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05-06-2008
O diretor teatral João Falcão estréia como cineasta adaptando para a tela o texto que o consagrou nos palcos Rodrigo Fonseca Nordestina, uma pobre, pequena e alegórica cidade imaginada pela escritora Adriana Falcão, está sendo gerada neste momento num estúdio de cerca de mil metros quadrados, no Pólo de Cinevídeo, em Jacarepaguá. E, junto dela, começa a nascer também uma carreira de cineasta, a de João Falcão. Em meio a quilos e quilos de areia e terra vermelha, gruas, mesa de luz e construções cenográficas reproduzindo velhas casas, barbearias e bares do interior de um folclórico Brasil, o diretor teatral prepara os últimos detalhes para as filmagens de A máquina, novela escrita por Adriana, sua mulher, e cuja adaptação para os palcos, encenada em 2000, consagrou seu nome nacionalmente.Não só o dele. Afinal, atores como Lázaro Ramos, Wagner Moura e Vladimir Brichta, hoje queridinhos da TV, eram praticamente anônimos antes da consagração de A máquina no teatro. Todos estarão no longa-metragem, que daqui a cinco semanas terá as filmagens encerradas. - Voltei ao livro da Adriana para pegar a história de A máquina e jogar na tela. Isso não é teatro. Eu estou virando cineasta - diz o encenador pernambucano, em um intervalo da montagem do set, minutos antes de apresentá-lo ao produtor Diler Trindade e ao amigo e conterrâneo Guel Arraes, diretor de Lisbela e o prisioneiro (2003). Como se trata de um projeto co-produzido pela Globo Filmes, Guel, diretor de núcleo na emissora, foi conhecer o que João planeja para a história de amor entre a bela Karina (Mariana Ximenes na tela grande) e o sonhador Antônio, vivido por Gustavo Falcão, quando jovem, e por Paulo Autran, na terceira idade. - Se os americanos têm o faroeste, o Brasil tem os filme de Nordeste, que já viraram um gênero. Há hoje uma leitura menos, digamos, ''Cinema Novo'' da região, com maior otimismo, mais lírica. Pelo que vejo, João trouxe sua influência teatral para cá. Está cuidando do cenário, da luz, do texto... João é a máquina - diz Guel. Lançada há quatro anos, num armazém do Recife Antigo, com um elenco predominantemente nordestino, A máquina conquistou rasgados elogios da crítica com suas brincadeiras de linguagem, mexendo com a fabulação dos contadores de histórias. Em cena havia um cenário giratório onde quatro atores, fazendo quatro versões de Antônio, corriam, numa acrobática performance. - A literatura nordestina tem grandes histórias. A máquina é uma brincadeira com a memória fantasiada - define João Falcão. Na trama de Adriana, que assina o roteiro do filme ao lado do marido, Nordestina é abandonada por seus habitantes e, quando Karina decide partir, seu amado lhe promete inventar um novo mundo. Para isso decide viajar no tempo, usando uma perigosa engenhoca, a tal máquina do título, munida com 700 lâminas giratórias. Sua jornada ganha notoriedade depois de anunciada para o Homem da Televisão - que será interpretado por Wagner Moura. Para montar o filme, João Falcão ampliou a história, introduzindo uma passagem de Antônio por um hospício onde encontrará os loucos vividos por Aramis Trindade e Lázaro Ramos. Paulo Autran entrará em cena representando o futuro do herói, em 2055. - Quero usar os recursos desta máquina do tempo que é o cinema. Idas, vindas, cortes rápidos. Quero brincar de ilusão - diz João, que vai contar com o renomado Walter Carvalho na direção de fotografia. João descarta a hipótese de que A máquina tenha ditado uma nova estética para o teatro brasileiro, apesar de todo o sucesso. - A máquina pode ter apontado um caminho, indicado direções, já que mostramos que uma arte que fala das pessoas pode atrair. Mas há muitos caminhos abertos hoje no teatro - diz o diretor, que vê o cenário nacional das artes cênicas com grande otimismo: - Sinto um cheiro de retomada no teatro brasileiro. Voltei a ver as pessoas discutindo, trocando idéias, experimentando mais. E percebo agora o público indo aos espetáculos. Isso entusiasma. (© JB Online)
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