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Lucas Santtana aposta na força da web  

Sérgio Fotógrafo

Lucas Santtana com Davi Moraes

CARLOS CALADO
ESPECIAL PARA A FOLHA

Lucas Santtana não tem mais ilusões em relação ao mercado do disco. "A indústria está ficando obsoleta", diz o compositor e cantor baiano, que lança seu terceiro álbum, "3 Sessions in a Greenhouse", já disponibilizando seis das nove faixas, gratuitamente, na internet. "A coisa mudou, e eu percebi isso de maneira prática. Nunca ganhei dinheiro com disco e sei que outros artistas da minha geração também não ganham", afirma o músico radicado no Rio, que percebeu o poder de divulgação da internet ao fazer shows em lugares nos quais não havia tocado antes.

Consciente de que seus CDs anteriores foram distribuídos de forma restrita, ele se surpreendeu ao ver suas canções cantadas e pedidas pela platéia, em Fortaleza e Brasília. A razão para isso só poderia estar nos downloads da rede, concluiu. "Passei por todas as etapas. Lancei o primeiro disco por uma gravadora pequena distribuída por uma major. Depois tive meu próprio selo com distribuição independente. Agora tenho meu selo, fazendo a própria distribuição e disponibilizando os arquivos. Fui vendo o que dava certo ou não." Gravado com patrocínio da Petrobras, as faixas do novo álbum podem ser baixadas no site do selo do compositor.

Faixas como a instrumental "Awô Dub", que abre o álbum, ou a bem-humorada "Lycra-Limão" ("menina me dê seu jeitinho vulgar / de topzinho, chinelinho ou calção / é barato de ter, é baratinho venha ver") revelam uma evidente ligação com os ritmos da Jamaica.

"É ela que dá unidade ao disco", admite o compositor, contando que é fã da música jamaicana, especialmente do dub, sua vertente mais experimental. "Lá, pela primeira vez no Terceiro Mundo, as pessoas produziram música a partir de máquinas."

Mangue beat

Outra referência marcante é o mangue beat pernambucano, exibida na própria letra de "Tijolo a Tijolo, Dinheiro a Dinheiro" ("Já disse Nação Zumbi: "toalha nova não enxuga'"). "O mangue beat foi um divisor de águas, não só musicalmente, mas em atitude também. Sempre me identifiquei com eles", confirma o compositor.

Já na vibrante releitura do samba "Ogodô Ano 2000", de Tom Zé, Santtana divide os vocais com o compositor. "Tom Zé consegue fazer música realmente popular, correndo todos os riscos. Ele estica a música para todos os lados. Meu prazer é esse", diz.

CARLOS CALADO é jornalista e crítico musical, autor do livro "A Divina Comédia dos Mutantes", entre outros

3 SESSIONS IN A GREEHOUSE
Artista:
Lucas Santtana
Gravadora: Diginóis

(© Folha de S. Paulo)

Clique aqui para acessar o site de Lucas Santtana

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