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06/08/2003
O cantor romântico lança novo disco e é um fenômeno de popularidade em Pernambuco por JOSÉ TELES Adilson Ramos cantava, em 1997, na inauguração de um casa de shows em São Luís, no Maranhão, quando, de repente, um negro, alto, forte, saiu do meio da platéia, empurrou os seguranças e subiu no palco: Na hora pensei que ia me dar mal, o cara era um verdadeiro Mike Tyson. Fiquei lá parado, ele se aproximou, me abraçou e caiu no choro, dizendo que estava realizado por finalmente me conhecer, relembra o cantor. Um fenômeno de popularidade, Adilson Ramos, aos 58 anos, acaba de lançar mais um disco, Corpo, Alma e Coração (independente). Ele está com 43 anos de carreira, e há duas décadas mora no Recife: Tudo começou com um convite do prefeito de Goiana para fazer um show na cidade. Seria uma apresentação curta, mas apareceu tanta gente que acabei cantando por quase duas horas, conta. Outros prefeitos estavam presentes e o cantor foi convidado para repetir o show em suas cidades. Adilson Ramos estava vivendo em São Paulo, voltara a gravar um LP, mas não tinha intenção de retornar à roda-viva iniciada em 1960, aos 15 anos,com Olga, gravada quando ele ainda integrava o conjunto Os Cometas. O sucesso na região foi tanto que ele se mudou com a família para o Recife e retomou em tempo integral a carreira que praticamente havia abandonado em 1967: Na verdade, eu comecei criança no Clube do Guri, no Rio, que era apresentado por Leila Diniz, ela também bem menina. Aos 18 anos, em 1963, Adilson Ramos tornou-se um dos maiores ídolos da juventude brasileira pré-Jovem Guarda, com o megasucesso Sonhar contigo (em parceria com o tio, Ermelindo Leandro). Contemporâneo de Sérgio Murilo, Renato e seus Blue Caps, Wanderléa, Erasmo e Roberto Carlos, curiosamente ele não fez parte da Jovem Guarda, embora fosse um dos cantores mais badalados do País no início dos anos 60. Muitas vezes ajudei Roberto Carlos a pagar o aluguel, a gente quando se vê conversa sobre aquela época. Participei de muitas caravanas, pelo interior do Rio, com todo o pessoal da Jovem Guarda, mas nunca fiz parte de movimentos, porque sempre estava viajando. Isto de certa forma não foi bom, porque não deixei o meu nome marcado na história da música popular como outros que tiveram sucesso até menor, lamenta. LOUCURA DE FÃS Adilson Ramos orgulha-se de ter sido um dos primeiros artistas brasileiros a ir, literalmente, aonde o povo estava: Viajei o Brasil inteiro. Íamos eu e meu pai, no início eu me apresentava tocando acordeão. Cantei em tudo quanto foi cidade do Brasil, geralmente em salas de cinema. No intervalo das viagens, gravava e divulgava os discos no rádio e na TV. Até 1966, lançava o indefectível LP anual, sempre emplacando um ou dois megassucessos, que faziam dele um dos ídolos mais assediados pelas fãs: Hoje em dia, o pessoal apenas olha, pede autógrafo, mas naquele tempo era uma loucura. As meninas queriam de toda forma ficar com alguma lembrança do ídolo. Muitas chegavam com tesouras para cortar um pedaço da roupa, do cabelo. Às vezes dava medo, conta Adilson Ramos, recordando uma tarde de autógrafos acontecida em 1966, numa loja de discos em Belo Horizonte, que virou histeria coletiva: As fãs simplesmente quebraram tudo. Eu tive que me esconder nos fundos da loja. O coitado do dono pensava que ia ter lucro e acabou com o maior prejuízo. Em 1963, na primeira vez que esteve no Recife, para cantar no programa de Fernando Castelão, na TV Jornal do Commercio a multidão o esperava no aeroporto e a fila estendia-se até a Mascarenhas de Moraes. Em 1967, Adilson Ramos cansou. Já estava casado com Ivani, com quem vive até hoje e tem três filhos, e não pretendia continuar apresentando a esposa como prima para não magoar o fã-clube. Naquele ano, a sua gravadora, a RCA, teve que se contentar em lançar um LP de maiores sucessos. Seu astro somente voltaria a gravar um disco de inéditas em 1974. Durante esses anos sua ocupação principal foi uma fábrica de móveis, que montou com a família. A volta lenta à música deu-se com a gravação do LP Eu e o Tempo, até hoje em catálogo, e a mudança para Pernambuco, onde é um fenômeno de popularidade: No interior, os prefeitos recebem abaixo-assinados pedindo shows meus. No Circuito do Frio sempre me escalam para o domingo, porque dizem que eu chamo público. Este ano, em Garanhuns, o meu show foi o que teve a segunda maior platéia, jacta-se. Naturalmente, diminuí o ritmo, hoje faço uma média de quatro shows por mês. em época de campanha política, um pouco mais, comenta, acrescentando que nunca passou por sua cabeça filiar-se a partidos: Já fui sondado, prefiro não revelar o partido, mas não tenho interesse, meu negócio é música, confidencia. Adilson Ramos mora numa cobertura duplex, na Avenida Boa Viagem, mas garante que não é milionário, como muitos imaginam, e que precisa continuar trabalhando: O artista ganha com shows. Disco rende pouco, e direito autoral é uma brincadeira. Com mais de 40 anos de carreira não ganho mil reais por mês do Ecad, revela. Mesmo assim, confessa-se um homem realizado: Às vezes penso que Deus me deu muito mais do que eu merecia. (© Jornal do Commercio-Pe)
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