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02/05/2001

"Bicho de Sete Cabeças" sai vencedor de Recife

FÁBIO GUIBU

   O longa "Bicho de Sete Cabeças" manteve sua trajetória de sucesso em mostras e foi o grande vencedor do 5º Festival de Cinema de Recife (PE), encerrado na madrugada de ontem.

   Premiado no Festival de Brasília, o filme, que também já foi exibido em eventos no Rio e em São Paulo, recebeu nove prêmios na capital pernambucana, entre eles o de melhor longa de ficção.

   A diretora Laís Bodanzky, o roteirista Luiz Bolognesi e o ator Rodrigo Santoro também foram premiados em suas categorias. Santoro dividiu o prêmio com Maurício Gonçalves, de "O Aleijadinho".

   O "Bicho de Sete Cabeças" conquistou ainda os títulos de melhores som, montagem, trilha, ator e atriz coadjuvantes.

De ponta a ponta

   Inspirado nos personagens do livro "Cantos dos Malditos", de Austregésilo Carrano, "Bicho de Sete Cabeças" conta a história do estudante Neto (Rodrigo Santoro), que é internado em um manicômio por seu pai, interpretado por Othon Bastos.

   O filme, que entrará no circuito comercial no dia 22 de junho, foi exibido na noite de domingo e aplaudido de pé por cerca de 3.000 pessoas que superlotaram o teatro Guararapes, local do evento.

   Os aplausos se repetiram na noite de anteontem, durante o anúncio dos prêmios. "Vencemos de ponta a ponta", disse Laís Bodanzky. "A equipe teve seu trabalho reconhecido."

   Outro longa-metragem premiado na categoria ficção foi "Domésticas", produção paulista dirigida por Fernando Meirelles e Nando Olival.

   O filme recebeu os prêmios de melhor fotografia e melhor atriz, este concedido para o trabalho conjunto das atrizes.

Arosio

   Já o longa "Os Cristais Debaixo do Trono", dirigido por Del Rangel e estrelado pelas atrizes Ana Paula Arosio e Mylla Christie, não teve boa receptividade. Apesar da presença de Arosio, parte do público deixou o teatro durante a exibição do filme.

   Considerado o terceiro festival de cinema mais importante do país, atrás de Gramado e Brasília, a mostra de Recife durou sete dias e teve como tema "o cinema brasileiro, uma arte de raça".

   Segundo os organizadores, a idéia era destacar a miscigenação racial e o papel do negro na produção cinematográfica brasileira. Os atores Milton Gonçalves e Ruth de Souza foram os homenageados deste ano.

   Quarenta e oito obras participaram da mostra competitiva, que foi dividida em duas categorias para os longas (documentário e ficção) e em quatro para os filmes de curta-metragem (ficção em 16 mm, documentário em 16 mm e em 35 mm, animação em 35 mm e ficção em 35 mm). (Folha de S. Paulo)

Festival do Recife consagra "Bicho de Sete Cabeças"

Longa ganhou nove prêmios no evento que tem o público mais entusiasmado do País

LUIZ CARLOS MERTEN

   RECIFE - Em apenas cinco anos (a primeira edição foi em 97), o Festival do Recife ganhou projeção e hoje é considerado o terceiro mais importante ligado ao cinema brasileiro no País. À sua frente, apenas os mais tradicionais, Brasília e Gramado, mas hoje, cada vez mais, há gente que já considera Recife o melhor de todos e isso por um motivo: a excepcional participação do público recifense. As sessões, apoteóticas, realizam-se no Cine-Teatro Guararapes, que abriga mais de 2.500 pessoas. Esse público imenso veio abaixo no fim da sessão de Bicho de Sete Cabeças, domingo à noite, o último da mostra competitiva.

   O último foi o primeiro. Na segunda à noite, o público vibrou de novo com os troféus Passista que Bicho recebeu. Foram nove, dois a mais do que em Brasília. Bicho confirmou os principais Candangos que havia recebido no ano passado: melhor filme, direção (Laís Bodanzky), ator (Rodrigo Santoro), ator coadjuvante (Gero Camilo). E o júri do Recife corrigiu duas injustiças cometidas pelo de Brasília: Bicho recebeu os Passistas de roteiro (Luiz Bolognesi) e atriz coadjuvante (Cássia Kiss).

   No fim, Bicho recebeu ainda os prêmios de som, montagem e música. Todos poderão ajudar na carreira do filme que estréia em 22 de junho. Seria uma vitória acachapante se Domésticas, de Fernando Meirelles e Nando Olival, não tivesse ganho dois Passistas - o de fotografia (para Lauro Escorel) e o de melhor atriz (um prêmio conjunto para todas as intérpretes). Isso na categoria ficção. O melhor documentário longo foi Vida em Cana, de Jorge Wolney Atalla, que também ganhou o Passista de direção. O melhor curta de ficção foi O Velho, o Mar e o Lago, do recifense Camilo Cavalcanti, também melhor diretor. E o curta documentário foi Brennand - De Ovo Omnia, da também pernambucana Liz Donovan. Todas vitórias merecidas. Não foi um arranjo do júri para agradar à platéia recifense. (O Estado de S. Paulo)

Leia mais sobre o Festival de Cinema do Recife:
Jornal do Commercio
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