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28/08/2002
Jacqueline Costa Setembro é considerado o melhor mês do ano no Maranhão. Praticamente não chove, os dias são de sol e céu azul, e as noites costumam ser enfeitadas por estrelas. Com o tempo conspirando a favor, São Luís celebrará seu aniversário de 390 anos com um mistura de ritmos e estilos musicais. Entre os dias 7 e 15, o Festival Internacional de Música terá como destaques a Orquestra Filarmônica da Romênia, o grupo argentino Opus Cuatro e o afro-francês Habib Koité, além dos brasileiros Hermeto Pascoal, Paulinho da Viola e Arthur Moreira Lima, que é responsável pela direção artística do evento. Teatros, praças, praias, bares e restaurantes serão ocupados pelos shows, concertos e workshops. Haverá ainda bailes em praça pública com grupos regionais, como Tambor de Crioula e Banda de Pífanos de Caruaru, e a Orquestra Tabajara. Ao todo, mais de mil artistas se apresentarão nos dias do festival. O objetivo principal do evento é fazer o público circular pelo Centro Histórico da cidade e, ao mesmo tempo, conhecer as demais atrações turísticas. A programação incluirá atrações que representam
todos os continentes. Serão, pelo menos, quatro apresentações diárias com artistas e
grupos de peso internacional. Mas o dia será sempre encerrado com artistas locais. (© O Globo On line) São Luís foi declarada Patrimônio da Humanidade pela Unesco em 1997 Não foi à toa que a capital do Maranhão foi declarada Patrimônio da Humanidade pela Unesco em 1997. Há muito o que se admirar na cidade. E um bom começo pode ser um passeio pelo Centro Histórico. Entre ruas de pedra, praças, becos e escadarias, há casarões azulejados, mirantes, portais, sacadas rendilhadas em ferro, igrejas, fontes e monumentos. O conjunto arquitetônico da cidade é considerado um dos mais significativos de todo o Brasil, com cerca de 3.500 imóveis dos séculos XVIII e XIX, distribuídos principalmente pelos bairros da Praia Grande, Desterro e Portinho. As ruas do Centro Histórico mantêm o traçado original do século XVII. Basta começar a caminhar para ser transportado ao passado. Na poética Rua do Sol, o turista se depara com jóias como o Teatro Arthur Azevedo. Inaugurado em 1817, é uma das mais belas casas de espetáculos do país. Muitas das fachadas do Centro Histórico são azulejadas. Além da função decorativa, os azulejos vindos de Portugal, França, Bélgica e Alemanha protegiam os imóveis contra a ação das chuvas e dos ventos carregados de salinidade. O Convento das Mercês, na Rua da Palma, que teve sua construção iniciada em 1654, merece a inclusão no roteiro. Foi lá que o padre Antônio Vieira proferiu o sermão de São Pedro Nolasco. Perto dali fica o Cafuá das Mercês, um sobrado onde escravos eram vendidos. Hoje, abriga o Museu do Negro e possui réplica do pelourinho que havia no Centro de São Luís. O acervo tem peças de suplício utilizadas durante a escravidão. O Palácio dos Leões, na Praça Dom Pedro II, é uma imponente construção com leões de bronze na entrada, trazidos da Escócia. Ao lado fica o Palácio La Ravardiãre, sede da Prefeitura, e mais à frente, a Igreja da Sé, do século XVII. Na Rua do Giz, na Praia Grande, funciona o Centro de Cultura Popular Domingos Vieira Filho. Através de seu acervo, em permanente exposição, é revelada toda a riqueza da produção da cultura popular do estado. Podem ser vistos no local indumentárias e adereços das principais manifestações folclóricas do Maranhão, com destaque para o bumba-meu-boi. Há também muitas fontes em São Luís. A do Ribeirão, que começou a ser construída em 1796, tem piso revestido de pedras de cantaria. A água jorra de biqueiras de bronze instaladas nas bocas de carrancas esculpidas em pedra. Segundo uma lenda bastante conhecida na cidade, em seu interior habita uma serpente que cresce sem parar, e que destruirá a ilha de São Luís no dia em que a cabeça se encontrar com a cauda. A culinária do Maranhão também merece destaque. Provar o arroz de cuxá é quase uma obrigação. São Luís é a única capital do país fundada por franceses. Em 1612, Daniel de La Touche, o senhor de La Ravardiãre, construiu o Forte Saint Louis, em homenagem ao rei Luís XIII. Três anos depois, os franceses foram expulsos pelos portugueses. Mais tarde, vieram os holandeses. (© O Globo On line)
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