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Diversidade é bola da vez no 14 º FIG

05-06-2008

Hélder Carvalho

Naná Vasconcelos no FIG 2003

Começa hoje o Festival de Inverno de Garanhuns que este ano ampliou o leque de opções de cultura e lazer

   Diversidade cultural é a proposta do 14º Festival de Inverno de Garanhuns que começa hoje e vai até o próximo dia 17. Este ano, o FIG, maior festival de inverno do Nordeste, traz novidades que poderão levar um público diferenciado à cidade agrestina que fica a 224 quilômetros do Recife. Além dos pólos tradicionais como a praça Guadalajara, o parque Euclides Dourado e o Parque Ruben van der Linden, onde se apresentam artistas populares, bandas de pop-rock, conjuntos instrumentais e companhias de dança, haverá um espaço maior para a música erudita, com o projeto Música na Igreja, que acontecerá na Igreja de Santo Antônio, e uma programação de cinema feita em parceria com o Cinema da Fundação com vários filmes inéditos no Estado.

   Na abertura do FIG será prestada uma homenagem aos cantores que surgiram na Era do Rádio, anos 40 e 50, quando o veículo fazia o papel que hoje é da televisão. Estão encarregados de abrir o evento artistas da velha guarda da música brasileira, como Agnaldo Timóteo, Expedito Baracho, Dalva Torres, Mozart e Ângela Maria. Eles se apresentam no palco montado na praça Guadalajara a partir das 21h30. Nos outros pólos culturais, a agitação só começa a partir de amanhã.

   Neste primeiro final de semana, a principal atração é o show de Ney Matogrosso e Pedro Luís e a Parede. O veterano cantor juntou-se à banda da geração 90 e lançou o elogiadíssimo disco Vagabundo. Ainda neste final de semana se apresentam artistas consagrados do cenário nacional como Otto, Simone, o forrozeiro Santanna e Lula Queiroga. A banda francesa La Rue Ketanou é uma das grandes expectativas do festival, já que o grupo é praticamente desconhecido dos brasileiros. Eles se apresentam na primeira noite do palco pop. Além dos artistas nacionais e estrangeiros, o FIG abre espaço, como sempre, para as bandas pernambucanas. Artistas que já estão na estrada há um bom tempo, como Eddie, Devotos, Alex Mono e Faces do Subúrbio sobem ao palco pop junto com bandas novas como a Mombojó e o Superoutro.

   Bruno Lisboa, presidente da Fundarpe, acredita que a diversidade é a bola da vez no FIG. “Procuramos dar uma marca ao FIG e por isso apostamos na diversidade. Este é o único evento do Brasil que tem essa configuração, com essa diversidade de segmentos”, explicou Lisboa. O Governo do Estado investiu cerca de R$ 2 milhões no festival que, além de movimentar culturalmente a cidade, esquenta a economia da região. Segundo o IBGE, durante os dias do festival, Garanhuns, que tem 117 mil habitantes, recebe 60 mil turistas, no final de semana esse número chega a 100 mil. Como este ano o leque de opções é ainda maior que nas edições anteriores a tendência é que o público aumente. Segundo Bruno, até a última terça-feira, mais de 300 casas já haviam sido alugadas. “Estamos concorrendo com o carnaval de Olinda”, brincou Bruno Lisboa.

(© JC Online)


Mostra de cinema ganha peso no FIG

A seleção de filmes foi organizada pela curadoria do Cinema da Fundaj e exibirá um longa inédito de Woody Allen em sua programação

RAFAEL GUERRA

   Longas-metragens inéditos no Nordeste, novos curtas pernambucanos e uma seleção de filmes com curadoria especializada. Assim será a Mostra de Cinema do FIG, que este ano fez uma parceria com o Cinema da Fundação, e que começará na próxima segunda, seguindo até a sexta-feira. As obras serão exibidas em um cinema improvisado no Parque Euclides Dourado, com capacidade para 850 pessoas. As sessões começarão às 19h e a entrada é franca.

   Serão ao todo cinco longas e seis curtas. A curadoria foi feita pelos jornalistas Kléber Mendonça Filho e Luís Joaquim, da Fundaj, e quem coordena o projeto na Fundarpe é Geraldo Pinho Alves. O destaque da programação vai para a pré-estréia nacional do novo filme de Woody Allen, Igual a Tudo na Vida (Anything Else, EUA, 2003), que só estréia no Brasil em 13 de agosto. Estrelado pelo próprio Allen e com os jovens atores Christina Ricci e Jason Biggs, Igual a Tudo na Vida conta a história de Jerry Falk, um aspirante a escritor de Nova Iorque, que se apaixona por uma jovem volúvel e excêntrica.

   Um dos outros trunfos da mostra é o russo O Retorno (Vozvrashcheniye, 2003), vencedor do Festival de Veneza de 2003. Há, ainda, o premiado documentário brasileiro Prisioneiro da Grade de Ferro, inédito no Recife.

   Os outros dois longas que serão exibidos são o italiano Respiro, de Emanuele Crialese, vencedor do Grande Prêmio da Semana da Crítica e do Prêmio do Público no Festival de Cannes 2002, e Um Tiro no Escuro, clássico de Blake Edwards, com Peter Sellers, o segundo filme da série Pantera Cor de Rosa.

   “Vamos fazer uma divulgação grande nas rádios e esperamos que esta nova iniciativa ajude a interiorizar o cinema no Estado”, disse o organizador Geraldo Pinho Alves.

(© JC Online)


Programação teatral abre com o fôlego da peça Deus Danado

   Drama, humor, circo e balé. Nem só de shows e cinema é feito o FIG. Como nos anos anteriores, o evento conta também com uma vasta programação de artes cênicas, que promete divertir o público pela manhã (espetáculos infantis), à tarde e à noite (circo, dança e teatro infantil). Algumas atrações são gratuitas, mas as que ocupam o palco do Teatro Luís Souto Dourado têm ingresso ao preço único de R$ 3.

   A programação abre com fôlego total, com a peça Deus Danado, uma das principais atrações do festival. A encenação é do diretor Júnior Sampaio, pernambucano radicado em Portugal, que contracena com o ator Leonardo Brício (o Ulisses da novela Da Cor do Pecado).

   É uma oportunidade única de conferir esta montagem do vigoroso texto de João Dennys, que já foi adaptado no Recife por vários encenadores, a versão mais recente é a da atriz Augusta Ferraz. O texto é um drama violento sobre a relação do padrinho Teodoro e seu afilhado Luiz, criaturas corroídas pela fome e solidão. A peça é encenada amanhã e sábado, às 19h, no Teatro Luís Souto Dourado.

   O domingo marca a estréia de Angu de Sangue no evento. A peça é um dos destaques da temporada deste ano no Recife e é uma adaptação de contos do livro homônimo do escritor Marcelino Freire. O diretor Marcondes Lima criou um espetáculo multimídia, que utiliza interpretação e vídeo para retratar diferentes situações em que a violência das grandes cidades se faz sentir mais forte. A apresentação é também no teatro, às 19h.

  Ainda neste fim de semana, no Parque Euclides Dourado, a partir das 15h, artistas circenses ganham o picadeiro. Participam Arricirco, Associação dos Proprietários e Artistas de Circo de PE, o AfroCirco (RJ) e a Escola Pernambucana de Circo. Confira toda a programação no JC OnLine.

(© JC Online)

 

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