Notícias

O coco que a todos contagia

16/07/2003

CD do grupo Coco Raízes de Arcoverde

O grupo Coco Raízes de Arcoverde é a grande estrela no Festival de Inverno, amanhã, em Garanhuns. A ocasião é de pré-lançamento do disco Godê Pavão

JOANA AQUINO

   Podem até não ser batidas reconhecidas e tocadas em todas as rádios, mas o som, em um contato inicial, já é contagiante. O ouvinte, seja ou não fã de cultura popular, envolve-se de primeira com a música feita pelo Coco Raízes de Arcoverde. Um ritmo sem pretensões de grandes arranjos, sem grandes variações, mas de uma harmonia envolvente e, pode-se afirmar, mágica. Quem já teve oportunidade de ir a um show, ou ouvir o primeiro CD da banda, sabe bem disso. Para quem ainda não conhece, o Coco está amanhã à noite no Festival de Inverno de Garanhuns fazendo um show de pré-lançamento do mais novo trabalho, o CD Godê Pavão, gravado no estúdio Via Som.

   “Esperamos fazer mais coisas para divulgar esse trabalho. O primeiro foi meio parado”, afirma Iran Calixto, cantora e compositora. No show, eles apresentam canções dos dois discos, que acompanham basicamente o mesmo estilo. “Não tem muita diferença entre um CD e outro, a nossa música permaneceu”, define Iran.

   As mudanças são encontradas mesmo no apuro técnico do disco, que desta vez foi produzido pelos próprios integrantes. “Eles puderam acompanhar mais de perto este novo trabalho, que está mais com a cara do grupo”, diz Geraldo Lima, co-produtor, ao lado do músico americano Andrew Potter.

   Isso pode ser sentido em alguns detalhes da gravação, como a ênfase do trupé, passo acelerado feito com os pés, que causa um efeito sonoro impressionante, pelas das batidas dos tamancos. “No outro CD, esse ritmo não tinha muita definição, já que, para a gravação, foi feito no concreto. Desta vez, dá para perceber bem o passo, pois foi captado no estúdio em cima de um tablado de madeira” revela Geraldo. “O passo é quase como um instrumento musical do grupo, uma marca registrada”, completa.

   O CD tem ainda a vantagem de trazer somente composições inéditas, dos próprios integrantes. “Juntamos canções já compostas há um tempo e as mais novas”, diz Iran. A faixa Godê Pavão, que deu título ao trabalho, por exemplo, canta a simplicidade da vida. “É uma letra que fala das roupas femininas. Nós fazemos, ainda, uma homenagem ao cordel”, completa. O projeto gráfico do CD é baseado também nas estampas das roupas do sertão. “Até escolhemos um tipo mais simples de papel, sem brilho nenhum”, afirma Leo Antunes, que divide o trabalho com Moacyr Campêlo.

   O CD também aproveita para fazer uma homenagem ao ex-integrante do coco, Biu Neguinho, que, aos 72 anos, deixou o grupo por causa da idade. “Ele ainda participou das gravações. Vamos lembrar dele também no show de amanhã”, revela Iran. Biu é o responsável pelas hipnotizantes batidas do surdo, outra marca da música do Coco Raízes.

Além da homenagem, a apresentação reserva momentos especiais, como a interpretação da música Menina Rica. “É uma canção muito bonita, que tem uma abertura emocionante”.

   O GRUPO – O Coco Raízes é atualmente formado por 23 integrantes, incluindo 10 crianças. “Estamos, inclusive, pensando em fazer um CD independente com elas”, revela Iran.

   O grupo surgiu pela união de duas famílias de Arcoverde, Calixto e Gomes, defensoras do ritmo coco-de-roda, trazido para o Sertão do Estado por meio dos escravos. Foi idealizado pelo mestre Lula Calixto, falecido em 1999. “Ele não só fundou um grupo, mas também a ‘família’ do coco na cidade”, diz Iran.

   Em Agosto, o Coco Raízes prepara uma grande festa de lançamento do Godê Pavão em Arcoverde. “Serão três dias de festa, em 15, 16 e 17, onde também vamos comemorar o aniversário da fundação do coco”.

   Para a festa, está confirmada a presença de grandes artistas populares para homenagear o grupo, como Caretas de Triunfo, Reisado das Caraíbas e Boi da Macuca.

(© Jornal do Commercio-PE)

Fernanda Porto quer mexer com a tradição
 

JOSÉ TELES

   “Sempre gostei de mexer com a tradição”, confessa a cantora paulista Fernanda Porto, que se apresenta sexta, no Parque Euclides Dourado, em Garanhuns. Vem daí portanto sua admiração pela música de Chico Science, que a levou a visitar Pernambuco e incorporar o maracatu à sua drum’n’bossa, um híbrido da batida quebrada da drum’n’bass inglesa com as síncopes da bossa nova.

   A primeira mexida importante na tradição, ela fez com o clássico bossanovista Só tinha que ser com você (Tom Jobim): “Tem quem critique, mas essa gravação fez milhares de adolescentes, aqui e no exterior, conhecerem Tom Jobim”, justifica.

   Só tinha que ser com você e Samba sim, tornaram-se não apenas os dois sucessos do CD de estréia de Fernanda Porto, pela Trama, como também seu passaporte para adentrar as pistas européias e japonesas. “O disco está sendo lançado no Japão e a gente vai fazer shows por lá. Há uma grande identificação lá fora com a música brasileira. Acabei de fazer ma turnê na Escócia, França, Inglaterra e a platéia sempre pedia que eu bisasse o maracatu Baque virado”, comenta. Baque virado é uma parceria dela com a pernambucana Alba Carvalho, que também assina com Fernanda Porto o maior hit da cantora, Samba sim (gravado com o DJ Patife) .

   “Quando soube da morte de Chico Science, me deu vontade de aprender a música de pernambuco. Vim para o Recife quando ainda nem estava com gravadora. Acabei conhecendo um pessoal e gravando o maracatu no Estúdio Matolão”, lembra ela. Isto foi em 1999, o disco somente aconteceu dois anos mais tarde.

   Formada em música, Fernanda já estava com dez anos de estrada quando foi contrada pela Trama: “Fiz muita coisa, várias trilhas para cinema, ganhei até prêmio no festival de Gramado”. Para o Festival de Inverno de Garanhuns (cidade que já visitou duas vezes), Fernanda Porto adianta que irá mostrar o repertório do CD e mais o que vem gravando para a trilha que está compondo (do filme Cabra Cega, de Toni Ventura): “Tem uns instrumentais e mais uns remixes de canções da época – a ação se passa durante a ditadura militar – como Expresso 2222 (Gil), Quero botar meu bloco na rua (Sérgio Sampaio) e Construção (Chico Buarque), mas o que mais tem agradado ao pessoal é o remixe de Sampa, de Caetano”.

   O compositor baiano não foi consultado sobre o remixe do seu antológico samba-canção. “Nem sei se ele sabe da gravação. Se não gostar, vou me preparar para brigar com ele. Além do mais, Sampa é também uma mexida na tradição, já que foi feito em cima de Ronda, de Paulo Vanzolini”, lembra.

   A cantora vem para Garanhuns disposta a mexer com a tradição e fazer com que a platéia mexa com o corpo. Para tanto, traz a banda completa: Ricardo Skinowski, baixo, Júnior Queiroz, bateria, Anibal Barbieri, percussão, e Ivo de Carvalho na guitarra. Ela fica com teclados e programações, é o DJ do grupo. “Apesar de utilizar a eletrônica, o DJ é muito humano, diferente do herói da guitarra das bandas de antigamente, um cara supermúsico. O DJ é apenas o intermediário entre a música e a a platéia”.

(© Jornal do Commercio-PE)

 

Com relação a este tema, saiba mais:

Pernambuco, uma terra de muitos ritmos

Saiba mais sobre o Coco Raízes de Arcoverde

13° Festival de Inverno de Garanhuns

Saiba mais sobre o Festival de Inverno de Garanhuns

 

© NordesteWeb.Com 1998-2003

O copyright pertence ao veículo citado ao final da notícia