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28/06/2001

Pernambucano Heraldo do Monte apresenta seu "Viola" em SP

PEDRO ALEXANDRE SANCHES
da Folha de S.Paulo

   "Viola Nordestina", em cartaz ao vivo hoje e amanhã, em São Paulo, é trabalho-síntese do pensamento musical do pernambucano Heraldo do Monte, 66, e também de sua marcante passagem pela história da música popular brasileira.

   Embora neste novo disco e no show Heraldo centre a habilidade de sua viola em repertório nordestino clássico (com Luiz Gonzaga, Capiba, Rosil Cavalcante, Elomar e Gilberto Gil, entre os eleitos) e de sua própria autoria, a abrangência de seu trabalho na MPB é bem mais vasta que o tamanho todo do Nordeste.

   Heraldo do Monte iniciou carreira em São Paulo tocando com o controverso organista da bossa nova Walter Wanderley -que participou do terceiro LP de João Gilberto, em 1961.

   "Nos conhecemos em Recife e começamos a trabalhar em boate. Depois ele conheceu Isaurinha Garcia e veio para São Paulo casar com ela. Me mandou uma carta convidando para tocar aqui. Vim e fiquei com ele até que foi morar nos Estados Unidos", lembra.

   Em seguida, Heraldo participou da criação do Quarteto Novo, que começou acompanhando o militante Geraldo Vandré, tocou com Edu Lobo e também seguiu carreira instrumental própria.

   O quarteto tinha em sua irreproduzível formação Hermeto Pascoal, Airto Moreira e Théo de Barros. "Nunca voltamos a nos reunir, acho que não funcionaria. É melhor deixar para aquela época mesmo", diz.

   Airto Moreira iniciou carreira no exterior, mais uma vez Heraldo do Monte ficou: "Comecei a declinar convites para ir para o exterior desde o Walter Wanderley. Não me vejo morando fora do Brasil".

Parcerias

   Já seguindo carreira solo e trabalhando como músico de estúdio e de orquestra televisiva, Heraldo foi diretor musical informal de um disco clássico dos anos 70: "Estudando o Samba" (75), de Tom Zé. "Causou impacto no rapaz lá dos Talking Heads" (David Byrne), diverte-se na tangente, brincando com o culto norte-americano a seu parceiro Tom Zé.

   Outra parceria foi o projeto/disco "ConSertão" (82), com Paulo Moura, Elomar e Arthur Moreira Lima. Em 1986, Heraldo do Monte lançou o álbum "Cordas Mágicas" e, desde então, não produzia um disco solo.

   Depois de participar do filme "Eu Tu Eles" e de sua trilha sonora, conduzida por Gilberto Gil, Heraldo quebra o jejum com "Viola Nordestina" (da independente Kuarup Discos), mais uma profissão de fé na cultura nordestina rica, alegre e matreira.

   Há razões de sobra para comemorar a quebra de jejum. (Folha Online)


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