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Aramis, além da trindade

05-06-2008

Aramis Trindade, primeiro à esquerda

Eduardo Simões

   Com o pernambucano Aramis Trindade — ator da peça “Homem objeto” e dos filmes “Baile perfumado” e “Onde anda você” — não tem esse papo de recusar papel porque é estereótipo de palhaço, nordestino ou afins. Nem de fazer só teatro, cinema ou TV.

   — É tudo o mesmo preço. Pode mandar papel de carioca, paulista e de nordestino. E como diz o Sérgio Rezende, arte é que nem sorveteria, tem que ter todos os sabores — brinca Trindade, mais conhecido pelos tipos engraçados, mas que em breve aparecerá nas telas como um bandido, que atende pelo nome de Márcio Greyck.

    Nascido no Recife há 39 anos, o ator pernambucano tem atuado incansavelmente no teatro, na TV e no cinema, onde tem aparecido numa média de dois longas-metragens por ano. Na terça-feira, ele participa no Odeon da pré-estréia de “Espelho d’água — Uma viagem no Rio São Francisco”, que estréia 9 de julho.

   — Faço o Zé das Carrancas, uma figura jocosa, que atravessa o filme, um misto de ficção e realidade.

   Trindade é filho de Bóris Trindade, advogado pernambucano que era sócio do teatro ao ar livre em Nova Jerusalém, famoso pelas encenações da Paixão de Cristo. Foi numa escola de circo dentro da cidade que o ator teve seu primeiro contato com a arte, a partir dos 12 anos, trabalhando, entre 1977 e 1982, como palhaço.

Ator foi premiado no Festival de Brasília por “Baile perfumado”

   Entre 1982 e 1983, o ator fez sua primeira peça, “A aurora da minha vida”, de Naum Alves de Souza. Até 1992, ele atuou em mais de 20 peças na companhia de pai, a Aquarius Produções. Antes, em 1990, o ator havia criado com Lírio Ferreira e Paulo Caldas a Safi Filmes, produtora de “Baile perfumado”, filme que deu a Trindade o prêmio de melhor ator coadjuvante no Festival de Brasília, em 1996.

   — Diria que aí foi meu upgrade , um empurrão para meu trabalho ser conhecido nacionalmente — diz o ator.

   Depois de uma parada para o teatro, em que Trindade fez “Mamãe não pode saber”, de João Falcão, “Lisbela e o prisioneiro”, de Guel Arraes, em 2001, para dar conta dos convites que começavam a acontecer fora de Pernambuco, o ator mudou-se para o Rio. A partir daí, retomou a carreira no cinema, atuando em “Auto da Compadecida” e “Lisbela e o prisioneiro”, ambos de Arraes, “Didi, o cupido trapalhão” e “Onde anda você”, de Sérgio Rezende.

   Na TV, Trindade já trabalhou no quadro “Homem objeto”, baseado na peça homônima com ele, Lúcio Mauro Filho e Bruno Garcia, que viaja pelo país a partir do início de agosto, fez uma participação em “A diarista”, e repetidamente apareceu como o Marreta, em “A grande família”.

   Em abril, ele terminou as filmagens de “Árido movie”, novo longa de Lírio Ferreira, em que vive Márcio Greyck, um personagem de nome engraçado. Mas a graça pára por aí.

   — O nome foi dado pela mãe, que era fã do cantor Márcio Greyck — conta Trindade. — Ele é terrível, um mafioso que usa a pouca água do sertão para plantar maconha. É um filme sobre política e religião, em que a moeda de troca entre as pessoas é a água.

   No dia 12 de julho, Trindade volta aos sets, desta vez para filmar, ao lado de Lázaro Ramos e Wagner Moura, a adaptação para o cinema da peça “A máquina”, de João Falcão. Em 2005, mais dois filmes: “Deserto feliz”, de Paulo Caldas, e “Cordel virtual”, longa que terá direção de Alceu Valença e Walter Carvalho.

   — Farei um mudo, que, quando “fala”, aparecem legendas. Não é demais isso, véio ?

(© O Globo)

 

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