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Percussão nativa para inglês curtir

16/07/2003

Bumba-meu-boi maranhense

O cd Maranhafricanizado, de Carlos Pial, deverá ser lançado simultaneamente em São Luís e Londres pelo selo World Sounds

   Um disco tipo exportação. Assim pode ser descrito o CD Maranhafricanizado, do percussionista maranhense Carlos Pial. O álbum deverá chegar ao mercado europeu ao mesmo tempo em que será lançado em São Luís, em outubro.

   O trabalho do percussionista será levado às rádios de Londres, Inglaterra, em breve. O intercâmbio só será possível graças ao empresário e cantor de reggae Bill Campbel. Dono da gravadora World Sounds, selo pelo qual o CD será lançado, Bill está se encarregando de “exportar” o som maranhense para o Velho Mundo.

   Para agradar ao mercado europeu, o CD sofrerá algumas mudanças. Entre elas, alterações no projeto gráfico do encarte - que terá mais informações sobre o disco - e a inclusão da voz da cantora Ann Campbel, filha do empresário, que cantará algumas faixas do disco. “Ele estará mandando a prova para minha aprovação no final deste mês”, adianta Carlos Pial.

RITMO

   As 10 faixas que compõem o CD trazem a mistura de ritmos regionais do Maranhão com batuques do Continente Africano. Estudioso da música negra, em especial a africana, Carlos Pial reúne sonoridade dos sotaques dos bois de zabumba, tribo de índio e tambor de mina. A pitada de africanidade fica por conta do uso de instrumentos exóticos e pouco conhecidos pelas bandas de cá, apesar da forte influência da cultura negra no estado.

   Maranhafricanizado marca a estréia de Carlos Pial no mundo dos CDs. Percussionista com anos de estrada, ele carrega na bagagem participação em shows de vários artistas locais a exemplo de César Nascimento, Carlinhos Veloz, Mano Borges, Gerude e Rosa Reis, entre outros.

   Gravado no Refrão Stúdio e no estúdio Phocus, o CD foi produzido pelo próprio artista, que também assina, ao lado de Samuel Barbosa e Marcos Antonio, a direção artística do álbum.

   O disco reúne algumas participações especiais. O também percussionista Serginho Barreto - primeiro a gravar um disco dedicado à percussão no Maranhão - toca cuíca na faixa Salsamba (Carlos Pial). Já Alê Muniz emprestou a voz à música Zambela Zambar (Alê Muniz), cantada em dialeto africano.
Sobre esta última, Pial revela: “Estávamos ensaiando para um show e ele começou a brincar fazendo um som em dialeto africano. Pedi para ele gravar e o resultado foi esta música”.

   O carro-chefe do disco, Baião de Macabumba, traz a mistura de baião, maracatu e boi de zabumba e já está tocando nas rádios da capital. Em Conversa Pra Índio Dormir (Carlos Pial), a batida típica da tribo de índio maranhense ganha uma versão bem mais lenta e ganha acompanhamentos de instrumentos como cajon (espécie de tambor semelhante a um caixote de madeira, responsável pelo ritmo, pulsação e marcação).

   O tributo à terra natal, Tocoira (povoado da Baixada Maranhense) vem na música homônima, composição do percussionista. Nesta faixa, Carlos Pial canta e faz toda a percussão. “É uma homenagem ao lugarejo onde nasci e de onde recebi muitas influências”, observa.

   De outros autores, Pial gravou Depois da Chuva, uma homenagem que o saxofonista Sávio Araújo fez ao violonista Pixixita, morto em um acidente automobilístico no ano passado. “Estava fazendo o show de Sávio no teatro João do Vale quando ele me mostrou esta música. Me emocionei e pedi a ele para gravar”, relembra o músico. Em Pindarelando, o artista capricha em um solo de pandeirão ao lado de um incidental da toada Urrou, de autoria de Coxinho.

   Quebra Cabeça, de Henrique Duailibe, apresenta um mix de percussão e piano, enquanto Baião de Doido, de Rui Mário, traz o bom e velho forró pé-de-serra.

   O CD Maranhafricanizado será o primeiro disco de um músico maranhense com a marca da gravadora de Bill Campbel, que inaugurará brevemente um estúdio em São Luís, o primeiro fora de Londres. “Espero que o CD seja sucesso fora do Brasil”, torce Pial.

(© O Estado do Maranhão)

 

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