram fazendo, talvez pela espontaneidade, a parte mais animada do show. Nem o Afroreggae, com a sua apresentacäo “tipo exportacäo” (sempre se comunicando em inglês com o público, no tipo, “we don’t need violence” e com um repertório eclético pautado em hits de outros cantores, de Raul Seixas a Paralamas do Sucesso), nem o próprio dono da noite, que cedeu demasiado espaço para a irregular Sandra de Sá e a sempre boa Margareth Menezes, conseguiram reproduzir o verdadeiro sentimento que alemäes, brasileiros e estrangeiros procuram na chamada world music: genuinidade. |
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