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Releitura de Ariano no Palco Giratório

05-06-2008

Ariano Suassuna, em sua casa

Projeto do Sesc inicia hoje série de apresentações de grupo de Brasília

Tatiana Meira
da equipe do DIARIO

   O público se acomoda em almofadas, enquanto os atores ficam suspensos em redes, sem tocar os pés no chão, e, neste espaço nada convencional, cantam, recitam o texto, fazem acrobacias aéreas. O cenário cabe na imaginação do elenco da Companhia Brasil no Palco, de Brasília, que inicia hoje, no Teatro Armazém 14, no Bairro do Recife, uma série de quatro apresentações da comédia Presépio de Hilaridades Humanas. A montagem chega à platéia recifense através do projeto Palco Giratório (2ªetapa do Circuito Nacional de Teatro e Dança), do Sesc nacional.

   Baseado numa livre adaptação do terceiro ato de A Pena e a Lei, de Ariano Suassuna, Presépio de Hilaridades Humanas põem em cena 10 atores e três músicos, que executam a trilha sonora ao vivo. O espetáculo fez sua estréia há quatro anos, quando os atores estudavam artes na Universidade de Brasília (UnB). "Nosso ponto-chave é a cultura brasileira. Não tenho nada contra os clássicos, mas precisávamos de um autor que sintetizasse o popular e o erudito dentro do Brasil.Gostaríamos muito que Ariano assistisse à peça", conta Bárbara Tavares, que divide a direção com Caísa Tibúrcio.

   Do universo nordestino foram trazidos sete personagens, que se encontram perdidos no limbo: o padre, a prostituta, o caminhoneiro, o retirante, o vaqueiro, o fazendeiro e o poeta. Eles enfrentam situações engraçadas e cotidianas, até que percebem estar mortos e prestes a serem julgados por Deus. Outras duas figuras divinas também estão no espetáculo - a dona do mamulengo Cheirosa, vivida por Luciana Oliveira, que se transforma em Nossa Senhora e na Rainha do Meio-Dia e a Morte ou Moça Caetana, misto de fera e mulher, referência ao Romance da Pedra do Reino.

   O espetáculo esteve em temporada duas vezes em Brasília e, em 2003, foi visto na mostra paralela do Fringe, em Curitiba (PR). Alcançando boa repercussão com a platéia e a crítica, foi mostrado à curadoria do Sesc. "Era um sonho levar a montagem ao Nordeste e outras regiões do País. Não existimos como um grupo formal, mas somos apaixonados pelo que fazemos", reforça Bárbara Tavares. As redes de tecido, explica a diretora, onde os atores ficam, foram adquirindo novos significados. No Nordeste elas também enterram os mortos e são usadas pelos índios para dormir (e fazer filhos).

   PROSA - Os integrantes da Companhia Brasil no Palco vão coordenar uma oficina musical na próxima segunda-feira (dia 19), no Sesc Santa Rita, a partir das 19h, dentro de outra iniciativa do Sesc, o projeto Prosa Popular. O diretor musical do espetáculo, George Lacerda, orientará a oficina, utilizando elementos da percussão, ritmos e instrumentos brasileiros. Do Recife, o grupo parte em turnê para Caruaru, Arcoverde e Petrolina. O Palco Giratório prevê conversas com os espectadores após as apresentações.

Serviço

Presépio de Hilaridades Humanas, dentro do projeto Palco Giratório
Onde: Teatro Armazém 14 (Bairro do Recife)
Quando: De hoje até domingo, às 20h
Quanto: R$ 5,00 (comerciários,estudantes e classe artística) e R$ 10,00 (público em geral)
Informações: 3224-7577 (Sesc Santa Rita)/ 3424.5613 (teatro)

Pernambuco.com)

 

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