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Microfone quase faz João Gilberto abandonar palco nos EUA

01/08/2003

João Gilberto, que tocou no Hollywood Bowl após 39 anos  Tuca Vieira/Folha Imagem
 

RICARDO FELTRIN
Editor da Folha Online

   Um microfone de origem austríaca quase fez com que o compositor e cantor João Gilberto, 69, deixasse o palco do Hollywood Bowl, em Los Angeles, na noite de terça-feira. Segundo João, os organizadores do show não respeitaram o contrato, que previa uso do microfone AKG 414. Ele não tocava no local desde 1964, em pleno "estouro" da bossa-nova no mundo.

   João tocou seis músicas, em um show de menos de uma hora, que foi aberto pela também brasileira Luciana Souza (indicada ao Grammy). João começou a reclamar do microfone no lotado Hollywood Bowl (capacidade para 17 mil pessoas) no início de "Doralice", segunda música do show.

   "Onde está o AKG 414?", perguntou João em inglês a um assustado técnico de palco. O AKG 414 normalmente é usado em estúdios, mas pode ser usado em grandes espetáculos.

   Um dia antes do show, o jornal "LA Times" já havia questionado se o "gênio João" não arrumaria alguma encrenca com o som do local e se daria conta de um público tão grande.

   Quando o técnico de palco trouxe um novo microfone, João ficou ainda mais irritado.

   "Este aqui é um AKG, sim, mas é o 'avô' daquele que foi combinado". João Gilberto então ameaçou: "Olha que eu vou voltar para o Brasil! Eu vou embora..."

   Não foi, mas continuou reclamando do microfone a cada clássico que tocava: "Corcovado", "Desafinado", "Garota de Ipanema"...

   O público, encantado, reagiu com bom humor e paciência. Norte-americanos faziam "rodinha" nos poucos brasileiros que estavam no Hollywood Bowl. Eles queriam saber porque o "gênio" estava reclamando de novo. A cada entrada do atormentado técnico de palco, a platéia puxava aplausos, incentivadora.

   João então passou a reclamar do "retorno" do palco também ("retorno" é o equipamento usado para que o músico ouça a si mesmo e aos instrumentos). A certa altura, suspirou e desabafou em português ao microfone (o AKG, mas não o que ele queria): "Gente, está tudo lá no contrato. Mas eles não lêem contrato e eu é que fico me expondo".

   "Minha vontade é largar tudo, mas eu não posso. É muita gente", lamentou-se enquanto olhava o "estádio" lotado, onde ingressos "comuns" custaram em média US$ 75 (cerca de R$ 217) e estavam esgotados havia seis meses.

(© O Estado de S. Paulo)


Caetano canta para 150 mil em Roma

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Acompanhado apenas de um violão, Caetano Veloso levou 150 mil italianos num show ao ar livre na capital da Itália, transformando a música brasileira em ícone do verão no país

   Roma - A música brasileira está dominando as principais atividades culturais do verão de Roma. Para quem vive na capital italiana, este ano será inesquecível por pelo menos duas razões: os artistas do Brasil e o calor excessivo. Já passaram por Roma a música suingada de Gilberto Gil, em seu duplo papel de cantor e ministro da Cultura do Brasil, Caetano Veloso e Maria Bethânia. De acordo com a programação de shows, agora será a vez de Toquinho.

   O show de Caetano Veloso foi o mais representativo e emocionante. O cantor, mesmo enfrentando as altas temperaturas da noite da última quinta-feira, conseguiu reunir cerca de 150 mil pessoas na Piazza del Popolo. O evento foi considerado tão importante quanto o que Paul McCartney fez no Coliseu no ano passado.

Para a imprensa, ele é 'o poeta da canção brasileira

   Definido pela imprensa italiana como "o poeta da canção brasileira" e acompanhado apenas de seu violão, Caetano fez o silêncio tomar conta da maior e mais charmosa praça de Roma logo quando começou a cantar. O momento culminante da apresentação - e esperado por todos - foi quando Caetano Veloso interpretou de maneira serena e muito pessoal, como fez no filme 'Fale Com Ela', do diretor espanhol Pedro Almodóvar, a canção 'Cucurucucu Paloma'.

Violão contrasta com os tambores do Afro Reggae

   Seus poemas musicais contrastaram ainda mais com o som pesado dos tambores do grupo brasileiro Afro Reggae, uma espécie de 'orquestra de percussão' composta por jovens da favela do Vigário Geral, no Rio de Janeiro.

   O Afro Reggae cantou o rap 'Haiti', parceria lançada há alguns anos pela dupla Caetano Veloso e Gilberto Gil. O grupo de percussão também participou de uma performance durante a música 'A Luz de Tieta', composta especialmente para a trilha sonora do filme 'Tieta', de Cacá Diegues.

   Aos 60 anos de idade, Caetano Veloso fez uma apresentação memorável, cantando algumas de suas composições mais conhecidas. Entre elas, 'Menino do Rio', 'Coração Vagabundo', 'Força Estranha' e 'Trilhos Urbanos'. Caetano ganhou de vez a platéia quando cantou uma versão de 'Volare', música que é considerada uma espécie de 'hino' para os italianos.

(© O Estado de S. Paulo)


Carlinhos Brown sacode festival na Espanha
 
   SALLENT DE GÁLLEGO (Espanha) - O músico brasileiro Carlinhos Brown sacudiu na madrugada deste domingo o auditório do Festival Pireneus Sul, num show para cerca de quatro mil pessoas.

Ele se apresentou no festival, realizado nos Pireneus espanhóis, no nordeste do país, como 'Carlitos Marrón', nome da música escolhida para abrir o show. Apesar da força da música de Brown, o público não foi conquistado facilmente.

   O músico não decepcionou: antes de terminar a apresentação, se misturou com o público para mexer com os presentes como algumas de saus canções mais conhecidas, como A Namorada e Já sei namorar, sucesso dos Tribalistas, grupo do qual ele faz parte. Nessa hora, o público se rendeu à energia.

   Carlinhos Brown também mostrou sua imagem mais mística quando decidiu entrar nas águas do lago Lanuza, em frente ao palco flutuante do festival, para fazer uma oferenda de flores.

   Enquanto depositava as flores diante um público já conquistado, o brasileiro cantou, quase a capela, Juras de samba, que em seu último disco interpreta num dueto com a espanhola Rosario.

© JB Online)

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