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 Adeus a Patativa: emoção, cantoria e música

26/07/2002

 

Patativa do Assaré

  

O poeta Patativa do Assaré recebe últimas homenagens do povo humilde que ele sempre retratou em seus versos. Durante o velório, cantorias, recitação de versos e a despedida do cantor Fagner, que interpretou a música ''Vaca estrela e boi fubá''

Luiz Henrique Campos
Enviado a Assaré

   O poeta Patativa do Assaré foi enterrado (em 09.07.2002) do jeito que ele viveu a maior parte de sua vida: sem pompa, mas cercado pelo carinho do povo humilde que ele defendeu em seus versos. Pouco mais de 100 pessoas acompanharam o enterro, por volta das 18 horas, no cemitério São João Batista, em Assaré, a 623 quilômetros de Fortaleza. A cerimônia durou apenas 15 minutos e foi acompanhada apenas com uma salva de palmas.

   A cerimônia simples, porém, não reflete a dimensão da popularidade de Patativa na região e fora do Ceará. Antes mesmo do anúncio de sua morte, às 18h30min de segunda-feira, uma multidão fazia vigília na praça da Matriz aguardando notícias que, todos já sabiam, não seriam boas. Com a confirmação da morte, as pessoas acorreram a casa onde estava o corpo, mas a entrada só foi permitida após as 23 horas. A solicitação partiu da família que preferiu se despedir à sua maneira. As prefeituras de Assaré e Antonina do Norte decretaram feriado.

   Pela manhã, o corpo foi levado da residência do poeta até o memorial Patativa do Assaré, localizado na praça da Matriz. Ali tiveram início às homenagens do povo com o relato de situações vividas por Patativa e as referências a sua obra. Logo em seguida, o velório passou para a Igreja Matriz, onde foi aberto espaço para as pessoas se manifestarem.

   E não faltou quem quisesse falar sobre Patativa. Historiadores, cantadores, violeiros, professores, mas principalmente pessoas humildes, queriam dar uma palavra de conforto aos familiares do poeta. Gente como a amiga Íris Tavares, de Juazeiro do Norte, que pediu aos estudantes de Assaré que não deixassem morrer a obra de Patativa. Ou o relato do professor Luís de Pinho, que lembrou que o poeta nunca disse não aos pobres.

   Os momentos mais marcantes da cerimônia na matriz ficariam reservados a cantoria proporcionada pelos violeiros João e Pedro Bandeira, João Granjeiro e ao cantor Fagner, que surpreendeu a todos ao subir no altar e cantar a música ''Vaca estrela e boi fubá''. A interpretação foi acompanhada em coro pela igreja lotada, com as pessoas acenando as mãos em sinal de adeus.

   Após o espaço dedicado às homenagens teve início a missa de corpo presente celebrada pelo bispo diocesano do Crato, dom Fernando Pânico. Poucos minutos antes da missa chegou o governador Beni Veras. Nesse momento a igreja já se encontrava lotada e algumas pessoas tiveram que ficar fora do local. A celebração foi encerrada às 17h40min, com o cortejo sendo acompanhado a pé até o cemitério onde ocorreu o enterro.
(© O Povo)

 

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