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Apresentador e ator Márcio Wernek produz filme sobre o gaitista autodidata que cria seus próprios instumentos e criou um estilo único MARCOS TOLEDO O músico, apresentador de TV e ator Márcio Werneck sabe muito bem como é difícil um artista ser reconhecido em seu próprio lugar. Integrante da Caboclada, o compositor cansou de ver em São Paulo o sucesso de bandas pernambucanas, enquanto a sua própria não era tão valorizada por lá (mal sabe ele que ocorre, muitas vezes, o contrário por aqui). “Santo de casa não faz milagre”, diz, repetindo um dito popular. Atento a esse (mau) costume e admirador da cultura nordestina, Márcio quer agora fazer justiça a um artista popular cuja obra começa e encerra em si mesmo: Tavares da Gaita. Márcio Werneck é um artista que adora viajar e conhecer o diferente. No exterior, já foi à Índia, Espanha, Marrocos, Cuba e Indonésia. No Brasil, em uma de suas viagens profissionais, conheceu de perto a velha guarda da música popular do Agreste pernambucano – Tavares, João do Pife, Azulão Camarão, Zé Vicente da Paraíba, Mestre Galdino – e decidiu que faria um trabalho de audiovisual sobre eles. Sua primeira iniciativa é um documentário sobre o gaitista, que ele pretende finalizar ainda este ano. O contato com o trabalho de Tavares da Gaita, 81 anos – que, além de autodidata em seu instrumento, cria outros a partir de materiais que tem à mão –, tem mais de uma década. “Em 1994, eu dava aula numa escola em São Paulo. Uma professora (Teca Alencar) tinha instrumentos do mundo inteiro. Vi os de Tavares e fiquei fascinado para saber quem ele era”, conta Márcio. O músico paulista aproveitou uma de suas férias e veio de carro para passar uma semana no interior do Estado e conhecer de perto dos artistas, em Caruaru. Há três anos, sua produtora de vídeo passou a atender a fábrica da Montilla em eventos como o São João de Caruaru e de Campina Grande. Ele, então, aproveitou para captar imagens do que seria seu documentário sobre Tavares. O resultado é um teaser de 6 minutos com um belo material no qual ele exercita sua experiência de já ter realizado trabalhos como o especial Brasil é aqui (GNT, 2001/2002) e com o qual busca patrocínio para rodar e finalizar o filme. Desde 2003, Márcio Werneck já veio uma dezena de vezes a Pernambuco, duas delas exclusivamente visando à produção do documentário, que ele pretender gravar em vídeo digital e finalizar em película. “Tavares é uma figura singular”, explica o autor, sobre o motivo que o levou a desenvolver esse projeto. “Não tem seguidores e sua arte é única. Isso é o que me fascina. Seu jeito de tocar gaita, autodidata, não tem igual. Quero registrar isso da melhor maneira possível.” O diretor afirma ainda que vai brigar pela inauguração de um museu sobre a obra de Tavares da Gaita em Caruaru, onde possam ser expostos todos os instrumentos artesanais criados por ele. Márcio foi também um dos responsáveis – ao lado do gaitista carioca Jefferson Gonçalves e do cantor e compositor caruaruense Herbert Lucena – pela gravação do único CD de Tavares, Sanfona de boca, lançado em 2004. CATREVAGEM – Com o auxílio de material de arquivo, o músico paulista pretende contar a história de Tavares, não apenas a do gaitista, pessoa de vida árdua que aprendeu a tocar sozinho – Márcio descobriu que Tavares chegou até a fazer promessa para não aprender nada com ninguém –, mas também a do inventor popular, que cria instrumentos a partir de seu imaginário. Uma arte à qual o diretor se refere sempre utilizando uma palavra do Mestre Galdino e que se transformou no tema de uma das músicas de sua banda, a Caboclada: catrevagem. “Ele (Galdino), quando vai fazer um troço, bota uma coisa, não serve, bota outra, e assim vai. Quando funciona, é o processo de catrevagem. O documentário vai ser mais uma catrevagem digital”, avisa. O filme deverá ter ainda a participação de vários artistas que acompanham o trabalho de Tavares – entre eles o percussionista Naná Vasconcelos –, além de um poema recitado por Zé Vicente da Paraíba e uma referência ao relacionamento de mais de meio século do gaitista com sua esposa, Dona Bila. Márcio já possui cerca de 20 horas de material gravado. Seu cronograma prevê ainda três meses de trabalho, que se dividirá entre uma semana de pesquisa em Caruaru, mais duas semanas em São Paulo, 10 dias de gravação e dois meses para finalização. O orçamento do documentário gira em torno de R$ 280 mil, valor que já inclui a transferência para película, que custa cerca de 30% do total. Ele espera aproveitar os 150 anos de Caruaru, em maio de 2007, para fazer o lançamento do filme, que deve ficar com uma duração de 54 minutos, formato ideal para ser vendido também para o mercado televisivo. Em seguida, o projeto de Márcio é realizar outro documentário, sobre a velha guarda da música popular de Caruaru e região. FIG investe na Guadalajara Maria Rita, Vanessa da Mata, Barão Vermelho, Otto e Nação Zumbi reforçam grade do principal palco do Festival de Inverno de GaranhunsFABIANA MORAES Uma mostra de artes plásticas, outra de cinema, um círculo de leituras focando apenas autores pernambucanos, uma tenda dedicada à música cubana e uma parceria com a emissora MTV são as novidades da 16ª edição do Festival de Inverno de Garanhuns, que teve a sua programação divulgada ontem no Teatro Arraial pelo presidente da Fundarpe, Bruno Lisboa. São 130 atrações musicais, 28 espetáculos de dança, 23 oficinas culturais, 14 peças teatrais e seis espetáculos circenses, além de 28 filmes, cinco mesas literárias e seis instalações de arte contemporânea. O custo total do FIG foi de R$ 2 milhões, divididos entre Fundarpe, Prefeitura de Garanhuns e patrocinadores. O festival, que acontece de 20 a 29 de julho, traz novamente uma programação onde entram no mesmo balaio Los Hermanos, Barão Vermelho, Vanessa da Mata, The Fevers, Nando Reis e Magníficos, todos eles atrações da Praça Guadalajara, principal pólo de shows. A lista da Guadalajara, aliás, mostra que a coordenação voltou a investir no tal ecletismo (a palavra mais desgastada dos anos 90) que tanto caracteriza o FIG e que havia mostrado menos força em 2005. Outra marca importante desta edição é a presença forte de músicos e bandas pernambucanas dos mais variados estilos – Alessandra Leão (ex Cumadre Florzinha), Lady Murphy, Mellotrons, Erasto Vasconcelos, Reginaldo do Acordeom e DJ Big são alguns deles. Segundo Bruno Lisboa, a participação de artistas de Garanhuns e cidades do entorno também recebeu mais destaque neste FIG. “É o maior índice de participação de músicos, grupos de teatro e de dança, além de outros, desde o início do festival”, diz. Tatu Peba, Cleiton da Nata, Swianne, Banda de Pífanos de Castainho e Reisado de Gonzaga de Garanhuns são alguns dos nomes locais na grade de shows. Se o “mainstream” se apresenta na Guadalajara, o Palco Pop, no Parque Ruber van der Linden, cumpre a função de vitrine para novos talentos – alguns não tão novos assim, é verdade. Estão lá Kaya na Real e a incensada banda paulistana de reggae Planta e Raiz, que lota as casas de show do circuito Rio-SP. É justamente o Palco Pop que vai receber as bandas selecionadas pela MTV, que grava em Garanhuns o programa Família MTV Bandas Novas. Na segunda, apresentam-se Zefirina Bomba (PB), Vanguart (MT) e Ecos Falsos (SP). Na terça, é vez de Rock Rocket (SP), Daniel Beleza e os Corações em Fúria (SP) e Faichecleres (PR). “Faz alguns anos que a MTV procura realizar um programa aqui, mas nunca havia sido viabilizado”, comenta Lisboa, apontando que toda a curadoria desses dois dias no Palco Pop é feita pela emissora. Cinema e artes
plásticas trazem novidade para a edição de 2006 Garanhuns vai virar um interessantíssimo museu de arte contemporânea a céu
aberto com as instalações realizadas por Paulo Meira, Manoel Veiga, Oriana
Duarte, Lourival Batista, Cristina Machado e Renata Pinheiro, seis
artistas plásticos selecionados para a mostra Intervenções Urbanas. Todos
eles têm como missão utilizar o espaço urbano da cidade para basear – e
servir de estrutura – para suas idéias. Esta é a primeira vez que a
Fundarpe dedica espaço às artes plásticas dentro do festival. As obras serão montadas antes do início do festival e poderão – de
acordo com o material utilizado – permanecer no espaço público após o
término no FIG. “Existe um espaço de arte em Garanhuns, a galeria do Sesc,
mas é um espaço pequeno. Por isso decidimos que as instalações ficariam na
rua”, diz Bruno Lisboa. Segundo ele, os participantes foram escolhidos
pela própria diretoria da Fundarpe. A programação dos filmes que serão vistos em uma das salas do Cine
Eldorado será divulgada no próximo dia 6 de julho. O Museu de Imagem e Som
(Mispe) e a Fundaj, responsáveis pela curadoria de cinema, estão fechando
a grade, que, segundo Pinho, será formada por longas e curtas
pernambucanos, além de filmes de países que dificilmente entram no
cardápio semanal das salas de grande porte. “Vamos trazer inclusive filmes
inéditos no Brasil”, adianta ele, lembrando que todas as vinte e oito
sessões que acontecem durante o FIG serão gratuitas. O público agradece.
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