Músico e artista plástico que influenciou tropicalistas terá
exibidas suas "plásticas sonoras" no MAM-BA, a partir de agosto
Suíço-brasileiro foi figura importante na cena cultural baiana nos
anos 50 e 60; projeto também cataloga e digitaliza objetos e fotos
Divulgação
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"A Vina" usa materiais como
metal, madeira e cordão de nylon |
MARIO GIOIA
DA REPORTAGEM LOCAL
Uma parte importante da música de vanguarda brasileira do século 20
começa a ser recuperada com o projeto "Smetak - Imprevisto", que está
restaurando e deixando em condições de serem tocadas 80 "plásticas
sonoras" do músico, compositor e artista plástico Anton Walter Smetak
(1913-1984).As "plásticas sonoras" são peças que misturam as funções
de instrumento musical e de escultura, com as quais o suíço-brasileiro
tocava composições sonoras de vanguarda em sua época de atuação.
As 80 peças serão expostas a partir de agosto no Museu de Arte
Moderna da Bahia. A mostra também vai possibilitar ao público ouvir e
tocar alguns dos inusuais instrumentos.
Smetak foi figura fundamental na cena cultural baiana e brasileira
nas décadas de 50 e 60. Chamado pelo compositor Hans-Joachim Koellreuter
(1915-2005) para dar aula na UFBA (Universidade Federal da Bahia), suas
experimentações influenciaram desde os tropicalistas Gilberto Gil,
Caetano Veloso (que o cita em "Épico", faixa de "Araçá Azul") e Rogério
Duarte até nomes contemporâneos como Lívio Tragtenberg e Marco Antônio
Guimarães, do grupo Uakti.
"Smetak-Imprevisto" foi um dos 81 projetos escolhidos em cinco
editais do projeto Natura Musical, que, por ano, investe cerca de R$ 1
milhão nos programas selecionados. O edital deste ano, o sexto, vai até
julho.
Os instrumentos-esculturas estão divididos em dois acervos principais:
um da biblioteca da Escola de Música da UFBA; o o outro, de uma das
filhas do músico, Bárbara Smetak.
"A biblioteca havia feito uma restauração de parte das peças anos
atrás, mas elas já não tinham condições de serem tocadas. Já o acervo de
Bárbara foi o que precisou de mais cuidados, estava sem acondicionamento
adequado", diz Jasmim Pinho, coordenadora do projeto.
Instrumentos perdidos
De acordo com Pinho, uma das principais dificuldades de manutenção
foi a precariedade do material usado pelo próprio Smetak. "Ele tinha
usava como base elementos cotidianos na confecção dos instrumentos.
Alguma pessoa desavisada, ao ver um instrumento, poderia achar que
era arame velho, sucata", conta ela. "Por isso, dez plásticas sonoras
estão perdidas, devem ter sido destruídas. Havia uma grande flauta, de
22 metros, que sumiu, além de peças de barro, entre outras."
Além de deixar os instrumentos em condições perfeitas de uso e
exibição, o projeto faz a catalogação de 110 objetos e a digitalização
de cerca de 350 fotos, que serão disponibilizadas até agosto na
internet.
Em meio ao acervo, foram descobertos um filme em 8 mm chamado
"Simquenão", partituras e 29 livros, entre teoria musical, escritos
pessoais e poesia -o músico havia publicado apenas dois. Parte desse
material também vai se tornar acessível no site.
"Smetak era multidisciplinar muito antes do termo ser comum e fazia
experimentos que têm paralelo com a música eletrônica", avalia Pinho.