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28/06/2001 São Pedro ganha trilha moderninha Em cima da hora, chegam os CDs dos trios Nordestino e Virgulino, da banda Peixe Elétrico e de Miltinho Edilberto MARCELO PEREIRA Pode-se atribuir ao oportunismo da gravadora Deck Disc a nova invasão de forrozeiros, capitaneada pela grife universitária do Falamansa. Aproveitando a temporada de arrasta-pé mais quatro discos chegam às lojas em cima da hora, mas em tempo para o São Pedro: Balanço Bom, com Trio Nordestino; Coração Feliz, com Trio Virgulino, Peixe Elétrico, com banda de mesmo nome; e Feito Brasileiro, de Miltinho Edilberto. Por serem cria da parceria com a Abril Music que distribui, divulga e massifica seus produtos sob a supervisão do diretor artístico João Augusto, um conhecido emplacador de sucessos de estação, os quatro discos enveredam pela diluição do que se conhece como autêntico pé-de-serra e que se chama de forró universitário. Não se trata de purismo, mas de reconhecer que o atalho da pasteurização com a uniformização de timbres, utilização de baixo, guitarra e bateria para encher os arranjos tira aquela sonoridade rústica, agreste, nordestina tão boa de se ouvir. Recorrendo a uma comparação: é como se a Deck Disc preferisse fazer sorvete da Kibon, mesmo tendo a receita e os ingredientes para fazer os da Fri-Sabor. Questão de gosto e de marketing. Em busca do sucesso junto aos jovens, em Balanço bom, a nova formação do Trio Nordestino (que ainda tem Coroné na zabumba) gravou Sem querer (do onipresente Paulo Zdanowski) em ritmo de xote-reggae e regravou o sucesso Fumacê (Rossini Pinto e Rossana Corrêa) para se dançar como forró. Apesar disso, o repertório tem bons compositores, como Accioly Neto (na romântica Me dá meu coração) e a dupla Targino Gondim/Manuca Almeida (Ainda Queima). Uma das melhores faixas do discos é a instrumental Lá vou eu (Beto Souza e Antônio Ceará). Prática comum na Deck Discos, o Trio Virgulino participa em Forró e paixão e a Rastapé, em Balaço bom. Com um bom vocalista, o zabumbeiro Enok Virgulino, autor da maioria das músicas, Trio Virgulino mantém as bases definidas pelo Rei do Baião, Luiz Gonzaga, e o caminho da modernização aberta por Dominguinhos, em Coração Feliz, mas perde um pouco da originalidade ao atender os apelos do pop. Dominguinhos, inclusive, participa na romântica A Sorte é cega. As faixas mais autênticas são Forró pé-de-bode e De mala e cuia. Sim, o Falamansa está no disco, em Foi por um triz, talvez para ser citado nas matérias sobre o disco e faturar algum. Miltinho Edilberto, por sua vez, é o xodó dos forrozeiros paulistas. Considerado um modernizador, faz sucesso com Água e Azeite, que conta com a Maria Bethânia. A própria gravadora avexa-se em dizer que ele é admirado por nomes como Chico César, Lenine, Alceu Valença e Elba Ramalho. Suas músicas têm a mesma levada do Falamansa. Arroz de festa, os universitários cantam em Balanço de busão, que abre o disco. Outro convidado é o Trio Virgulino, na agradável Princesa fulô (Nas Dunas). Miltinho não se contenta apenas com forró. Envereda por sonoridades campineiras, com sua viola de 12 cordas (em Olhos de Carol), e pelo indefectível xote-reggae (Antes de Beijar). Assim como Falamansa, Peixe Elétrico é formada por garotos que gostam de surfe, reggae, forró e futebol que resolveram embarcar na onda do forró universitário, para animar arrasta-pés em palhoças à beira-mar. E eles dão-se até bem. As músicas transparecem sinceridade. O disco está bem gravado e a banda sustenta bem o ritmo. O vocalista e compositor Ricardo Trip tem um timbre que lembra um pouco Pedro Luiz. Na vastidão do mar da Peixe Elétrico cabe até gaita blueseira (em Maré de lua). Para ouvir sem compromisso, tomando birita em Porto ou na Pipa. (Jornal do Commercio)
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