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05-06-2008
Moacir Santos ensinou música a Sérgio Mendes e Nara Leão e compôs para Lalo Schifrin. Também criou uma obra-prima, Coisas, que agora volta a circular Sérgio Martins Lançado em 1965, o disco Coisas, do maestro pernambucano Moacir Santos, tornou-se uma espécie de obra-prima secreta da música brasileira com o passar dos anos. Inúmeros artistas se declaram influenciados por ele, e o jornal americano The New York Times o incluiu entre as 100 maiores gravações de jazz de todos os tempos, numa lista organizada em dezembro de 2002. Mas quem não comprou o disco na época de seu lançamento nem o encontrou em alguma velha coleção de LPs dificilmente teve a oportunidade de ouvi-lo. Até nos sebos, tratava-se de uma raridade. Só agora, quase quarenta anos depois de sua edição original, Coisas volta a circular, como CD. Vale a pena conferir. É um trabalho extraordinário, de um músico especial. Moacir Santos nasceu em 1924. Na década de 40, mudou-se para o Rio de Janeiro a fim de tocar na Orquestra Tabajara, uma das mais famosas da época. Sua facilidade assombrosa para aprender instrumentos e assimilar partituras o transformou num professor disputado. Santos ajudou Sérgio Mendes a lapidar seu talento e deu aulas de harmonia para a cantora Nara Leão, que acabou registrando sua música mais conhecida, Coisa Nº 5, também chamada de Nanã. De maneira menos assídua, o violonista Baden Powell também freqüentou a casa de Moacir. "Ele costumava aparecer cansadíssimo das noitadas. Aí, em vez de ter aula, deitava no sofá e dormia", lembra Santos. Outro não-aluno foi João Gilberto. "Ele desmarcava as aulas em cima da hora. Depois, pedia desculpas me convidando para tomar pinga com Crush." Em compensação, Moacir Santos fez grandes parcerias ao lado de Vinicius de Moraes – que o homenageou nos versos de Samba de Bênção. "Moacir Santos/ Tu que não é um só, é santos/ Como este Brasil de todos os santos." Em 1967,
Santos migrou para os Estados Unidos a convite do músico de jazz Horace
Silver. O temperamento discreto fez com que se adaptasse bem ao trabalho de
ghost-writer, com que passou a ganhar a vida. Em outras palavras,
Moacir Santos fazia trilhas de filmes e seriados de televisão, que depois
eram creditadas a outros compositores. Nos bastidores musicais, há muita
gente que afirma que o tema do seriado de espionagem Missão Impossível,
assinado por Lalo Schifrin, saiu da pena de Santos. Ele não confirma nem
desmente a história. "Só digo que realmente fiz vários trabalhos assinados
por Lalo." Há nove anos, Moacir Santos teve um derrame que limitou os
movimentos de sua mão direita. Mas ele não interrompeu seus trabalhos. Em
2001, participou das gravações de Ouro Negro, um disco em sua
homenagem produzido pelos músicos Mario Adnet e Zé Nogueira. Atualmente, ele
se empenha numa parceria com o jazzista Wynton Marsalis e num novo disco,
chamado Choros & Alegria, ainda sem previsão de lançamento. "Estou
feliz com a vida que a música me proporcionou", diz o compositor, hoje com
80 anos.
(© Revista Veja)
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