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23/06/2001
Zélia Gattai diz que estado de saúde de
Jorge Amado é estável
A mulher de Jorge Amado, Zélia Gattai,
85, disse neste sábado que o estado do escritor baiano é estável. "Ele está em
franca recuperação", afirmou Zélia, na porta do hospital onde Amado está
internado.
Segundo a escritora, o marido teve uma grave crise de hiperglicemia, elevando
as taxas de glicose no sangue de 120 miligramas por decilítros para 700 ml.
Zélia disse que levou um choque na quarta-feira quando viu o estado do
marido. O escritor estava muito bem disposto na segunda-feira.
A mulher do escritor e a neta Mariana Amado pediram para os jornalistas não
assediarem a família. As duas informaram que o quadro do escritor é de franca, porém
lenta recuperação.
Não há ainda uma previsão de quando Jorge Amado será transferido da UTI
para uma unidade semi-intensiva ou um quarto.
Segundo Zélia, o médico particular de Amado, Jadelson Andrade, está
voltando dos EUA para acompanhar o escritor.
Jorge Amado, 89, está internado na UTI (Unidade de Terapia Intensiva) do
Hospital Aliança, em Salvador, por causa de uma hiperglicemia e uma fibrilação
cardíaca (alteração no ritmo de batimentos do coração).
Segundo a filha do escritor, Paloma Jorge Amado, ele sentiu-se mal durante a
tarde da última quarta-feira. Depois de fazer alguns exames, o médico Jadelson Andrade
solicitou a internação.
Já no hospital, Amado entrou em estado de coma superficial. Na quinta-feira,
o escritor não teria reagido bem aos medicamentos e teve a fibrilação (contrações das
cavidades do coração).
A taxa de glicemia voltou ao normal e seu estado permanece inalterado, de
acordo com Paloma. Não há previsão de alta.
Trajetória de Jorge Amado une literatura, política e exílio
da Folha Online
Em 10 de agosto de 1912, nasce Jorge Leal Amado de Faria na Fazenda
Auricídia, em Ferradas, no município de Itabuna, sul da Bahia, filho do comerciante
sergipano João Amado de Faria e de Eulália Leal Amado.
De 1920 a 1926, faz o curso primário em Ilhéus e inicia o secundário no
colégio jesuíta Santo Antônio Vieira, em Salvador, de onde foge para refugiar-se na
casa do avô, em Itaporanga, no Sergipe. A partir de 1928, começa a freqüentar as rodas
literárias e colaborar nas revistas "Samba", "Meridiano" e "A
semana".
A década de 30 marca a mudança de Jorge Amado para o Rio de Janeiro, sua estréia na
literatura e o início de sua militância política. Em 1931, inicia o curso de Direito na
Universidade do Rio de Janeiro. No mesmo ano, lança "O País do Carnaval", seu
primeiro romance.
Em 1933, é publicado o livro "Cacau", que tem a primeira edição,
de 2.000 exemplares, esgotada em 40 dias. O livro é apreendido, mas liberado logo depois.
No mesmo período, o autor aproxima-se do Partido Comunista. Com o lançamento de
"Jubiabá", Jorge Amado alcança a consagração no cenário internacional,
sendo, inclusive, elogiado por Albert Camus.
No entanto, pressionado por perseguidores políticos, sai do país e, do
exílio, faz oposição ao Estado Novo. Em 1937, já filiado à Aliança Nacional
Libertadora, é preso numa visita a Manaus e submetido a interrogatório. É deste mesmo
ano o lançamento de "Capitães da Areia", o livro mais vendido do escritor.
De volta do exterior, em 1942, o autor é preso novamente. Ainda assim, é
lançado na Argentina o livro "O Cavaleiro da Esperança", que só três anos
depois seria publicado no Brasil. Ainda em 1942, Jorge Amado conhece Zélia Gattai, com
quem se casa em 1945.
Eleito deputado federal pelo Partido Comunista Brasileiro em São Paulo, em
1946, o escritor interrompe por curto período a atividade literária. Dois anos depois,
tem o mandato cassado e volta ao exílio, desta vez em Paris. Em 1950, expulso de Paris,
vai morar em Praga, de onde acompanha o lançamento de seus livros na União Soviética.
No ano seguinte, recebe o Prêmio Stalin de Literatura, em Moscou. Volta ao Brasil em
1952.
No fim da década de 50 e durante os anos 60, Jorge Amado lança algumas de
suas mais conhecidas obras, entre as quais "Gabriela, Cravo e Canela", "A
Morte e a Morte de Quincas Berro D'água", "Os Pastores da Noite" e
"Dona Flor e Seus Dois Maridos".
Sua eleição como membro da Academia Brasileira de Letras acontece em 1961
e, cinco anos depois, recebe a primeira indicação para o Prêmio Nobel de Literatura.
Nas décadas de 70 e 80, diversos livros de Jorge Amado são adaptados para o
cinema e a TV, entre eles "Gabriela, Cravo e Canela", que se transforma numa das
novelas de maior sucesso da televisão brasileira, e num filme estrelado por Sônia Braga
e Marcello Mastroianni; "Dona Flor e Seus Dois Maridos", que ganha uma versão
cinematográfica dirigida por Bruno Barreto; "Tieta do Agreste", obra em que se
baseou a novela "Tieta", produzida pela Rede Globo de Televisão; e a
minissérie "Tereza Batista Cansada de Guerra".
Em 1983, Jorge Amado recebe a maior condecoração da França, a comenda da
Legião de Honra. Quatro anos depois, é criada a Fundação Casa de Jorge Amado, no
Pelourinho, em Salvador. O autor escreve uma espécie de autobiografia em 1992, sob o
título "Navegação de Cabotagem". Em 1995, inicia-se o processo de revisão de
sua obra por Paloma Costa, filha do escritor, e os livros ganham novo projeto gráfico. No
mesmo ano, Jorge Amado recebe em Lisboa o Prêmio Camões, uma das mais altas distinções
da língua portuguesa. Suas obras mais recentes são "A Descoberta da América pelos
Turcos", de 1994, e o livro-conto "O Milagre dos Pássaros", de 1997.Fonte: Fundação Casa de Jorge Amado |
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