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19/06/2001 Migrações musicais João Pimentel Foi-se o tempo em que Luiz Gonzaga cantava a trajetória do nordestino que saía do sertão do Bodocó em direção ao Sul maravilha levando na bagagem o xote, o maracatu e o baião. Assim como o forró tomou de assalto o Rio de Janeiro e São Paulo, outros ritmos atravessaram suas divisas para se estabelecer em novas freguesias. No atual mapa musical brasileiro, o rock que explodiu nos anos 80 no Sudeste e em Brasília ganhou um sotaque arretado; o samba carioca é cultuado em São Paulo; o choro ganhou escola e clube em Brasília; o reggae se estabelece definitivamente no Maranhão; e o sonho de Fitzcarraldo, personagem do filme de Herzog, ganha vida com a presença da música clássica e da ópera em Manaus. As explicações para tais migrações são as mais diversas, mas em um ponto todos concordam: esse é um processo que interessa a todos e que, mais que simples migrações, tem gerado frutos interessantes com a interação entre as diversas correntes musicais. Criado há nove anos, o Abril Pro Rock, de Recife, fez com que o foco do rock nacional apontasse para o Nordeste e já gerou crias como o festival Mada, de Natal. Para o criador do Abril Pro Rock, o produtor Paulo André, o festival é conseqüência de um momento especial de efervescência musical na cidade que teve em Chico Science uma figura emblemática. Na primeira edição, em 1993, nenhuma das 12 bandas tinha um disco gravado. Eu tinha uma loja de instrumentos e via que alguma coisa estava errada. Os poucos eventos eram fracos e incompatíveis com a quantidade de bons músicos que existe por aqui conta. O Abril Pro Rock é fruto de uma demanda que já existia e veio para ajudar a profissionalizar a cena local. Sendo Nordeste, é claro que o rock adquiriu uma identidade própria, com influências rítmicas locais. Algo parecido ocorreu com o choro em Brasília. Historicamente, muitos dos chorões trabalhavam em empregos públicos. Com a inauguração da nova capital, muitos deles foram transferidos para lá. De encontros informais, surgiu o Clube do Choro, presidido pelo violonista Six, figura lendária do mundo do choro. Depois de muito tempo de amadorismo o clube chegou a ficar com a sede fechada por dez anos Reco do Bandolim assumiu o comando e profissionalizou a instituição. O resultado é um dos movimentos musicais mais fortes do país. Do clube surgiu a idéia pioneira da criação, há quatro anos, de uma escola de choro chamada Raphael Rabello. Os números impressionam. Se no primeiro ano foram 30 inscrições, no semestre passado chegaram a 852 para 260 vagas. O próximo sonho de Reco é a criação de uma filial no Rio, onde nasceu o ritmo. É emocionante ver os garotos devorando as partituras. Eles têm o mesmo amor que a minha geração, mas com muito mais profissionalismo. Hamilton de Holanda, cria do Clube e diretor da escola, está indo para o Rio fazer esse movimento diz Reco. Sabemos que lá é o berço do choro e queremos dar a nossa contribuição para a preservação dessa história. O que faremos é repassar a nossa experiência bem-sucedida. (O Globo) Visite os sites de LUIZ GONZAGA e ABRIL PRÓ-ROCK na seção MÚSICA |
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