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Fundação Banco do Brasil lança Projeto Memória

05-06-2008

Cartaz do Projeto Memória

Daniela Leiras

   O homem que dedicou a vida ao combate à fome no Brasil está sendo homenageado, neste ano, com uma farta divulgação de sua história. Livros, vídeos e uma exposição foram preparados para saudar a vida e a obra de Josué de Castro (1908-1973), médico pernambucano, o primeiro a tratar a questão da fome como uma ameaça à soberania de um país. Cerca de 800 escolas em todo o país receberão a exposição sobre sua vida, enquanto todas as cinco mil bibliotecas públicas do Brasil receberão livros e vídeos sobre sua obra. Além disso, 18 mil escolas municipais e estaduais serão brindadas com guias e almanaques que exaltam o trabalho dessa figura emblemática que contribuiu para a nossa transformação social. Isso tudo será possível com o lançamento da oitava edição do Projeto Memória, da Fundação Banco do Brasil (FBB) em parceria com a Petrobras. A cada ano, uma personalidade é homenageada. O investimento para esta edição é de R$ 2 milhões.

 

   Autor dos livros Homens e caranguejos (1967), Geopolítica da fome (1951) e Geografia da fome, (1946), traduzido para 25 idiomas, a produção de Josué ganhou uma coroação especial no dia 22 de junho. Foram realizadas solenidades no Palácio do Planalto, em Brasília, e em todas as capitais do país, onde foram inauguradas a exposição itinerante Josué de Castro – Por um Mundo sem Fome. A expectativa é alcançar cerca de 1,5 milhão de visitantes, que encontrarão Josué em 18 painéis com fotos e textos sobre sua vida e obra. Em algumas imagens, o médico aparece com a família e amigos ilustres. As exposições ficarão em escolas, teatros, centros culturais e agências do Banco do Brasil durante duas semanas.

 

   Médico é apenas um dos muitos títulos de Josué, que também foi cientista, professor, escritor e político. Seu currículo dá a medida do seu empenho em prol de uma sociedade igualitária. Em 1955 e 1959 foi eleito deputado federal pelo estado de Pernambuco. Vislumbrou projetos como o Merenda Escola, criou os restaurantes populares do Serviço Central de Alimentação e chegou à presidência do conselho da Organização de Alimentos e Agricultura das Nações Unidas (FAO). Ao deixar o cargo, em 1957, fundou a Associação Mundial de Luta contra a Fome (Ascofam). O reconhecimento veio logo: em 1963 e 1970, recebeu indicações para o Prêmio Nobel da Paz.

 

   No momento em que o governo Lula discute soluções para o combate à desnutrição e à miséria no Brasil, lembrar as ações de Josué de Castro é dar prioridade ao tema. É o que afirma o presidente da Fundação Banco do Brasil, Jacques Pena: “Entendemos que toda a sociedade está mobilizada, por meio do programa Fome Zero, para a questão da exclusão social e da fome no Brasil. Resgatar a vida e a obra de Josué de Castro é reconhecer e valorizar publicamente a importância do trabalho desse brasileiro que, nos anos 1940, já apontava a reforma agrária como uma necessidade histórica para se vencer a fome.”

 

   Perseverança e otimismo são palavras que resumem um pouco o combustível que movia Josué em direção a um debate maior sobre o grande problema mundial. Ele era insaciável, não apenas na luta contra a fome de alimento mas também com a fome de conhecimento e de liberdade, conta a filha do médico, a socióloga Anna Maria de Castro. “As novas gerações estão tendo a oportunidade de conhecer a lição de um brasileiro que nasceu pobre e começou a denunciar com ênfase o fenômeno da fome, que não é natural, mas uma criação dos homens. Apesar de ter estudado um tema bastante cruel, meu pai era otimista e apontava soluções”, diz ela.

 

   A bandeira social que ele carregava, no entanto, nem sempre foi aceita. Muitos preferiam fechar os olhos para a situação de miséria que a cada ano vitimava populações, lembra Anna Maria. Josué foi cassado pelo regime militar em 1964, quando era embaixador em Genebra. “Ele morreu no exílio, na França, em 1973. Naquele momento, não enterraram apenas o seu corpo, mas também toda a sua obra. Muitas pessoas nunca ouviram falar de Josué de Castro. Agora, com o Projeto Memória, estamos desenterrando o grande exemplo que ele deixou para todos nós”, comemora sua filha.

 

   Para o dia do aniversário de Josué (5 de setembro), estão previstos os lançamentos de um videodocumentário, produzido por Tânia Quaresma, e de um livro fotobiográfico, escrito pelo jornalista Xico Sá. Seis mil exemplares vão rechear as bibliotecas públicas de todo o país. Segundo a coordenadora do Projeto Memória, Maria Helena Langoni Stein, em julho será a vez de as escolas públicas abrirem as portas para Josué. Elas receberão um conjunto pedagógico composto por almanaques históricos e guias para os professores.

 

   Mais do que ler, escrever sobre Josué de Castro também vai valer a pena para os estudantes dos ensinos fundamental, médio e superior: já estão abertas as inscrições para o concurso anual de redação da Fundação Banco do Brasil em parceria com Fundação Assis Chateaubriand. Em outubro, serão distribuídos R$ 35 mil em prêmios para os autores dos melhores textos sobre o homenageado de 2004.

 

   Acompanhando Josué, outras personalidades fizeram parte do Projeto Memória (criado em 1997, com apoio da Fundação Odebrecht). Pessoas que, como o próprio nome do projeto já diz, não deveriam ser esquecidas jamais pela significativa contribuição que deram para o desenvolvimento do Brasil: Castro Alves, Monteiro Lobato, Rui Barbosa, Pedro Álvares Cabral, Juscelino Kubitschek e Oswaldo Cruz. Em 2001, optou-se por uma retrospectiva dos anos anteriores.

(© Site da FBB)

 

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