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Arteiro da música popular brasileira

05-06-2008

Xangai

 

Xangai é a principal atração hoje no Projeto Seis e Meia

Michelle de Assumpção
DA EQUIPE DO DIARIO

   "Eu não sou artista, sou arteiro", dispara Xangai, contrariando qualquer tentativa de classificá-lo dentro de algum segmento da música popular. Ele prefere dizer que é um artesão de sons. Não prepara roteiro de shows, não se preocupa com ordem de músicas, nem com direção musical. Na hora "H", pega sua viola e canta para o povo, aceitando sempre as sugestões que lhes são mandadas. No show que faz esta noite, no projeto Seis e Meia do Teatro do Parque, Xangai vai mesclar canções antigas, consagradas, com uma série de músicas novas que vem compondo. Arteiro ativo, ele consegue ser um divulgador da boa música popular - aquela que não está nas rádios nem televisão - ao mesmo tempo que sai em caravanas pelas capitais e interior, muitas vezes acompanhado pelos compositores que recebe em seu programa da TVE, chamado Brasilerança, que vai ao ar na rádio Educadora (SP), aos domingos.

   "Eu sou assim, sou à vontade, sou arteiro, eu me autodirijo", diz Xangai, que tem público cativo em qualquer lugar onde se apresente. O cantor e cantador, vaqueiro e violeiro será acompanhado, neste show, pelo seu maestro, violonista e violoncelista João Omar, filho de Elomar. O poeta e cantador Paulo Matricó, que também traz na sua bagagem histórias do Sertão, fará a abertura do Seis e Meia. Com seu violão e gaita, Matricó combina com a poesia e temáticas exploradas por Xangai. Canções simples e bonitas, com o apuro da métrica desenvolvida pelos cantadores.

   Além dos palcos e dos programas de TV e rádio, Xangai está envolvido em mais um projeto. Trata-se do lançamento do disco Nóis é Jeca mas é Jóia, que traz composições de Juraildes da Cruz cantadas por Xangai. A canção vencedora do Prêmio Sharp foi agora gravada em dupla, e dá nome ao primeiro álbum dos dois juntos. Doze das treze músicas são de Juraildes. O CD conta ainda com duas faixas bônus, que são dois videoclipes para serem visto na tela do computador, com os próprios artistas cantando no estúdio.

   "Eu só faço disco junto com gente muito especial," afirma Xangai, que cantou e co-produziu o disco com Mario de Aratanha. "Além das Cantorias, só dividi disco com Elomar e com Renato Teixeira", compara, dizendo que Juraildes, para ele, está no mesmo nível dos demais. Como apresentador de música popular brasileira, Xangai avalia que a produção contemporânea brasileira está cada vez melhor, proporcionalmente igual à produção levada através da grande mídia que, para ele, está cada vez pior. "Cada vez que passa, a música brasileira está melhor, a que está fora da televisão. Mas eles não tocam porque não querem, nunca ouvi repentista tocar no Faustão", indigna-se o arteiro. Sua parte ele está fazendo. No programa de rádio que está produzindo, chama nomes da música popular que estão fora da mídia mas não por isso deixando de produzir música e idéias. "Paulinho da Viola, Renato Teixeira, todos vão lá, dão entrevistas, tocam, também viajam comigo pelo interior", conta.


   Cantor vai tocar com o maestro, violonista e violoncelista João Omar, filho de elomar. paulo matricó é o nome local

Serviço

Xangai e Paulo Matricó
Quando: Hoje, às 18h30
Onde: Teatro do Parque (Rua do Hospício, Boa Vista)
Quanto: R$ 6,00 (metade) e R$ 12,00 (inteira)

Pernambuco.com)


Cantoria de Xangai e Matricó marca volta do Seis e Meia

Áudio
» Xangai - Galope à Beira-mar Soletrado
» Xangai - Rei do Sertão
» Paulo Matricó - Canção da Lua
» Paulo Matricó - Moenda
Convidado baiano traz repertório selecionado de sua discografia de mais de 20 álbuns. Na janela local, sertanejo pernambucano canta músicas de seu quinto CD

GABRIELA BELÉM
Especial para o JC

   Após o recesso dos festejos juninos, o Projeto Seis e Meia volta ao Teatro do Parque com a originalidade e o virtuosismo do violeiro baiano Xangai e a poesia e cantoria do sertanejo do Vale do Pajeú Paulo Matricó.

   Xangai tem influências de Jackson do Pandeiro a Gilberto Gil e se consagrou, em 1985, como vencedor do Prêmio Chiquinha Gonzaga. Atração nacional, já carrega na bagagem mais de 20 discos gravados (incluindo parcerias) e canta a vastidão de sua obra. “Canto a minha circunstância e a realidade do Brasil. A música que faço aborda o ser humano, a ecologia”, diz. Famoso em todo o País, já cantou também em Cuba, Martinica e Guiana Francesa, além de ter lançado CDs na França, Portugal e Estados Unidos.

   O pernambucano Paulo Matricó faz um show baseado em seu quinto álbum, o acústico gravado ao vivo no Teatro do Parque, em novembro de 2001, Encantos do Sertão, cuja participação de Maciel Melo revela um time de excepcionais músicos no trabalho. É uma boa oportunidade de reapresentar o repertório do disco no local onde foi feito. O compositor canta ainda com suas filhas, Meriele Pereira e Elis Mariana, vocais e percussão. Ambas apresentam uma música solo cada.

Projeto Seis e Meia com Xangai e Paulo Matricó. Hoje, no Teatro do Parque (Rua do Hospício, 81, Boa Vista. Fone: 3423.6044). Ingressos R$ 12 e R$ 6 (meia)

JC Online)

 

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