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O ator e diretor teatral José Pimentel está há 29 anos no papel
principal do maior drama do Ocidente. “Com mais quatro anos, chego à
idade de Jesus”, completa Pimentel, ciente do mito que ele gerou em meio
à Páscoa pernambucana. De hoje até domingo, às 20h, ele volta a viver os
últimos dias de Jesus, na Paixão de Cristo do Recife, que depois
de ter sido apresentada no Forte do Brum no ano passado, retorna para o
Marco Zero.
Este ano, as novidades não se resumem ao retorno do espetáculo ao
Marco Zero. A Paixão do Recife fecha o ciclo cristão, indo do
nascimento à morte. Antes da peça começar, quem chegar mais cedo irá
conferir um auto de Natal de 30 minutos, mostrando o nascimento de
Jesus. De acordo com Pimentel, o auto terá cenário próprio (com direito
a “cometa e Reis Magos”, salienta o encenador), e talvez seja incluído
na encenação no próximo ano.
Com apoio do Governo do Estado, da Prefeitura e da iniciativa
privada, A Paixão do Recife custou R$ 300 mil e conta com 400
atores em cena durante as suas duas horas. A maior parte desses
figurantes vem de comunidades como Chão de Estrelas. “Quando comecei a
encenar o espetáculo no Recife, no Estádio do Arruda, eu aproveitei
muitos dos moradores das comunidades que vivem ao redor do bairro. Da
mesma forma, como fiz quando a peça foi encenada no Forte do Brum”, diz
Pimentel.
Nesses 10 anos realizando o espetáculo no Recife, o ator e diretor se
diz “cansado” do tremendo trabalho que é levantar os recursos da Paixão.
“Não estou cansado do palco, porque quando começo a interpretar esqueço
o mundo ao meu redor. O que me cansa é essa coisa de ficar passando o
pires, de ficar pedindo dinheiro para uma produção que é tão importante
para o turismo do Estado. Sou suspeito para falar, mas com a nossa peça
criamos uma série de empregos, que vai desde o cara que confecciona os
cenários aos vendedores de sanduíche e refrigerante”.
“Recentemente, eu estava pensando no meu trabalho de fazer a
Paixão do Recife quando vi a frase de Romário dizendo que iria
sentir muita falta do campo na hora em que parasse de jogar. É um
trabalho muito complicado, mas no ano em que não interpretar Jesus, sei
que irei sentir muita falta dele”.
Pimentel foi o Cristo de Nova Jerusalém até 1996. Sua saída marcou o
início de “globalização” da cidade teatro criada por Plínio Pacheco.
Desde sua saída desse espetáculo, o ator, que tem uma casa em Fazenda
Nova, nunca mais voltou ao distrito do Brejo da Madre de Deus, nem para
visitar sua propriedade. “Eles este ano estão dizendo que têm um raio na
cena da morte de Judas, o que nós já fazemos há muito mais tempo. O
problema da fraca interpretação dos atores globais que eles convidam é
que esses atores não têm uma direção adequada para dublar as vozes
pré-gravadas, um trabalho muito difícil”.
(©
JC Online)
Elenco pernambucano mantém-se
fiel ao espetáculo
Não é só José Pimentel que é fiel ao drama de Jesus - “tem gente
que diz que eu deveria entrar no Guinness, pela quantidade de
anos que faço esse personagem, mas não ligo pra isso”, afirma o
encenador. A Paixão de Cristo do Recife tem como uma das
suas principais características a fidelidade do seu elenco.
Desde 1997, os atores principais permanecem os mesmos. Entre
esses fiéis seguidores da “paixão”, nomes como Vanda Phaelante
(Maria), Ivo Barreto (Demônio 3 e Judas Iscariotes), Paula de
Renor (Madalena), Octávio Castanho (Pilatos), Renato Phaelante
(Caifás), Marcos Macena (Anãs), Leidson Ferraz (Demônio de
Judas) e Geninha da Rosa Borges (Marta).
O ator Aldemar Araújo, que vive Elifas, está no espetáculo
desde 1998. “Para mim, é uma emoção enorme ver a evolução que
A Paixão de Cristo tem vivido a cada ano. E não só isso:
acompanhar os seguidores fiéis dessa encenação, ano após ano”,
aponta Araújo.
“Todo ano, Geninha da Rosa Borges diz que esta será a sua
última Paixão. Ela não tem idéia do prazer que temos em ver sua
dedicação e amor ao teatro. Eu criei um personagem especial para
a Geninha, que é a Marta”, ressalta Pimentel.
(©
JC Online) |
Com relação a este tema, saiba mais (arquivo NordesteWeb)
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