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Encontro em Salvador discute balé para crianças

06/08/2003

Meninas e meninos têm espaço para dançar, discutir e opinar   Tassia Novaes/Divulgação
 

A DaCi, órgão ligado à Unesco, reúne educadores de 21 países

KARLA DUNDER

  Salvador recebe, pela primeira vez na América Latina, a DaCi - Dance and Child Internacional, até domingo. A DaCi é uma organização, sem fins lucrativos, ligada ao Conselho Internacional de Dança da Unesco, que discute ações ligadas às crianças e adolescentes e ainda conta com a participação deles em debates e pequenas apresentações.

   Lúcia Matos, uma das organizadoras do evento no Brasil, lembra que a DaCi nasceu no Canadá, como um espaço para a discussão da produção artística e educativa. "É sempre difícil organizar congressos, ter oportunidade de juntar pessoas de diferentes partes do mundo para trocar idéias. A DaCi promove a chance de pesquisadores estrangeiros conhecerem a diversidade da produção brasileira", afirma. A conferência abarca diferentes estilos de dança, com o propósito de romper barreiras e levar à reflexão.

   Estão espalhadas pela capital baiana pessoas de 21 países e cerca de 550 crianças. "Conseguimos trazer a DaCi para o Brasil em 1998 e lançamos as chamadas de trabalho em 2000, nos dividimos em duas comissões, uma científica e outra artística. Tivemos seis meses para selecionar propostas e organizar apresentações." Como não é um festival, as apresentações terão no máximo 10 minutos e funcionam como uma ponte entre as discussões e a prática. As atividades adultas e infantis se cruzam, permitindo que crianças e adolescentes participem e opinem. Uma diferença da conferência brasileira para as demais está no fato de os participantes visitarem escolas públicas que têm dança no currículo e projetos comunitários.

   A Cia. Balangandança de São Paulo foi convidada para organizar as atividades com as crianças em células coreográficas e de criação. No sábado, para fechar as atividades, as experiências serão exibidas no Mundaréu. São Paulo também contribui com a presença dos meninos e meninas do Núcleo de Dança da cidade de Votorantim. O grupo conseguiu apoio da Secretaria Municipal de Cultura, da Caixa Econômica Federal e da Gol.

   Todas as atividades foram pensadas e organizadas sem patrocínio, apenas com o apoio da Secretaria de Cultura do Estado. "Como a DaCi não tem um fundo, cobramos as inscrições. Essa ausência de recursos reflete a situação da dança brasileira."

(© O Estado de S. Paulo)

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