|
O
poeta Patativa do Assaré recebe últimas homenagens do povo humilde que ele sempre
retratou em seus versos. Durante o velório, cantorias, recitação de versos e a
despedida do cantor Fagner, que interpretou a música ''Vaca estrela e boi fubá''
Luiz Henrique Campos
Enviado a Assaré
O poeta Patativa do
Assaré foi enterrado (em 09.07.2002) do jeito que ele viveu a maior parte de sua vida:
sem pompa, mas cercado pelo carinho do povo humilde que ele defendeu em seus versos. Pouco
mais de 100 pessoas acompanharam o enterro, por volta das 18 horas, no cemitério São
João Batista, em Assaré, a 623 quilômetros de Fortaleza. A cerimônia
durou apenas 15 minutos e foi acompanhada apenas com uma salva de palmas.
A cerimônia simples, porém, não reflete a dimensão da popularidade de
Patativa na região e fora do Ceará. Antes mesmo do anúncio de sua morte, às 18h30min
de segunda-feira, uma multidão fazia vigília na praça da Matriz aguardando notícias
que, todos já sabiam, não seriam boas. Com a confirmação da morte, as pessoas
acorreram a casa onde estava o corpo, mas a entrada só foi permitida após as 23 horas. A
solicitação partiu da família que preferiu se despedir à sua maneira. As prefeituras
de Assaré e Antonina do Norte decretaram feriado.
Pela manhã, o corpo foi levado da residência do poeta até o memorial
Patativa do Assaré, localizado na praça da Matriz. Ali tiveram início às homenagens do
povo com o relato de situações vividas por Patativa e as referências a sua obra. Logo
em seguida, o velório passou para a Igreja Matriz, onde foi aberto espaço para as
pessoas se manifestarem.
E não faltou quem quisesse falar sobre Patativa.
Historiadores, cantadores, violeiros, professores, mas principalmente pessoas humildes,
queriam dar uma palavra de conforto aos familiares do poeta. Gente como a amiga Íris
Tavares, de Juazeiro do Norte, que pediu aos estudantes de Assaré que não deixassem
morrer a obra de Patativa. Ou o relato do professor Luís de Pinho, que lembrou que o
poeta nunca disse não aos pobres.
Os momentos mais marcantes da cerimônia na matriz ficariam reservados a
cantoria proporcionada pelos violeiros João e Pedro Bandeira, João Granjeiro e ao cantor
Fagner, que surpreendeu a todos ao subir no altar e cantar a música ''Vaca estrela e boi
fubá''. A interpretação foi acompanhada em coro pela igreja lotada, com as pessoas
acenando as mãos em sinal de adeus.
Após o espaço dedicado às homenagens teve início a missa de corpo
presente celebrada pelo bispo diocesano do Crato, dom Fernando Pânico. Poucos minutos
antes da missa chegou o governador Beni Veras. Nesse momento a igreja já se encontrava
lotada e algumas pessoas tiveram que ficar fora do local. A celebração foi encerrada às
17h40min, com o cortejo sendo acompanhado a pé até o cemitério onde ocorreu o enterro. (© O Povo)
|