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Público abandona show de João Gilberto no Festival de Montreux

15/07/2003

João atendeu a pedidos do público, além de elogiar comentários   Eduardo Nicolau/AE – 24/4/2003

Organizadores alegam que concerto em Montreux começou muito tarde

JAMIL CHADE
Correspondente

   GENEBRA - Não foram raras as vezes em que João Gilberto ameaçou deixar um show por causa da falta de condições acústicas do teatro ou por estar irritado com o comportamento do público. No domingo, porém, foi o público que abandonou o artista. Durante seu show no Festival de Jazz de Montreux, João Gilberto se viu em uma situação inusitada: terminou sua apresentação com mais de um terço das cadeiras do teatro vazio.

   O público, que praticamente lotava a sala no início do concerto, foi deixando o teatro lentamente e, a cada música, via-se um número cada vez maior de espaços vazios na sala. Em um momento, até o cantor parecia espantado, um pouco sem entender o que ocorria. O curioso é que João Gilberto, no lugar de se queixar da movimentação na sala, passou a tratar bem o público, sorriu e elogiou comentários vindos da platéia.

   O cantor, que estava apresentando seu repertório tradicional, ainda atendeu a pedidos de músicas feitos pelos que ainda estavam presentes na sala e concordou em tocar Garota de Ipanema.

   Os organizadores do show argumentam que o espetáculo já havia começado tarde e que muitos teriam saído do teatro para pegar os últimos ônibus que deixavam Montreux em direção à Genebra e Lausanne, as principais cidades da região. Antes do show do cantor, o palco havia sido ocupado pelo trio Sakamoto, Jacques Morelembaum e sua mulher Paula, que também apresentou as canções tradicionais da bossa nova por cerca de uma hora e meia.

   Mas o público, que pagou em média R$ 150,00 para ver o brasileiro, tinha outra resposta: o show, de quase duas horas, teria sido longo demais. "A música é muito interessante, mas o show me pareceu um pouco cansativo", afirmou Helen, uma suíça de 36 anos que viajou de Genebra a Montreux especialmente para ver o brasileiro. "Tivemos quase quatro horas de bossa nova. Acho que a duração dos shows foi um pouco além do que poderia ser", completou uma francesa que viajou mais de 300 quilômetros para o Festival de Montreux.

(© O Estado de S. Paulo)

 

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