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Tambores dialogam com o mundo

14/09/2003

O percussionista Reppolho


O percussionista Reppolho, recifense do bairro de Água Fria, ganhou o Brasil e o mundo com sua arte e agora lança seu terceiro álbum autoral, com raízes nos ritmos locais

por MARCOS TOLEDO

   Na passagem do cantor Moraes Moreira por Pernambuco, durante o último festival Jardim Cultural, em Belo Jardim, o bom baiano trouxe em seu cast instrumental o percussionista Reppolho, produto da terra, que saiu do bairro de Água Fria, Zona Norte do Recife, para ganhar o Brasil e o mundo. Dono de uma carreira solo substancial, Reppolho aproveitou a vinda ao Estado para divulgar seu terceiro álbum autoral, Dialetos ao Vivo (independente, 2002).

   A música de Dialetos é uma fusão evidente dos estilos jazzísticos recifense e carioca. Nela, o autor experimenta os ritmos que lhe provocaram maior influência em seus 29 anos de carreira, como o jazz contemporâneo, o rock progressivo e a chamada música latina. “Desde que morava aqui, sempre tive a cabeça antenada”, diz.

   Primeiramente, contudo, Reppolho se mostrou atentou ao que estava mais próximo de sua realidade, que eram as batidas do tambores afros dos terreiros da periferia, a tradição inserida em território pré-urbano. “Nos anos 70, trabalhei muito para colocar tambores afros na música local”, lembra o artista. Depois, já antenado, deu uma ‘canja’ num show de Johnny Alf, no antigo Projeto Pixinguinha (Teatro do Parque, 1979), que lhe valeu um convite para tocar no Rio de Janeiro.

   Ao longo de mais de vinte anos, Reppolho colecionou trabalhos com nomes de referência da MPB. Somente em gravações, atuou com Gilberto Gil, Blitz, Ednardo, Titãs, Alceu Valença, Dulce Quental, Vinícius Cantuária, Victor Ramil, Pepeu Gomes, Elba Ramalho, Deborah Blando, Cidade Negra e Luiz Melodia, para citar os mais famosos. Com Moraes Moreira, gravou quatro álbuns, incluindo o mais recente, Meu Nome É Brasil, previsto para outubro próximo.

   Tamanha vivência com um instrumento que permite bastante experimentação, dá liberdade para Reppolho desenvolver, paralelamente, uma obra autoral, sem compromissos mercadológicos, na qual explora o que há de mais conceitual em seu repertório pessoal. Dialetos ao Vivo sintetiza em harmonia a base afra, a percepção e filtragem do artista sobre os vários ritmos com os quais trabalha e os workshops que ministra. Predomina, entretanto, a veia jazzística.

   Todas as nove composições são assinadas pelo próprio percussionista. No disco, gravado ao vivo no Museu da República (RJ), ainda em 1999 – mas só lançado em 2002 –, Reppolho toca congas, timbales, djembê, talkdrums, batá e bateria, além de produzir efeitos eletrônicos e vocais. O músico é ainda acompanhado pelo baixista Alberto Continentino, o tecladista Cláudio Andrade e o flautista/saxofonista Gláucio Martins, com direito a improvisações.

CD Dialetos ao Vivo, do percussionista Reppolho. Contatos – site: www.reppolho.hpg.com.br, e-mail: reppolho@aol.com, fones: (21) 2455.6198/ 9797.6553

(© Jornal do Commercio-PE)

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