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Érika Nunes
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Geraldo Amâncio |
Após temporada de shows pelo
Nordeste, o cantador cearense Geraldo Amâncio apresenta aula-espetáculo
sobre cordel e cantoria na abertura do II Encontro de Mestres do Mundo, em
Russas. Os Mestres da Guitarrada e Silvana Duarte, da Odissi Dança Clássica,
são as demais atrações da noite de hoje
Tudo começou de um convite. Após aceitar a convocação da professora de
Letras da Universidade de Coimbra, Maria Aparecida Ribeiro, o cantador
cearense Geraldo Amâncio arrumou as malas e partiu para Portugal, em março
deste ano. A idéia era ministrar aulas teóricas e práticas de cordel e
cantoria no Instituto de Estudos Brasileiros, departamento da faculdade
portuguesa. "Era para mostrar o lado didático da cantoria que ainda não foi
mostrado. Pouco se sabe sobre a construção do verso, de onde vem a cantoria,
a formação silábica", afirma Geraldo, que traz a oficina para a abertura do
II Encontro de Mestres do Mundo, hoje à noite em Russas. A oficina ganha o
formato de "aula-espetáculo" - lembrando Ariano Suassuna.
Na Universidade de Coimbra, Geraldo recorda que sentiu receio em dar aulas
para acadêmicos. "Mas ficava imaginando: eles são doutores nas áreas deles;
eu sou doutor na minha. E acabou sendo bastante interessante, porque fizeram
várias perguntas. Todos que participaram do curso já pesquisavam sobre
cultura brasileira", comenta. Aos poucos, o repentista ganhava confiança e
chegou até a fazer apresentação de cantoria, ao lado do também cantador
Gonzaga da Viola, no Teatro Paulo Quintela, em Coimbra. "Foi o momento mais
interessante, devido à aceitação do público. No nosso estilo de cantoria,
fazemos as despedidas cantando Coqueiro da Bahia. Todo mundo ficou de pé. E
olha que eram umas 350 a 400 pessoas no teatro", lembra Amâncio.
Mas o encontro do poeta com Portugal não é de hoje. Há 11 anos, Geraldo
Amâncio fez shows no Museu de Etnologia e Arqueologia, em Lisboa. "Foi um
encontro com os poetas de lá, como a Maria Celeste, dos Açores. Eles cantam
em estilos diferentes e acompanhados com violões e guitarras portuguesas. Os
poetas dos Açores têm um estilo mais desgarrado, em quadras e trovas.
Enquanto nós, temos cerca de 80 modalidades de cantoria", explica Geraldo. A
aceitação do público de Lisboa foi tão grande que o repentista acabou
fazendo oito apresentações.
Nascido em abril de 1946, no sítio Malhada de Areia, no município cearense
de Cedro, Geraldo Amâncio carrega o dom da cantoria no sangue. Seu avô
paterno, Manoel Amâncio Pereira, era cantador amador, mas Geraldo aprendeu
mesmo o feitio ouvindo programas de rádio com violeiros. De lá para cá,
aperfeiçoou a técnica e já contabiliza cerca de 150 prêmios de primeiro
lugar, ganhos ao longo de uma estrada que completa pouco mais de quatro
décadas de cantoria.
Se Geraldo Amâncio apresenta a aula-espetáculo no auditório da Câmara
Municipal de Russas, ele prepara um show bem humorado, declamando versos e
cantando na Praça José Osterne, em Limoeiro do Norte. "Fiz uma apresentação
no Theatro José de Alencar, a convite de Oswald Barroso, com muito humor no
verso e na prosa. Vou trazer esse show para Limoeiro", diz. Com a agenda
lotada, Geraldo Amâncio segue para o II Encontro de Mestres do Mundo, após
uma série de apresentações em São João dos Patos, no Maranhão; em Caruaru,
Pernambuco; e Mossoró, no Rio Grande do Norte.
SERVIÇO
II Encontro de Mestres do Mundo - De hoje (27/6) a 2 de julho, em Russas e
Limoeiro do Norte. Aula-espetáculo com Geraldo Amâncio, a partir das 20h, no
auditório da Câmara Municipal, em Russas. Show amanhã, às 21h30, na Praça
José Osterne, em Limoeiro do Norte. Grátis. Info.: 3246.2708.
(©
O Povo)

OS MESTRES da
Guitarrada com Regina Casé durante gravação
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EM RUSSAS
Mestres da Guitarrada tocam na
abertura
Mestre Vieira, Mestre Curica e Aldo Sena também animam a noite de abertura
do II Encontro de Mestres do Mundo, às 21h, na Praça do Estudante, em
Russas. Após apresentação no início do mês em Fortaleza no Centro Dragão do
Mar de Arte e Cultura, os Mestres da Guitarrada voltam ao Ceará para mostrar
um pouco mais do ritmo paraense, que mistura choro, carimbó, merengue e
maxixe. Idealizado pelo guitarrista e pesquisador musical Pio Lobato em
2003, o projeto colhe resultados positivos por onde passa.
Expoente do carimbó do Pará e fundador do Grupo Uirapuru ao lado do Mestre
Verequete, Mestre Curica traz o banjo à guitarrada. Mestre Vieira é o
criador da "guitarrada homônima", que mistura guitarra com corda de violão,
amplificador de pilha e uma espécie de caixinha, de onde ele começou a tirar
sons com influências caribenhas em meados de 76. Já Aldo Sena cria sua
interpretação da guitarrada, misturando influências do rock.
Os Mestres se alternam no percurso do show. O banjo de Mestre Curica ao som
da guitarra dos outros dois mestres é a principal inovação do espetáculo. O
instrumento faz a base e deixa a música mais animada e dançante. Ao final do
show, Mestre Vieira começa a tocar com diferentes suportes, como garrafa,
copo, celular, sapato e outros materiais que servem de instrumentos no
palco. Na quarta, é a vez dos Mestres da Guitarrada tocarem em Limoeiro do
Norte.
(©
O Povo) |
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