|
25/06/2001
É grave o estado de saúde de Jorge
Amado

LUIZ FRANCISCO
Piorou na madrugada deste domingo o estado de saúde de Jorge Amado, 88, o
escritor mais conhecido do Brasil.
Ele está internado
desde a quarta-feira passada na UTI (Unidade de Terapia Intensiva) do Hospital Aliança,
em Salvador.
Durante a tarde deste domingo, ele
apresentou "discreta melhora", mas o quadro ainda é muito grave.
"A situação dele é
gravíssima", disse a mulher do escritor, Zélia Gattai.
Segundo o médico particular de
Amado, o cardiologista Jadelson Andrade, na madrugada deste domingo surgiu um foco
infeccioso nos pulmões do escritor.
Como ele sofre de diabetes, o
processo agravou-se e foi necessário aumentar a dose de antibióticos.
A gravidade foi apontada em um boletim médico
pela manhã.
O segundo boletim, divulgado às 18h,
dava conta de uma "discreta melhora" devido à estabilidade hemodinâmica e aos
"pequenos períodos de vigília" do paciente.
Amado está recebendo medicação
para combater o "quadro infeccioso sistêmico" e está com uma máscara de
oxigênio - ele não está respirando por aparelhos nem foi "entubado".
Pouco depois, às 18h40, Zélia falou
com os jornalistas. Ela contou que "os médicos não querem enganar ninguém",
sobre a gravidade do caso. Disse que Amado está com os olhos abertos, embora não fale.
"Precisamos rezar", afirmou
o diretor clínico do hospital, Izio Kowes.
A notícia do agravamento do quadro
de Amado levou admiradores e amigos do escritor, como a quituteira Dadá, ao hospital
durante o dia de hoje. Os filhos Paloma e João Jorge também foram ao Aliança.
O ex-senador Antonio Carlos
Magalhães (PFL), serviu de porta-voz informal da família no período entre os dois
boletins médicos. Chorando, disse que "a situação é muito grave", mas que
"havia esperança".
A piora de Amado ocorreu durante a
madrugada. Ele foi internado na quarta-feira com uma crise glicêmica decorrente de sua
diabete.
Com a taxa de açúcar muito alta no
sangue, começaram os distúrbios circulatórios - que levaram o escritor a um estado
comatoso e a um princípio de fibrilação, ou seja, contração anormal das cavidades do
coração.
A situação evolui com melhora até
o sábado, quando Zélia Gattai chegou a falar que o escritor deveria sair do hospital em
alguns dias.
Depois veio a piora de hoje de
manhã, seguida da estabilização e "discreta melhora" de hoje à tarde. Novo
boletim médico deve ser divulgado às 10h desta segunda-feira.
Amado vem experimentando uma série
de problemas de saúde nos últimos anos, agravados por um histórico de fumo e obesidade
durante a vida toda.
Em 1993, sofreu um infarto. Três
anos depois, sofreu um edema agudo no pulmão - um acúmulo anormal de líquidos no
órgão, decorrente de insuficiência cardíaca.
Pouco tempo depois, ainda em 96,
sofreu uma crise de angina e teve de passar por uma angioplastia para desobstruir uma
artéria. Em 97, colocou um marcapasso. De lá para cá, foi internado algumas vezes -
sendo o período mais longo e complicado até o atual em 99, quando ficou 15 dias no
Aliança. (Folha Online)
Trajetória de Jorge Amado une literatura, política e exílio
da Folha Online
Em 10 de agosto de 1912, nasce Jorge Leal Amado de Faria na Fazenda
Auricídia, em Ferradas, no município de Itabuna, sul da Bahia, filho do comerciante
sergipano João Amado de Faria e de Eulália Leal Amado.
De 1920 a 1926, faz o curso primário em Ilhéus e inicia o secundário no
colégio jesuíta Santo Antônio Vieira, em Salvador, de onde foge para refugiar-se na
casa do avô, em Itaporanga, no Sergipe. A partir de 1928, começa a freqüentar as rodas
literárias e colaborar nas revistas "Samba", "Meridiano" e "A
semana".
A década de 30 marca a mudança de Jorge Amado para o Rio de Janeiro, sua estréia na
literatura e o início de sua militância política. Em 1931, inicia o curso de Direito na
Universidade do Rio de Janeiro. No mesmo ano, lança "O País do Carnaval", seu
primeiro romance.
Em 1933, é publicado o livro "Cacau", que tem a primeira edição,
de 2.000 exemplares, esgotada em 40 dias. O livro é apreendido, mas liberado logo depois.
No mesmo período, o autor aproxima-se do Partido Comunista. Com o lançamento de
"Jubiabá", Jorge Amado alcança a consagração no cenário internacional,
sendo, inclusive, elogiado por Albert Camus.
No entanto, pressionado por perseguidores políticos, sai do país e, do
exílio, faz oposição ao Estado Novo. Em 1937, já filiado à Aliança Nacional
Libertadora, é preso numa visita a Manaus e submetido a interrogatório. É deste mesmo
ano o lançamento de "Capitães da Areia", o livro mais vendido do escritor.
De volta do exterior, em 1942, o autor é preso novamente. Ainda assim, é
lançado na Argentina o livro "O Cavaleiro da Esperança", que só três anos
depois seria publicado no Brasil. Ainda em 1942, Jorge Amado conhece Zélia Gattai, com
quem se casa em 1945.
Eleito deputado federal pelo Partido Comunista Brasileiro em São Paulo, em
1946, o escritor interrompe por curto período a atividade literária. Dois anos depois,
tem o mandato cassado e volta ao exílio, desta vez em Paris. Em 1950, expulso de Paris,
vai morar em Praga, de onde acompanha o lançamento de seus livros na União Soviética.
No ano seguinte, recebe o Prêmio Stalin de Literatura, em Moscou. Volta ao Brasil em
1952.
No fim da década de 50 e durante os anos 60, Jorge Amado lança algumas de
suas mais conhecidas obras, entre as quais "Gabriela, Cravo e Canela", "A
Morte e a Morte de Quincas Berro D'água", "Os Pastores da Noite" e
"Dona Flor e Seus Dois Maridos".
Sua eleição como membro da Academia Brasileira de Letras acontece em 1961
e, cinco anos depois, recebe a primeira indicação para o Prêmio Nobel de Literatura.
Nas décadas de 70 e 80, diversos livros de Jorge Amado são adaptados para o
cinema e a TV, entre eles "Gabriela, Cravo e Canela", que se transforma numa das
novelas de maior sucesso da televisão brasileira, e num filme estrelado por Sônia Braga
e Marcello Mastroianni; "Dona Flor e Seus Dois Maridos", que ganha uma versão
cinematográfica dirigida por Bruno Barreto; "Tieta do Agreste", obra em que se
baseou a novela "Tieta", produzida pela Rede Globo de Televisão; e a
minissérie "Tereza Batista Cansada de Guerra".
Em 1983, Jorge Amado recebe a maior condecoração da França, a comenda da
Legião de Honra. Quatro anos depois, é criada a Fundação Casa de Jorge Amado, no
Pelourinho, em Salvador. O autor escreve uma espécie de autobiografia em 1992, sob o
título "Navegação de Cabotagem". Em 1995, inicia-se o processo de revisão de
sua obra por Paloma Costa, filha do escritor, e os livros ganham novo projeto gráfico. No
mesmo ano, Jorge Amado recebe em Lisboa o Prêmio Camões, uma das mais altas distinções
da língua portuguesa. Suas obras mais recentes são "A Descoberta da América pelos
Turcos", de 1994, e o livro-conto "O Milagre dos Pássaros", de 1997.Fonte: Fundação Casa de Jorge Amado |
Veja
sites escritores nordestinos na seção LITERATURA |
|